ÁNGEL

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26 - ÁNGEL

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26 - ÁNGEL

Desde que o Daniel deixou a reunião no hotel, fiquei pensando que ter bancado a durona, ignorando meus desejos, não foi uma boa ideia e, portanto, acabei saindo no prejuízo.

— O que houve? Problemas na reunião? — perguntou Mel, quando me viu andar de um lado para o outro na suíte.

— Não, tudo dentro do esperado.

— Então, por que está assim ansiosa?

Contei a Mel o que fiz com o Daniel e que agora estava achando que tinha feito besteira.

— Por que não faz uma visitinha à suíte dele no hotel? Marcaria de vez o território — sugeriu.

Torci a boca, pensando sobre a possibilidade e acabei achando que poderia ser uma boa opção.

Até o segundo anterior ao que a Amanda nos interrompeu, fiquei muito feliz com a sugestão da Mel. Porém, quando me vi fora do quarto, terminando um momento que seria com toda certeza perfeito, de forma revoltante, fiquei extremamente irritada.

Eles eram irmãos, não via o porquê dela invadir o quarto do Daniel. Ele tentou me seguir, mas tinha acabado o clima, por isso mandei que ficasse e saí do quarto.

Deixei o hotel por uma porta que servia a propósitos de pessoas como eu e logo depois encontrei a minha moto, acelerei para a casa ainda com aquela pulga atrás da orelha que dizia a todo instante que a entrada de Amanda no quarto era muito mais que apenas uma irmã querendo contar novidades, na verdade, era como se eles fossem mais que apenas irmãos.

— Ángel, é normal irmãos fazerem o que ela fez como entrar no quarto desta forma — disse Mel.

— Normal?! É muita liberdade e intimidade! — disse zangada.

— Ángel, está pensando assim porque nunca teve irmãos. Quando morava em minha casa, passar pela situação do Daniel era normal e, se perguntar ao Gui, ele dirá o mesmo com relação aos irmãos dele.

— Considero vocês como meus irmãos, mas duvido que invadissem o meu espaço desse jeito — continuei.

— Ángel, muitas vezes tenho o comportamento igual ao da Amanda com você. Acidentalmente, nunca interrompi nenhum dos seus encontros porque nunca os teve em nossa casa — concluiu.

Ela saiu do quarto com destino à piscina, e fiquei pensando sobre o que disse, quando meu celular vibrou e encontrei uma mensagem do Daniel.

"Minha senhora,

Amei a surpresa! Perdoe-me pela minha irmã. Ela não conhece limites.

Peço que me dê a chance de terminarmos o que começamos."

Definitivamente, o tigre sabia como remediar uma situação e, por um momento, pensei: por que não?

Tinha uma vida que nem de longe era a que um dia desejei, portanto acho que não custava nada me dar alguns gostos e prazeres, mesmo que corresse o risco de morrer por essas liberdades.

Só que não facilitaria as coisas para o tigre, afinal, ele merecia uma pequena lição, por isso, era hora de me divertir um pouquinho.

Peguei o telefone e entrei em contato com três homens que trabalhavam para mim e resolviam algumas pendências que precisava. Dei a ordem do que queria que fizessem, depois, liguei para uma das minhas funcionárias que tomava conta do calabouço que Tomaz mantinha para algumas brincadeiras especiais, dizendo a ela que deixasse o local preparado que em breve estaria chegando.

Avisei a Rico e Gui que estaria fora até o outro dia pela manhã e, quando voltasse, resolveríamos a questão de duas quadrilhas que estavam nos devendo. Odiava quando tentavam bancar o esperto comigo, por isso, depois que me divertisse com o tigre, estaria com toda a garra para mostrar aos idiotas que não podem ganhar da Ángel.

Troquei a roupa que usava por uma calça, blusão e botas, negros. Peguei a chave da moto e o capacete. Para onde estava indo, ela seria perfeita. Coloquei a pistola no cós da calça e saí de casa.

Cheguei à casa onde tinha o calabouço e Antônia me recebeu.

— Senhora, que bom vê-la!

— Como vai, Antônia? — perguntei, abraçando-a. Ela era uma senhora de mais de sessenta anos com longos cabelos grisalhos, sorriso simpático e um doce abraço maternal.

— Muy bien — respondeu. — Graças à senhora, hoje posso dizer isso.

Antônia era uma das muitas vítimas que os carteis deixavam espalhadas pelo país, por sorte, eu a trouxe para ser caseira da casa. Seu filho Afonso trabalhava em uma padaria como gerente, por conta de uns favores que cobrei, assim, seus netos finalmente teriam a chance de crescerem como crianças normais.

— Fiz o que era certo — disse.

Ela trabalhou muitos anos na fábrica de cocaína de Tomaz, depois de ser estuprada por ele e ter seu marido assassinado, foi jogada naquela casa para ser leiloada para os amigos de Tomaz se divertirem no calabouço. Quando o matei, a vida dela mudou radicalmente.

— Sem dúvida.

— Está tudo como pedi?

— Claro, Ángel.

— Certo. Pode ir para as suas costuras, aviso quando deve deixar o andar superior — disse.

— Claro.

Desci para o calabouço e verifiquei os brinquedos e acessórios, a comida e as bebidas, tudo estava do jeito que gostava. Assim que terminei, ouvi os gritos e soube que o meu tigre estava chegando.

Não precisava dizer nada, os meus homens já sabiam o que deviam fazer e, por isso, sem diálogos desnecessários, deitaram-no na cama, prenderam-no às algemas que ficavam nas laterais, e saíram.

— Quem está aí? — perguntou Daniel. Como estava com o capuz sobre a cabeça, não sabia onde estava nem com quem estava.

Fiquei em silêncio apenas o olhando e, depois de alguns segundos, tirei os seus sapatos o que o fez recuar assustado. Sem dúvida, perder um dos sentidos estava mexendo com ele, sem contar com a situação em que foi surpreendido.

— Quem está aí? — repetiu ansioso.

Óbvio que aquela expectativa seria um bom começo para que o tigre fosse castigado por deixar que a sua irmã nos atrapalhasse.

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