- Já falaste com a Bea? – perguntei assim que entrámos no edifício escolar.
- Não – respondeu Lorenzo, seguindo à nossa frente sem dizer mais nada.
Rodrigo lançou-me um olhar preocupado e foi atrás dele. Sem abrandar o passo, virei à esquerda e entrei na sala, que àquela hora ainda estava vazia. Quase vazia.
Bea estava sentada no lugar habitual e por um segundo hesitei se havia de me sentar já.
Abanei a cabeça e dirigi-me para a mesa, sentando-me ao lado dela.
- Tudo bem? – foi a primeira coisa que me lembrei de dizer.
- Tudo ótimo – a resposta dela foi bastante seca.
Pousei os livros em cima da mesa e tirei o casaco, pensando seriamente se valia a pena tentar falar com ela.
- Não falamos há algum tempo – comentei sem a olhar.
- Pois, tenho andado ocupada.
- O Lorenzo está preocupado contigo.
Ela apressou-se a pegar na mala e nos livros – Diz-lhe que não tem que se preocupar.
E levantou-se, indo sentar-se do outro lado da sala. Engoli em seco, sem perceber o que acabava de acontecer. Okay, ela estava chateada com o Lorenzo, mas isso significava que também tinha de estar chateada comigo? O que é que eu lhe fiz?
Levantei a cabeça e olhei-a, encontrando-a a ler um livro sem parecer minimamente afetada com o que quer que seja. Isto significava que já não eramos amigas?
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a herdeira
Vampiros(história em pausa) Uma casa no meio da floresta, fechada há 28 anos. Uma biblioteca que esconde um cofre. Um sótão fechado à chave. Uma floresta onde acontecem coisas estranhas. Dois desaparecimentos e uma morte suspeita. Uma história com 50 anos...
