DANIEL
Não era o meu primeiro trabalho infiltrado, nem a primeira vez que me envolvia com quem tinha de prender, porém com a Ángel tudo estava correndo fora do planejado.
Quando ela me propôs uma parceria sexual para o fim de semana, fugindo um pouco da relação BDSM, confesso que a felicidade se estampou no meu rosto. No entanto, ter liberdade com ela, deveria ser indiferente para mim e apenas uma ferramenta para controlá-la.
Senti-la sem barreiras e avaliar a maneira como nos completávamos, sem precisar de palavras, estava me assustando, pois era um risco para a minha carreira e, claro, a missão.
Com essa reflexão, percebi que precisava agir.
Percebi quando ela acordou. Decidi fingir que estava dormindo e, quando ouvi os seus movimentos deixando o quarto depois de ir ao banheiro, abri os olhos disposto a agir como o policial que um dia decidi me tornar.
Torci para que ela tivesse esquecido de levar o celular. Depois de alguns segundos de observação, sorri satisfeito quando o encontrei em cima do criado-mudo.
Sabia que tocá-lo era um risco e totalmente desnecessário para o que estava preste a fazer. Usando um aplicativo desenvolvido pela CIA e vendido ao FBI para clonagem, consegui a cópia do aparelho dela em meu celular.
O aplicativo acionava o bluetooth, forçando o aparelho da pessoa a informar todo o seu conteúdo para o intruso.
Abri o aplicativo e coloquei o meu celular sobre o aparelho dela, aguardando o processo. Em dois minutos, o celular da Ángel estava dentro do meu. Com toda certeza, teria as informações que precisava para acabar com o cartel e terminar a missão levando-a à justiça.
Soltei o ar preso nos pulmões quando o aplicativo terminou de fazer a cópia e deixou-me com a opção de espelhar o celular da Ángel para os dados futuros, como conversas. Apertei o botão verde e levei o meu aparelho comigo para o banheiro, deixando o dela no lugar em que estava.
Tomei um banho, vesti uma bermuda que encontrei no guarda-roupa. Incrivelmente a peça era do meu tamanho. Sem dúvida, a Ángel pensou em todos os detalhes para o fim de semana.
Coloquei meu celular no bolso traseiro e saí do quarto em busca da mulher que estava balançando minhas decisões e que eu recusava admitir.
Quando cheguei à sala, senti um cheiro maravilhoso vindo da cozinha. Com toda certeza, era Benita preparando algo para a Ángel, mas me surpreendi quando vi quem estava mexendo nas panelas.
— Pensei que dormiria um pouco mais — disse Ángel de costas para mim, olhando algo nas panelas.
Alguém como ela tinha que estar sempre atenta a todos os movimentos, porém falhou com o celular ou quis mostrar confiança, que eu acabava de destruir.
— Não sabia que cozinhava — disse, tendo que repetir mentalmente o mantra de que ela era uma assassina e não deveria ter empatia, pois, quando a vi descalça, cabelos presos em um coque frouxo, usando um vestido comprido de alças, estilo cigano, do jeito que sempre imaginei para a minha esposa, ficou muito difícil me manter firme.
— É um dos meus passatempos prediletos. Gosta de peixe? — perguntou com um sorriso fascinante.
Deus do céu, aquela mulher estava longe de ser um anjo, estava mais para um demônio sedutor.
— Como de tudo — disse.
— Que bom, então é como eu, adora comer — respondeu, se agachando para olhar algo no forno.
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Ángel
ChickLitA rebeldia e a liberdade de Carina eram os seus guias na vida, até que um dia todos os limites foram ultrapassados e se viu jogada em um mundo que para sobreviver teria que dominá-lo. Assim nasceu a Ángel, líder de um dos cartéis mais violentos da C...
