A rebeldia e a liberdade de Carina eram os seus guias na vida, até que um dia todos os limites foram ultrapassados e se viu jogada em um mundo que para sobreviver teria que dominá-lo. Assim nasceu a Ángel, líder de um dos cartéis mais violentos da C...
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Desde o início, não me senti confortável com o sumiço do Henrico quando fez a entrega no Brasil. Rico não investigou como deveria o que aconteceu com ele e o filho, e não cobrei como deveria. Enfim, como sempre digo, todos os atos têm consequências e quando erramos elas são ainda piores.
Henrico serviu para a polícia como uma ferramenta com informações para que viessem atrás de mim e do cartel, por isso tinha que pagar o preço da traição. Ele era um bom homem, porém regras eram regras e tinha de pagar o preço pelo erro que cometeu.
O engraçado de tudo isso foi ver como a Amanda era instável, o que me dava a certeza que seria fácil virar o jogo e acabar com a raça do Daniel e do seu grupinho.
Mas tinha de admitir que ver o Daniel mexeu com as minhas emoções. Para minha infelicidade, tive a certeza de que me apaixonei por aquele homem, por isso, mais do que nunca, precisaria ser a dominadora que me tornei e manter minhas emoções sob controle para virar o jogo e mostrar que ninguém prende a Ángel.
— Você vai aprender quem manda — disse Amanda, jogando-se sobre as minhas costas, pegando a mim e ao guarda de surpresa, fazendo com que eu caísse no chão.
Ela me virou, acreditando que a posição a favoreceria para me esmurrar, porém consegui encurvar o meu corpo para a frente em um gesto rápido e enlaçar o seu pescoço com a corrente para tentar enforcá-la.
Pensei: "Por que não me livrar logo daquela idiota?".
Amanda empenhava-se em uma reação, dando-me socos nas costelas do lado esquerdo, enquanto com a mão direita tentava com os dedos conter a corrente que usava para estrangulá-la.
O guarda tentava fazer com que a soltasse, puxando as minhas mãos da corrente, quando Daniel e Joaquim se aproximaram e começaram a ajudar o guarda.
O que posso dizer? A minha fúria era grande, mas não o suficiente para vencer três homens e assim eles me fizeram soltar a corrente.
Joaquim e o guarda ajudaram Amanda a ficar em pé, enquanto ela tossia e mantinha uma das mãos no pescoço, tentando se recuperar.
Daniel tentou me ajudar a ficar de pé, porém fiz isso sozinha, mesmo com as mãos algemadas.
— Já não acha que a sua situação está bem complicada para que acrescente à lista a morte de uma agente? — perguntou, parando o rosto a centímetros do meu. Novamente usei do meu controle para transformar o desejo de beijar sua boca em vontade de mordê-lo.
— Esqueceu a parte onde ela me agrediu primeiro. Que tipo de agentes, desequilibrados emocionalmente conseguem trabalhar com o FBI? Pensei que eram avaliados — disse sarcástica e continuei: — A não ser que ela seja mais que uma parceira que fingia ser sua irmã — disse, e a cara de ódio de Amanda aumentou. Isso me fez continuar: — Contou para ela o que nós dois fazíamos? — perguntei sarcástica, insinuando.
— Sou noiva dele e uma agente da Polícia Federal brasileira — disse Amanda, antes que Daniel falasse algo, e correu ao meu encontro. Creio que estava disposta a me submeter assim como ela era submissa ao Daniel, mesmo que fosse na porrada. Coitadinha!
— Pare agora mesmo, já chega! — gritou Daniel para ela, posicionando o corpo de uma maneira que me protegia.
A mágoa e o ressentimento faziam com que o odiasse por essa atitude. Não queria a sua defesa, por isso não pensei duas vezes em continuar irritando a Amanda.
Como ela parou ao ouvir a ordem do Daniel, tive a certeza que aquele era o meu gancho para provocá-la.
— Olha só, ela obedeceu. Se mandar sentar, ela faz também? — perguntei, caprichando no sarcasmo.
— Sua filha da puta! — gritou, dando um passo em minha direção.
— Olha como obedece! — exclamei cínica. — Manda ela rolar para ver — disse para Daniel. E, se ele não fosse rápido, acredito que a Amanda tentaria me enforcar.
— Quer ficar calma! — disse, contendo-a. — E você, que tal calar a boca? — disse, voltando-se em minha direção.
— Já que pediu — fiz questão de frisar a forma com que falou, o que irritou ainda mais a Amanda.
— Não pode permitir que ela fale assim comigo — reclamou Amanda.
Daniel respirou fundo, visivelmente tentando se controlar, olhou para mim irritado e depois se voltou para Joaquim.
— Joaquim, pode acompanhar a Amanda até o escritório. Enquanto isso colocarei a Ángel na cela — disse decidido.
Joaquim saiu, levando Amanda com ele, impedindo que ela continuasse a reclamar, enquanto isso, Daniel segurou o meu braço tentando me levar até as celas.
— Não preciso que segure o meu braço — disse, dando um chacoalhão para me livrar da mão dele, e ele respeitou. O clima entre nós estava tenso a um nível bem hard.
Andamos alguns passos em silêncio até a porta que dava acesso às celas.
— Quando escapou de Tomaz, deveria ter voltado para o Brasil. Devia saber que não há futuro em uma vida de crimes — disse quando o guarda abriu a porta.
— Todo ato tem resultados, eu sabia o que aconteceria comigo devido às decisões que tomei. Por isso saiba que a sua traição terá consequências também — disse e acompanhei o guarda, deixando Daniel pensativo sobre o que acabara de dizer.
Vi Rico e Guillermo presos separadamente em cada cela.
— Ángel — disse Rico.
— Está tudo bem — respondi.
— Sem conversas — disse o guarda, abrindo a porta da minha cela.
Sabia que a melhor coisa era manter o silêncio, apenas olhei para Guillermo, tentando deixar claro que estava tudo bem.
O guarda tirou as algemas e entrei na cela.
Sentei na cama de ferro e olhei para os meus pulsos feliz com o resultado que as algemas provocaram quando tentei estrangular a Amanda.
Passei a mão no meu pulso esquerdo e senti o fio de aço de dez centímetros que escondi debaixo da minha pele há algum tempo quando fiz uma das minhas primeiras tatuagens.
Aprendi com um dos meus instrutores de defesa pessoal que devia ter ferramentas escondidas que me permitissem virar o jogo e aquele pequeno fio de aço seria a minha arma, bastava apenas tirá-lo de onde estava sem chamar a atenção.
Aproveitei a fragilidade da pele devido à pressão das algemas e, com a ponta de uma das minhas unhas afiadas, comecei a forçar, abrindo uma pequena ferida por onde poderia retirar o fio.
Quando estivéssemos no avião, com destino aosEstados Unidos o jogo iria virar. Puxei a manga da camisa para que as gotas desangue da ferida não fossem notadas.