Como éramos apenas em três homens, foi possível adiantarmos o passo e, ao final de um dia de caminhada, ouvimos o movimento do grupo da Ángel.
— E agora, comandante? Avisamos o posto? — perguntou um dos guardas.
— Ainda não, vamos saber mais, há muitos civis com eles — disse, segurando o telefone via satélite, tentando assim ganhar tempo para me decidir o que realmente pensava sobre a Ángel.
Paramos a certa distância e vimos quando encontraram com alguns homens armados. Um deles se aproximou dela e percebi que eram amigos, porém aquele não era o Ramon.
Eles conversaram por um tempo e depois seguiram viagem. Um dos soldados que estava comigo, e servia de guia, nos aconselhou a deixarmos colocarem meia hora na frente e que seguíssemos por uma região mais abaixo por entre as árvores.
Seguimos o rastro deles nos posicionando como observadores até que vimos um grupo um pouco à nossa frente preparado para atacar.
— São de outro cartel? — questionei para um dos soldados a meu lado.
— Não, são mercenários, agem com a guerrilha — disse.
Meu coração se apertou no peito, pois sabia que no grupo da Ángel havia poucos homens treinados e muitos civis.
— Temos que chamar reforços — disse um dos soldados.
— Eles não chegarão a tempo, por isso teremos que nos envolver.
— Por quê? Melhor deixar que se resolvam e pegamos quem sobreviver — disse um dos soldados e fiquei irritado com a sua observação.
— Há mulheres e crianças no grupo que está com a Ángel, é nossa obrigação defendê-los — disse, dando a ordem para que nos juntássemos ao grupo da Ángel.
Corremos até eles e, no meio dos tiros trocados, procurei a Ángel e não a encontrei. Busquei pelas proximidades quando a vi, estava próxima a algumas árvores sendo ameaçada por um homem que lembrava ter visto a cara nos procurados do FBI.
Ouvi quando ele mandou que ela soltasse a arma. Era óbvio que a Ángel buscava alguma reação, principalmente quando vi a pequena Ángel escondida atrás de suas pernas.
Tinha que agir rápido, ainda mais depois que o escutei dizer que a Ángel tinha preço viva ou morta. Pensei em atirar, porém, antes que agisse, ele disparou e, por instinto, voei literalmente ao encontro deles protegendo a Ángel com o meu corpo.
Senti quando a bala me atingiu, a dor me deixou à beira da inconsciência, porém resisti em desmaiar com medo do que ele poderia fazer com a Ángel. Mas ela sabia o que fazer e aproveitou a confusão, puxando a arma e disparando no seu oponente.
No meio da bagunça que a minha mente estava, consegui ver quando ele caiu no chão e assim fechei os olhos, rendendo-me à dor e ao cansaço.
Mas, antes que a escuridão me tomasse de vez, ainda senti as mãos da Ángel no meu rosto e a ouvi me chamando de idiota.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Ángel
Chick-LitA rebeldia e a liberdade de Carina eram os seus guias na vida, até que um dia todos os limites foram ultrapassados e se viu jogada em um mundo que para sobreviver teria que dominá-lo. Assim nasceu a Ángel, líder de um dos cartéis mais violentos da C...
