15 - Lorenzo

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- Já encontraste alguma coisa?

Acenei que não, começando a ficar irritado com aquilo. Tínhamos uma passagem secreta mas não tínhamos forma de a abrir, e não havia por ali nada que nos ajudasse a perceber como se abria.
Não me saía da cabeça que não podia ser um mecanismo complicado. Devia ser simples, para que fosse fácil de abrir em situações de emergência.
Vi a Bea olhar para o seu relógio de pulso e observar os caixotes ao seu lado com um olhar preguiçoso.
Nesse exato momento, ouvimos passos no andar debaixo.

- O meu irmão já está em casa... - comentou ela, num misto de tranquilidade e atrapalhação.

Segundos depois ouvimos Alonso a subir as escadas de pedra que davam para o sótão. Ele apareceu à porta, curioso.

- O que é que vocês estão aqui a fazer? Isto está cheio de pó - refilou depois de espirrar.

Bea olhou-me, atrapalhada, mas acabou por dizer a verdade - Estamos à procura... de uma espécie de passagem secreta.

Alonso fixou o olhar na irmã, sem saber se havia de rir ou de refilar novamente. Acabei por ver surgir no seu rosto um pequenino sorriso.

- Uma passagem secreta?

Bea suspirou, revirou os olhos e cruzou os braços, olhando-o com um ar aborrecido. Percebi que ela não estava com paciência para lidar com atitudes trocistas.

- Pronto, pronto - Alonso encolheu os ombros - E por que é que achas que há aqui uma passagem secreta?

- Porque tu disseste que os livros de magia da avó estavam aqui... mas não encontrei nada - disse ela - E as coisas do avô também não.

Alonso pareceu ficar surpreendido com a menção do avô.

- O que é que te leva a crer que as coisas do avô estão aqui em cima?

O ritmo cardíaco da Bea acelerou tanto que eu percebi que ela estava realmente nervosa, sentia que tinha posto o pé na poça. Decidi então chegar-me à frente.

- Foi o meu pai que nos disse - respondi, chamando a atenção de Alonso.

- Ah, o teu pai - assentiu - Foi a minha avó que lhe disse?

- Sim. Ao que parece, ele esteve aqui.

Alonso assentiu e olhou em volta, admirando pela primeira vez aquele espaço com elevada atenção.

- Realmente era suposto essas coisas estarem aqui - estranhou, passando os olhos pelas paredes - E também era suposto isto ser maior... O sótão não é demasiado pequeno?

- É por isso mesmo que estamos a ver se conseguimos entrar na passagem secreta - insistiu Bea.

- Ah, mas isso quer dizer que já sabem onde é que ela está?

- Sim - respondi, apontando-lhe o sítio onde a tonalidade da parede mudava - Só não sabemos bem como a abrir.

O irmão de Bea reparou então no quadro elétrico, que ainda estava aberto.
Lançou-nos um ar interrogativo e Bea apressou-se a explicar.

- Pensámos que um dos botões abrisse a parede, mas há uma série de botões que não estão identificados e não sabemos se realmente algum deles é o que procuramos.

- E não queremos experimentar nenhum sem ter a certeza porque temos medo que sejam armadilhas...

O rapaz dos olhos azuis assentiu, concordando connosco. Foi até ao quadro elétrico e observou os botões.

- Uma vez a avó falou-me deste sótão, disse que estava cheio de heranças e de armadilhas, que nenhum inimigo saía daqui com vida...

Bea engoliu em seco, sem saber o que dizer.
Senti o meu telemóvel tremer dentro do bolso das calças. Peguei nele e no ecrã apareceu o nome de Milena.

a herdeiraOnde histórias criam vida. Descubra agora