DANIEL

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Claro que estava com medo da situação em que me encontrava até que senti o cheiro dela e, por um momento, respirei aliviado. Só por um momento, porque todo o cenário, o seu silêncio, a tesoura arrancando minha roupa e o fato que me negava a visão deixava-me claro que a cena que se desenrolaria a seguir seria o mais duro e seco do BDSM, comigo no papel de submisso.

— Ángel — disse em um sussurro.

Minha calça que estava sendo cortada e tirada do meu corpo parou no mesmo lugar e senti quando sua boca se aproximou do meu ouvido.

— Quem disse que pode falar? Não queria ser o meu bichinho de estimação novamente? Se arrependeu? — perguntou.

Sabia que enfim estava tendo uma oportunidade de me aproximar dela. Claro que uma parte de mim não queria que fosse daquele jeito, desejava o fim de semana em Lores, porém ela ainda não tinha me perdoado e aceitar ser o seu pet seria a minha única forma de redenção.

— Se é a única maneira de tê-la por perto — disse.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos e terminou de tirar a minha calça.

— Vamos nos divertir e, se ouvir outra frase com esse teor de manipulação, saiba que volta para a cela e o vendo para alguma facção que odeie americanos — disse.

— Sim, senhora — respondi e esperei pela próxima ordem com uma ansiedade que surpreendia até a mim.

O resto da minha calça foi parar no chão e ela ficou quieta por alguns segundos que pareciam uma eternidade, pois era invasivo estar nu, amarrado e usando um saco preto que bloqueava a minha visão.

— Antes de começarmos, é óbvio que precisa de um banho — disse, tirando o saco da minha cabeça e em seguida abrindo as algemas.

Esfreguei os pulsos ao mesmo tempo em que meus olhos se acostumavam por estar sem o bloqueio do pano.

Sabia que não devia, mas olhei diretamente para Ángel e o que posso dizer: um mês sem vê-la não tinha diminuído em nada o que sentia.

Entre ela olhar e reagir foram alguns minutos e senti um choque que não me causou dor, mas tinha a intensidade suficiente para me fazer retrair e um novo choque atrás dos meus joelhos, fazendo com que caísse no chão.

— Quem disse que pode me olhar? — perguntou e vi o bastão de choque, pelo visto, a Ángel estava disposta a pegar pesado.

— Desculpe, senhora — respondi submisso.

Ela se encurvou, pegou o meu queixo suspendendo o meu rosto. Em seguida, sem que esperasse, ela me beijou, penetrando minha boca de uma maneira que não tive como conter o meu suspiro de prazer.

— Gostei da barba — falou quando afastou os lábios do meu. — Tome um banho, estou esperando no quarto — disse e levantou-se, deixando-me sozinho no banheiro.

Respirei fundo e fiquei de pé, olhei para os lados pela primeira vez sondando o lugar. O banheiro tinha um bom espaço, mas tudo bem rústico, as paredes eram de cimento, assim como o chão, porém uma boa ducha, vaso sanitário e todos os adereços para dar conforto à líder do cartel.

Óbvio que aproveitei o momento, precisava e necessitava desesperadamente de um banho e durante aqueles minutos quis que a realidade fosse outra e a Ángel não tivesse me esperando para agir como uma dominadora, e sim, como amante.

Enxuguei-me em uma das toalhas que estava na prateleira, pendurei em um gancho e deixei o banheiro sabendo que o que estava por vir exigiria muito de mim, porém valia a pena se, no final, estivesse ligado a ela e gozássemos como os amantes que nos tornamos desde o primeiro dia.

ÁngelOnde histórias criam vida. Descubra agora