ÁNGEL

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Deixei a casa onde colocamos presos Daniel, Joaquim e Amanda pensando no grande castigo do universo. Pelo visto, as boas atitudes que acreditava estar tomando não surtiram muito efeito, e o Cosmo colocou o Daniel em minha vida apenas para que sentisse o gosto do que é a paixão e logo depois o amargo de uma traição.

Tinha certeza que eles voltariam a me procurar, por isso, assim que chegasse a Ramon, divulgaríamos o perfil dos três entre o nosso pessoal, com ordem para matar, acabando com o traidor antes que tivesse tempo de chegar a mim, buscando uma proteção na minha fraqueza.

— Como foi? — perguntei a Guillermo quando ele retornou depois de ter enviado o Daniel para o posto policial.

— No pior dos cenários, se não conseguirem se soltar e a correnteza se mantiver forte, serão jogados para fora do barco. Daniel e Joaquim têm alguma chance de chegar à margem, mas Amanda estará morta. No melhor dos cenários, eles se soltam, conseguem manter o controle do barco e chegam ilesos ao posto.

— Na consequência da sua melhor hipótese, eles voltarão atrás de nós — comentei torcendo a boca.

— Por isso que as fotos que tirei com o celular do Mendez servirão para que eu envie a todos os nossos soldados com ordem para matar. E, por um tempo, aconselho a não fazermos negócios com novas quadrilhas até você pensar sobre as falhas que cometemos — disse Gui.

— É a providência a tomar — disse, sabendo que era o melhor, porém era difícil controlar uma parte no meu cérebro que estava se preocupando com o que acontecia no rio.

— Tudo bem? — perguntou Gui, adivinhando a minha possível preocupação com o Daniel.

— Sim. Tirando a morte do Rico e estarmos no meio da floresta, estou ótima.

— E o Daniel? — perguntou diretamente.

— Um castigo do universo, e acabou. Não falaremos mais dele. Quando conseguir falar com a Mel, avise-me e comunique a ela que está proibida de falar sobre relacionamentos afetivos para mim — disse, dando as costas e caminhando em direção a Antônio para saber das providências.

Precisava ocupar a minha cabeça com o que realmente tinha importância: a minha sobrevivência e dos que dependiam de mim.

— Estamos com tudo pronto, Ángel. Só esperando a sua ordem — disse Antonio.

— Ótimo, o guia nos levará até a cachoeira de pedra, onde encontraremos os olheiros do Ramon.

— Certo, Ángel.

— Guillermo, você segue na frente com alguns homens armados, mulheres e crianças logo atrás, fecharei o grupo com mais alguns homens — disse quando Gui se aproximou para saber qual o plano.

Dei ordem para que armas que não pudéssemos carregar fossem destruídas e, quanto às drogas, deixei os pacotes abandonados, não tinha o menor interesse no produto do Mendez.

Seguimos em uma direção oposta ao rio por onde Daniel foi mandado. Acreditava que ele sobreviveria, porém as chances de nos vermos novamente eram mínimas.

ÁngelOnde histórias criam vida. Descubra agora