DANIEL

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Finalmente, os guardas nos entenderam e verificaram com Suarez as informações que demos.

— Desculpe, comandante — disse um dos guardas para mim —, nossa atitude de defesa é o ataque.

— Entendo. Vocês estão certos. Tem como nos ajudar? — perguntei, voltando a atenção para a situação que nos encontrávamos com Amanda ferida.

— Claro.

O posto florestal, na verdade, era um posto de vigia do exército, ele não era muito grande. Resumia-se a um terreno cercado por arame farpado e algumas barracas. Em suas extremidades havia guaritas com guardas fortemente armados.

Fomos levados para uma barraca onde eles tinham alguns recursos médicos e um enfermeiro que cuidou das necessidades prioritárias da Amanda enquanto fui com o tenente responsável fazer contato pelo rádio com Suarez.

Conversamos por quase uma hora e contei tudo que houve, pedindo a ele que entrasse em contato com Steve, informando ao FBI a situação em que nos encontrávamos.

— Qual o plano? — perguntou Suarez.

— Amanda seguirá com Joaquim de barco até a cidade mais próxima, pegarei alguns homens aqui do acampamento e seguiremos o rastro da Ángel e, assim que possível, comunico para que envie um grupamento do exército para captura — disse, tentando abafar a voz que dizia que era um mentiroso. A verdade era que, se perdesse o rastro da Ángel, as minhas chances de encontrá-la novamente seriam mínimas.

— Certo, Daniel, ficarei no aguardo — disse Suarez desligando.

— Posso ficar com você, e Amanda segue com o enfermeiro e mais dois soldados — disse Joaquim.

Olhei para ele, sabendo que tinha razão, porém não o queria comigo, precisava estar, como posso dizer, sozinho para que, seja lá o que decidisse, as minhas ações não fossem julgadas.

— Joaquim, prefiro que siga com a Amanda, garantindo que receba os cuidados necessários. O que farei é persistir na trilha e encontrar o rastro da Ángel. Com algo palpável, entrarei em contato com Suarez. Com sucesso no meu plano, você retornaria com o pessoal para o apoio.

Joaquim me observou por alguns segundos, não muito convencido, porém, como me mantive firme, ele acabou concordando.

— Está bem, faremos como você disse.

Com a concordância de Joaquim, conversei com o tenente do grupamento e ele providenciou o transporte dele e de Amanda com o enfermeiro e um senhor da comunidade ribeirinha que os levaria de barco.

Após a partida deles, selecionei dois soldados para voltar comigo até a vila. Pela lógica, deveria começar por ali a minha busca pela Ángel.

Subimos por outro braço do rio, usando uma pequena lancha motorizada cedida pelo grupamento.

Pelas informações que dei, o guia acreditava que aquele fosse o ponto próximo à vila.

O barco nos deixou na margem do rio, e segui com mais dois soldados a pé por uma pequena trilha no objetivo de chegar à vila.

Tinha certeza que não encontraria mais a Ángel e o Guillermo, porém alguém da vila poderia me dar a direção que tomaram. Mesmo com a admiração notória que tinham por ela, era possível que alguém acabasse falando.

Andamos cerca de meia hora quando vi as construções arcaicas da vila.

Quando encontramos o lugar, verificamos que estava no mais completo deserto e concluí que a Ángel levou todos com ela. Aquelas pessoas acreditavam que ela os salvaria e pelo visto era o que estava fazendo.

— Encontraram algo? — perguntei aos dois soldados quando se juntaram a mim no meio da vila.

— Não. Todo mundo foi embora, abandonaram as drogas e armas.

— As que não puderam levar, pois o que deixaram foram as armas que quebraram.

— O que faremos agora?

— Vamos seguir a trilha, com toda certeza, um grupo tão grande deixou um rastro.

Observamos as possíveis saídas da vila e a trilha mais provável ficava do lado oposto ao rio.

Segui com os dois guardas por ela. O objetivo era encontrá-los e chamar reforços, porém não era esse o sentimento que estava no meu coração. A Ángel me levava a questionar todos os meus valores de certo e errado.

Não sabia o que aconteceria quando a encontrasse, porém sabia que precisava achá-la.

ÁngelOnde histórias criam vida. Descubra agora