07 - Alonso

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Acordei sobressaltado com o bater de uma porta. O relógio marcava pouco mais das 10:15h.
Levantei-me, sonolento, e saí do meu quarto. Não se ouvia barulho nenhum em casa. Dirigi-me ao fundo do corredor e parei à porta do quarto da Bea. Bati à porta, mas ela não respondeu. Ou ainda estava a dormir ou já tinha saído.
Alguma porta se fechou com alguma corrente de ar, pensei e voltei para o meu quarto, com a intenção de voltar a adormecer.
Em vez disso, fiquei às voltas na cama, a pensar nos últimos acontecimentos.
Dentro de dois meses, Bea faria 18 anos. Mais tarde ou mais cedo ela teria de saber a verdade. Custava-me pensar nisso, porque nem eu queria acreditar que tudo fosse verdade. Ao início, quando descobri, tentei convencer-me de que eram tudo fantasias da minha avó, mas quando ela morreu não restaram dúvidas: era tudo verdade, e tomei consciência disso quando, mais tarde, a minha mãe e a Camila desapareceram.
Para mim era um pesadelo viver naquela realidade; não queria que a minha irmã Bea passasse por isso também. Mas enquanto que eu tinha tido a oportunidade de poder fugir a isto, ela não terá a mesma oportunidade.
Ela teria de saber. Por enquanto não, a vida dela ainda estava meio abalada. Mas quando chegasse o momento certo, eu contar-lhe-ei.

a herdeiraOnde histórias criam vida. Descubra agora