- Tens a certeza?
Acenei que sim, recostando-me na cadeira do escritório do John.
- Isto é importante. Muito importante e preocupante. Se o irmão da Bea é um lobisomem, então isto está a tornar-se mais complicado...
John estava absorto nos seus pensamentos. Comecei a sentir que tinha cometido um erro em contar-lhe a verdade sobre o Alonso quando nem a Bea sabia ainda.
- Tens de te afastar dela, Enzo – disse.
- Nem pensar, eu não me vou afastar dela só porque o irmão dela é um lobisomem! – reagi.
- Sabes perfeitamente que nós e a espécie dele somos inimigos naturais, vai ser praticamente impossível mantermos uma relação amigável com ele.
- Ele é um omega, não nos vai causar problemas – garanti, sem ter assim tanta certeza do que estava a dizer.
- É um omega? – John parecia irritado – Não vês que isso causa ainda mais problemas? Um omega... nunca ouviste dizer que um omega nunca sobrevive durante muito tempo? Ele não tem ninguém que o ajude ou controle, mais tarde ou mais cedo vai arranjar problemas.
- Não vai não, ele não é como os outros. Ele parece muito controlado. Ele não me atacou nem a mim nem à Bea na noite de lua cheia, quando eu o encontrei em casa em processo de transformação.
Ele pareceu ponderar nas minhas palavras. Percebi que ele estava duvidoso mas surpreendido com o que eu acabava de dizer.
- Um omega assim tão controlado? Até parece mentira... - comentou ele.
Concordei com um aceno de cabeça. Mas a verdade é que eu sabia que o Alonso não era uma ameaça.
Segundos depois Rodrigo e Alexa entraram no escritório.
- Não temos boas notícias – disse o Rodrigo, bastante sério – Houve um homicídio.
John levantou-se de rompante, percebendo de imediato que pelas expressões deles o assunto tinha a ver connosco.
- O que é que se passou? – perguntei.
- Dois homens, andavam a caçar e foram atacados. Por um dos nossos...
- Vimos as marcas nos pescoços – continuou a Alexa – Foi um vampiro que os matou.
John pegou no casaco e na pasta e saiu de casa à velocidade da luz, provavelmente para ir para o hospital ter com um médico aliado para resolverem este problema. Que era um enorme problema.
- Anda por aí outro vampiro? – perguntei retoricamente, pressentindo que aquilo não trazia nada de bom.
- Pelos vistos um que não se controla. Ou muito me engano ou ainda vamos ter muitos problemas. Temos de descobrir quem ele é e se está sozinho ou acompanhado.
- Sinceramente espero que esteja sozinho – respondi de imediato – Sempre é mais fácil resolver o problema quando é só um problema.
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a herdeira
Vampiros(história em pausa) Uma casa no meio da floresta, fechada há 28 anos. Uma biblioteca que esconde um cofre. Um sótão fechado à chave. Uma floresta onde acontecem coisas estranhas. Dois desaparecimentos e uma morte suspeita. Uma história com 50 anos...
