A rebeldia e a liberdade de Carina eram os seus guias na vida, até que um dia todos os limites foram ultrapassados e se viu jogada em um mundo que para sobreviver teria que dominá-lo. Assim nasceu a Ángel, líder de um dos cartéis mais violentos da C...
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AMANDA
A cada dia que passava, Daniel estava mais diferente, podia defini-lo como distante. Sem dúvida, aquela missão estava mexendo com ele ou talvez fosse a Ángel, mas minha cabeça não queria acreditar que aquele pudesse ser o motivo real.
Sabia que o Daniel era dominador e que jamais se submeteria de bom grado no sexo, portanto os momentos que vivia com aquela traficante com toda certeza eram um sacrifício para ele, e sua reação depois do primeiro encontro foi justamente porque estava com nojo do que teve de passar. Mas depois do seu segundo encontro com a Ángel, em que se recusou a falar comigo, tive medo do que Daniel estava sentindo.
Cheguei ao hotel e, ignorando o seu pedido, entrei em seu quarto com a minha chave. Encontrei-o na cama dormindo profundamente, na mesinha ao lado estava uma garrafa de uísque quase vazia.
Olhei-o deitado na cama e o senti tão indefeso. Pela primeira vez, enxergava o Daniel daquele jeito, o que aquela mulher estava fazendo com ele?
Resolvi deitar ao seu lado, mas, quando encostei a cabeça no travesseiro, ouvi claramente o Daniel chamar o nome da Ángel. Sentei na cama confusa, e o meu primeiro pensamento foi de acordá-lo, mas depois me ocorreu que estava naquela missão para dar apoio ao meu noivo e aquela era a amostra de que ele estava tendo dificuldades para viver o papel do personagem que criamos para a sua interação com a Ángel.
Como ele não repetiu mais o nome daquela mulher, decidi por me deitar ao seu lado e assim acabei adormecendo. Quando acordei, dei de cara com um Daniel me olhando bem zangado.
— Pedi um espaço e disse que depois conversávamos, posso saber o que está fazendo aqui, Amanda?
— Fiquei preocupada com você — disse ainda zonza de sono.
— Tem ideia do que significa dormir no meu quarto?! O quanto pode prejudicar o nosso disfarce?! — Perguntou muito irritado.
— Calma, Daniel! Apenas fiquei preocupada com você, principalmente porque ontem teve um desses encontros com a Ángel e não quis me contar.
Ele respirou fundo e olhou-me visivelmente mais controlado.
— Amanda, sei que essa situação está muito difícil para o nosso noivado. Mas lembre-se que a alertei antes de virmos para a Colômbia que sacrifícios deveriam ser feitos e como seria o meu grau de interação com a Ángel. Você estava ciente todo o tempo.
— Você não está me entendendo. O problema é você — disse decidida.
— Eu sou o problema?! Como assim? — perguntou zangado.
— A maneira que está se isolando depois dos seus encontros com ela mostra claramente que não está conseguindo manter no profissional — disse sincera.
Ele virou de costas e ficou em silêncio. Um silêncio que me incomodou bastante. Quando virou de frente para mim, o controle que tinha demonstrado estava ainda maior, o que me dava a certeza de que Daniel não seria sincero, dando um jeito de disfarçar.
— Amanda o que tenho com a Ángel é puro BDSM, ela curte os jogos e através deles encontro o caminho de me aproximar. Como já aconteceu. Hoje teremos um encontro para conversarmos sobre negócios — concluiu.
— Você está claramente abalado por essa mulher. Não consegue ver isso? Você se isola e ontem, quando me deitei ao seu lado, sussurrou o nome dela.
Senti que ele se desestabilizou com a revelação, mas foi muito rápido e logo depois voltou ao seu controle inicial.
— Amanda, os jogos que a Angel curte são bem pesados e estou fazendo um papel oposto ao que estava acostumado e isso me abala psicologicamente, preciso de um tempo para equilibrar os sentimentos — disse conclusivo.
— Acredita que me deixando à margem é que conseguirá se equilibrar? Aceitei vir junto porque confio na nossa relação, mas parece que você não pensa do mesmo jeito — disse, provocando-o.
— Claro que penso desse jeito, confio no relacionamento que temos, mas preciso de um momento para respirar. Estou jogando BDSM hardcore em uma posição que não é a minha, tem de entender que algo assim precisa de tempo para ser absorvido.
— Jura que a Ángel não está lhe influenciando? — perguntei em um tom desesperado, pelo qual me arrependi de imediato.
Daniel se sentou ao meu lado na cama e me puxou para os seus braços. Quis resistir por saber que ele tentava me convencer usando a atração que tínhamos para mostrar que estava tudo bem. Mas estar ali no conforto e aconchego dos seus braços era um bálsamo para mim e acabei cedendo, principalmente depois do que me falou:
— Eu te amo. Assim que esta missão acabar, vamos nos casar. O que está acontecendo comigo e a Ángel é apenas parte da investigação, o necessário para acabarmos com a quadrilha.
Ouvi aquelas palavras, querendo acreditar em cada uma delas, mas o problema era que o instinto de policial gritava que o próprio Daniel queria acreditar tanto quanto eu. Decidi por não tocar mais no assunto e deixar que ele acreditasse que havia me convencido.
Ficamos mais alguns minutos juntos, e Daniel fez questão de colocar o sexo na balança para completar o seu plano de convencimento, o problema foi que só serviu para mostrar o quanto ele estava distante e que se relacionar com aquela mulher poderia nos trazer sérios problemas.
Algumas horas depois, quando deixei seu quarto, fui para o meu, pois estava decidida a conversar com o meu sogro. Antony com toda certeza saberia me orientar no melhor a fazer e de uma maneira que não prejudicasse Daniel junto ao FBI.
— Hello!
— Antony? — perguntei, confirmando a voz do meu sogro.
— Sim. Amanda? É você? Algum problema? — perguntou preocupado. — Estão no meio de uma missão, não deveria estar telefonando.
— Estamos bem. Apenas, como sempre foi o meu mentor e Daniel sendo seu filho, achei que deveria buscar um conselho.
— O que houve? — perguntou preocupado.
Contei a ele como estava acontecendo com a interação de Daniel e Ángel e sobre os resultados obtidos.
Antony ficou em silêncio por alguns segundos, após a minha conclusão. Então disse o que achou sobre o assunto.
— Amanda, sabíamos o quanto essa missão seria difícil. Daniel está enfrentando uma tarefa pesada, trabalhar infiltrado é muito complicado. Aconselho que permaneça ao lado dele observando suas ações da mesma maneira que tem feito, cobrando resultados, assim o manterá ligado à sua verdadeira realidade. Em contrapartida irei sondar com Steve como anda a missão, para que pressione Daniel a dar resultados, isso fará com que meu filho se foque no que é realmente importante.
— Fique tranquilo que ficarei ao lado dele, tenho certeza que se conversar com Steve, o Daniel se sentirá pressionado a dar resultados imediatos e isso o afastará do mal que a Ángel pode causar.
— Esta é a intenção. Qualquer problema, entre em contato, mas lembre-se de não comprometer a missão.
— Sim, não se preocupe.
Encerramos a ligação, e fiquei esperançosa de que o fim da Ángel estivesse próximo e o meu Daniel voltaria a ser como antes de ter contato mais íntimo com aquela víbora.