Vamos fazer negócios

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4 - DANIEL

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4 - DANIEL

Para manter o disfarce de uma maneira efetiva, estávamos com quartos em um grande hotel da cidade, minha intenção era mostrar à Ángel que podíamos cobrir o seu preço. Porém, para trabalhar na investigação, havíamos alugado uma casa em um bairro próximo ao centro, a rua era quieta e a propriedade bem segura. O local funcionaria como nosso centro de comando, a ideia era checar todas as ramificações da quadrilha e também líderes de outros cartéis que Ángel era aliada.

Trouxemos conosco um agente do FBI e dois da Polícia Federal brasileira, além do apoio tático de alguns membros bem selecionados da polícia colombiana e do Exército. Não tínhamos como voltar para casa sem levar a Ángel para a cadeia.

— Não imaginou que se aproximaria tão fácil dela, não é? — perguntou o investigador Suarez, da polícia colombiana.

— Todas as nossas pesquisas disseram que era figura decorativa e que era manipulada por gente de dentro. — disse.

— Sua pesquisa está bem errada. Aquela mulher é o demônio encarnado que Tomaz trouxe para a própria casa. Ela controla tudo e é a única voz no cartel. —completou Suarez.

— Preciso reformular muitas dessas informações, inclusive quero saber quem não lhe desperta muita simpatia. Fomos apresentados por Ernesto e ela não gosta dele, o que se tornou um problema.

— Alguns informantes me disseram que o Rico teve problemas na família. O ideal seria ele fazer as apresentações. Sabemos que Rico e Guillermo são os braços direito e esquerdo da Ángel. — completou.

— Que na verdade se chama Carina. — disse Amanda, virando em minha direção a tela do notebook.

— Chegou o relatório da Polícia Federal brasileira? — perguntei, aproximando-me, de olho fixo na tela.

— Chegou, tem muita coisa. — concluiu.

Sentei ao seu lado e durante a hora seguinte me perdi na vida da Carina, tentando entender como uma adolescente rebelde se transformou na líder de um dos cartéis mais temidos no mundo. Era muita loucura imaginar algo assim, mas era o que aquela pesquisa dizia.

— Uma líder de cartel que surgiu das circunstâncias? — perguntei, olhando para Amanda.

— Isso não a faz inocente. — disse.

— De maneira nenhuma, apenas quero traçar um perfil. — completei indiferente, mas foi um pouco difícil não pensar sobre a garota descrita na pesquisa e a mulher que conheci na noite anterior.

Trabalhamos ainda por um longo tempo quando à noite Ernesto me telefonou, a mando de Rico, dizendo que Ángel estava disposta a conversar no dia seguinte na cobertura do hotel San Pablo e que tinha de comparecer sozinho.

— Por que não posso ir com você? — questionou Amanda.

— Não sei, precisamos de muito mais contato para entender o que se passa na cabeça dessa mulher.

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