Quando ela começou a fazer demasiadas perguntas, eu senti-me demasiado nervoso, ansioso, perturbado. A vontade de lhe contar tudo era enorme, mas por mais que eu quisesse ser sincero, eu não podia.
Eu tinha de sair dali e evitar as perguntas de Bea. Tinha de me ir embora e nem pensei nas consequências de usar as minhas capacidades para isso. Só me apercebi da asneira que fiz quando já estava longe.
Num segundo estava ali, a passar-lhe ao lado para me ir embora, no segundo a seguir já ali não estava.
Entrei em casa completamente transtornado. Tanto que nem vi John ao meu lado.
- O que é que aconteceu? Estás bem? – as suas perguntas ecoavam na minha cabeça e, no entanto, eu mal as ouvia.
- Está tudo bem, não me chateiem – pedi e subi as escadas à velocidade da luz, trancando-me no quarto.
Mais tarde ou mais cedo Beatrice ia perceber o que eu era. E irritava-me o facto de não me conseguir decidir se seria bom ou mau. Talvez uma mistura dos dois.
Aos olhos da maioria da minha família, Bea não podia saber a verdade. Para mim, seria mais fácil se ela soubesse, mas também seria muito mau porque eu tinha a certeza de que ela me iria odiar se soubesse.
- Lorenzo, podemos falar? – a voz de Alexa soou do outro lado da porta.
- Sim – respondi numa voz normal.
Ela entrou no quarto com cautela, em passo lento. Sorri ao perceber que, em tão pouco tempo, ela já conseguia controlar a sua velocidade.
- Estiveste com a Bea? – perguntou, sentando-se ao meu lado no divã.
- Sim... Ela está super preocupada contigo... - murmurei.
- Imagino que sim... - lamentou – Adorava poder ir ter com ela, mas o Rodrigo não me deixa.
- É melhor assim, se estivesses com ela podias cometer algum erro. Ainda não estás preparada – concordei – Mas podias ligar-lhe, ou mandar alguma mensagem... Só para ela ficar mais descansada...
Ela assentiu e deixou-se ficar sentada, recostando-se nas almofadas – Tu gostas mesmo dela, não gostas?
- Acho que sim... - respondi, perdido a pensar em Bea – Mas acho que fiz asneira...
Nesse momento, Milena apareceu à porta, ficando a observar-nos sem dizer uma única palavra.
- O que é que lhe fizeste? – perguntou Alexa, assustada.
- Nada, não lhe fiz nada... Mas ela começou a fazer muitas perguntas sobre ti, eu quase entrei em pânico, quis ir-me embora e nem pensei... virei-lhe as costas e quando ela se voltou para me impedir de ir embora não me viu...
- Foste imprudente! Ela agora vai ficar a pensar que imaginou tudo, ou que está maluca! – Alexa parecia revoltada – Devias ter mais cuidado!
- Eu sei, mas agora não posso fazer nada para remediar o que fiz! – exclamei, já irritado, não com ela mas sim comigo mesmo.
Milena suspirou e entrou no quarto.
- O John quer falar contigo – disse ela.
Revirei os olhos e saí do quarto, descendo as escadas até ao escritório.
John estava sentado à mesa a analisar uns papéis. Sentei-me à janela e esperei que ele iniciasse a conversa.
Minutos depois ele levantou-se e veio ter comigo.
- Descobriste alguma coisa sobre a Beatrice e a sua família?
Suspirei e contei-lhe tudo sobre a conversa que eu e Bea tivemos na noite passada, explicando o pouco que Bea sabia sobre a morte do pai e o desaparecimento da mãe e da irmã.
- Não é normal que o pai não a tenha deixado visitá-lo quando estava a morrer... - comentou John quando Sandra entrou no escritório.
- E ela não viu o corpo do pai? No funeral o caixão esteve sempre fechado? – estranhou ela, metendo-se na conversa.
- Acho que sim. Pelo que percebi ninguém viu o corpo para além do irmão dela. Acho que só o Alonso é que esteve com ele antes de morrer.
- Acham que... - Sandra interrompeu-se, pensando seriamente no que ia dizer.
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a herdeira
Vampiros(história em pausa) Uma casa no meio da floresta, fechada há 28 anos. Uma biblioteca que esconde um cofre. Um sótão fechado à chave. Uma floresta onde acontecem coisas estranhas. Dois desaparecimentos e uma morte suspeita. Uma história com 50 anos...
