- Estás a falar a sério? – Federico estava indignado.
- Sim, ela simplesmente levantou-se e foi sentar-se além sem sequer dizer mais nada – repetiu Alexa, virada para trás e inclinada sob a nossa mesa – Parecia que se queria afastar, como se não quisesse estar mais comigo.
Olhei em volta, reparando nalguns olhares indiscretos. O relógio da sala indicava que faltava menos de dois minutos para o toque de saída.
Olhei de relance para o outro lado da sala, onde a Bea estava sentada sozinha e completamente abstraída.
Quando finalmente tocou respirei fundo e levantei-me, mas ela já não estava na sala.
Senti a mão do meu irmão no meu ombro, e Alexa seguiu à nossa frente, com um ar abatido. Saímos da sala e caminhámos pelo corredor em direção à saída. Lá fora, junto ao Mercedes, Rodrigo e Sandra esperavam-nos.
À nossa volta eram só alunos felizes por já estarem de férias.
- O que é que aconteceu com a tua humana de estimação? – perguntou ironicamente Sandra – Saiu a correr e ia com uma cara pouco amigável.
- Cala-te – refilou inesperadamente Alexa, afastando-se de nós na direção do carro de Bea.
Ficámos a observá-la e vimo-la parar no meio do passeio, a alguns metros do Range Rover, no mesmo instante em que apareceu junto de Bea um rapaz que nenhum de nós conhecia.
- Olá, desculpa mas preciso de ajuda, és do 12º ano? – ouvimos o rapaz perguntar.
- Sim, porquê?
- Sou novo na escola, acabei de chegar à cidade e não conheço nada.
- Estão a pensar no mesmo que eu? – Rodrigo, mesmo ao meu lado, estava petrificado. Todos estávamos.
- Ele é um de nós – murmurou Sandra.
Alexa tinha voltado para junto de nós e vinha com um rasgo de medo no olhar.
- Vocês deviam ter visto o olhar assustador que ele me mandou mesmo antes de chegar ao pé da Bea... - a voz dela tremeu.
- Isto não é nada bom.
Cerrei os punhos, sentindo a raiva apoderar-se de mim no instante em que aquele desconhecido me olhou com ar vitorioso. Demorou menos de um segundo mas deu para perceber que ele tinha segundas intenções.
- Será que foi ele que matou os dois homens na bomba de gasolina? – perguntou Federico.
- Não sei, mas é provável.
Não conseguia desviar o olhar, e só quando a Bea entrou no jipe e conduziu em direção à saída é que eu respirei fundo, mesmo sabendo que o problema estava longe de ser resolvido.
O desconhecido, olhando uma última vez para nós, afastou-se e entrou num BMW branco.
- Por que é que acham que ele foi falar logo com a Bea? – perguntou Alexa, ainda com a voz trémula. Pelo canto do olho vi que Rodrigo lhe deu a mão para a acalmar.
- Não sei mas não pode ter sido por acaso – disse logo o Federico – Seria muita coincidência, não?
- Tem de haver um motivo – insistiu a Alexa.
Engoli em seco e abri o carro, entrando para o lugar do condutor. Sandra, Rodrigo e Alexa entraram no Audi vermelho.
- O que é que estás a pensar fazer? – perguntou Federico, olhando-me com atenção.
- Não sei, mas para já liga ao John e conta-lhe o que acabou de acontecer – pedi.
Sabia que o John estava bastante preocupado em saber quem era o vampiro recém-chegado à cidade e ia gostar de saber que acabávamos de nos cruzar com ele.
- E tu o que é que vais fazer? – perguntou quando eu tirei o telemóvel do bolso das calças.
- Vou ligar ao irmão da Bea.
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a herdeira
Vampir(história em pausa) Uma casa no meio da floresta, fechada há 28 anos. Uma biblioteca que esconde um cofre. Um sótão fechado à chave. Uma floresta onde acontecem coisas estranhas. Dois desaparecimentos e uma morte suspeita. Uma história com 50 anos...
