- Juro, eu verifiquei a casa toda, não faltava nada nem estava nada fora do sítio. Quem quer que fosse, só esteve no meu quarto. E é estranho... A minha casa tem quatro andares a contar com o rés-do-chão e o meu quarto fica no terceiro, demasiado alto para qualquer pessoa conseguir chegar!
- Pois... Sinceramente não sei o que te dizer, é estranho...
Senti-me inquieto. Alexa desconfiava do que acontecera. Não desconfiava de mim, mas desconfiava que, quem quer que fosse que tivesse entrado no quarto de Bea, era alguém como eu. Perguntava-me se Bea acreditaria se Alexa lhe contasse sobre as suas desconfianças.
- Só espero que não tenhas sido tu a invadir a casa da miúda nova – disse Sandra, olhando-me fixamente.
- Fui eu – confessei, já à espera dos sermões de Sandra.
- Já percebi que tu estás mesmo decidido a pôr-nos a todos em perigo – refilou ela, bastante calma – Já não me vou dar ao trabalho de tentar abrir-te os olhos, mas quando a merda acontecer não me venham dar razão.
Suspirei, aliviado por não ter de levar com o mau humor dela.
Bea observava-nos discretamente e Sandra fez questão de lhe mandar um olhar intimidante, que a assustou.
*
Quando entrei na sala e a vi sentada na minha mesa, vi ali a minha oportunidade para me aproximar dela. Pedi permissão para me sentar, ela aceitou, pensei que estava tudo a correr bem. Mas quando ela disse que não estava à espera que eu me fosse sentar ao pé de si e eu lhe expliquei que normalmente me sentava naquela mesa nas aulas de História, ela quis mudar de lugar e eu não me controlei com a ideia de perder a minha oportunidade de falar com ela. Agarrei-a na mão com tal força que a assustei. Nem me passara pela cabeça que aquela atitude podia chamar a atenção para o que não devia. Quando ela se apercebeu que eu tinha a mão gelada ficou ainda mais assustada.
Tens de ter mais cuidado, exigiu o meu subconsciente.
Tive de respirar fundo várias vezes para acalmar todo aquele nervosismo que me invadira. Estar tão perto dela era mais difícil do que pensava.
Durante a aula de História foi impossível de falar com ela e mal reparei nos olhares curiosos e intrigados dos outros alunos, pois a minha atenção estava toda concentrada na Bea. Quando ela se distraía da minha presença, podia observar e admirar cada traço do seu rosto. Ela era tão bonita...
Só quando tocou para a saída é que pudemos voltar a falar. Sem hesitar, pedi-lhe para a acompanhar até ao carro, na esperança de poder falar com ela mais um bocadinho.
- Bem, acho que nem no meu primeiro dia de aulas senti tantos olhos em cima de mim como agora – riu-se, atrapalhada.
- As pessoas não estão habituadas a ver-me com outras pessoas para além dos meus irmãos – respondi com naturalidade – Hm estou a ver que gostas de ficção sobrenatural...
Ela desviou o olhar do meu, corando – Sim, principalmente quando se tratam de vampiros.
- Não é um tema que me agrade – respondi, tentando parecer indiferente.
Junto ao meu carro, os meus irmãos esperavam-me, entretidos a conversar um com o outro. Quando nos viram chegar juntos, pareceram reagir com naturalidade.
Olhei em volta, à procura do Audi vermelho, mas não o vi, percebendo que Sandra já se tinha ido embora.
Quando parámos ao pé do carro de Bea, senti-me meio triste, pois já só a voltaria a ver no dia seguinte.
- Gostei imenso de te conhecer. E gostava de te conhecer melhor... - disse-lhe sinceramente, na esperança de ser retribuído.
- Hm eu também gostei de te conhecer – sorriu, atrapalhada. E que sorriso lindo!
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a herdeira
Vampire(história em pausa) Uma casa no meio da floresta, fechada há 28 anos. Uma biblioteca que esconde um cofre. Um sótão fechado à chave. Uma floresta onde acontecem coisas estranhas. Dois desaparecimentos e uma morte suspeita. Uma história com 50 anos...
