O tempo é algo curioso, tem vezes que demora eternidades para passar, como quando ficamos esperando a promessa de passear no parque no fim da tarde, e olhamos pela janela observando o sol sumir. Mas há dias que mal o percebemos chegar e nem damos conta de quando já se foi. O tempo é caprichoso e se não fizermos sua vontade ele nos pune sem dó.
– Precisam voltar pra arena. – Girtou Pero Ponz. – O segundo turno começa agora.
As pessoas me falavam, confusa, eu não entendia quase nada. Ivna disse que eu precisava andar e sussurrou em meu ouvido perguntando o que estava errado. Eu a encarei e olhei ao redor.
– Nada, só... Depois eu te conto, mas fique atenta.
– Por quê?
– Vamos Plim. – Gritou Emilian que já estava caminhando pra arena.
– Depois Ivna, depois eu te conto.
Ela assentiu e nos despedimos, Sará, Cecilia, Galien e Liandra me desejaram sorte. Eu não tinha ouvido os planos que Mateu formulava e nem prestado atenção sobre as observações de cada um, eu estava mais do que confusa e o medo e a duvidava me corriam. Alguém tocou no meu ombro e vi Alana sorrir.
– Está pronta? – Perguntou. Senti um vazio no estomago, por que Bradir fez isso? Por que ele relacionara o nome de Alana com os assassinos? Emilian, o império, ela não podia me trair... Não ela.
– Estou. – Disse forçando sorriso. – Estou sempre pronta.
Mateu nos encarou. Eric e Isabel pareciam prontos. Emilian sujo de terra sorria empolgado. Eu precisava resolver muita coisa, mas não podia pensar nisso naquele momento. Olhei mestre Brandon, Orin fumando, eu tinha um desafio para vencer, e um esquadrão para orgulhar.
– Comecem!
Mateu mandou ficarmos em posição, mesmo também sendo uma capitã resolvi seguir suas ordens. Ele jogou bolas de fogo em Orin, o dragão de fumaça as engoliu e soltou uma grande quantidade de vapor pela boca. Enormes labaredas avançaram em nossa direção e todos saltaram pra longe. Na queda bati o cotovelo e esfolei a pele do braço, Alana que tinha caído ao meu lado se levantou e estendeu a mão pra mim, a encarei nos olhos, nossos companheiros lutavam, Emilian lutava.
– Que foi Plim?
O rosto dela mostrou confusão, os olhos claros espreitando, peguei a mão dela com força e puxei para me levantar, ela quase caiu, me encarava de olhos surpresos.
– Vocês duas! – Gritou Mateu. – Se apressem.
Alana ainda me olhava, pareceu formular alguma palavra mas não disse nada.
– Você me traiu? – Perguntei sentindo um calor ferver no meu peito ao dizer as palavras, minha voz estava tremula. – Alana, o que você sabe sobre a tentativa de assassinato de Emilian?
Ela estava abalada, parecia atrapalhada, como se tivesse perdido parte importante da conversa.
– Só o que você contou.
Uma luz forte iluminou a arena e vimos o gigante de fogo surgir novamente enquanto Mateu estava ajoelhado no chão apagando o fogo da manga esquerda de sua camisa. Emilian, Isabel e Eric lutavam contra Orin e vi como as duas crianças eram incríveis, havia gelo pela arena e o anão estava ferido no rosto e num dos braços, Isabel e Emilian juntos eram terríveis.
– O que está acontecendo Plim? – perguntou Alana quase suplicando. – Pode me dizer.
Eu sacudi a cabeça ainda confusa, não queria desconfiar de Alana, minha amiga, minha irmã.
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Escama Negra
FantasíaPlim é uma órfã de dezesseis anos que odeia seu nome e detesta crianças. Depois de perder um de seus olhos num ataque com bandidos ela decide participar de uma competição especial, conseguir um dos cobiçados itens mágicos e se tornar uma cavaleira a...
