A rebeldia e a liberdade de Carina eram os seus guias na vida, até que um dia todos os limites foram ultrapassados e se viu jogada em um mundo que para sobreviver teria que dominá-lo. Assim nasceu a Ángel, líder de um dos cartéis mais violentos da C...
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8 - DANIEL
Não estava confortável com a situação de ter que cometer um crime para me aproximar de uma criminosa, mas o fato é que não via outra maneira.
Conversei com o meu supervisor que concordou comigo e me passou os contatos necessários para atendermos o pedido da Ángel, pois não seria nada interessante uma falha. Claro que atender o seu desejo não nos impedia de conseguirmos alguns nomes e estudarmos possíveis circuitos para serem enviados como denúncia à Interpol.
Obviamente tive que viajar para o Brasil para resolver a questão da carga e do transporte.
Como ela disse, a carga se encontrava à minha disposição e foi entregue não por membros traidores da Polícia Federal como pensei, e, sim, por simples funcionários do porto. O que me deixou bem curioso sobre como aquela mulher conseguia controlar as pessoas que constituíam desde a base até a ponta da pirâmide da sua organização e principalmente ter a certeza de que cumpririam as suas ordens e atenderiam as suas exigências.
Havia um navio de transporte de cargas russo no porto, ele era o meu contato, enviado por Steve, para o transporte. Para carregá-lo, fui até as docas.
Como policial, confesso que o meu primeiro objetivo era entender como a carga, que deveria estar apreendida como prova para desbaratar uma rede de tráfico, se encontrava em um contêiner de transporte como era a ordem do cartel desde o início. Porém não consegui uma resposta plausível que ajudasse na investigação do modus operandi da quadrilha, portanto, o que me restava era continuar com o plano para atingir o objetivo de ser aceito pela Ángel e o cartel.
A ideia, em princípio, era pegar a droga, enviar e, com os nomes dos contatos da Ángel tanto no porto brasileiro como no de Londres, capturá-los, fazendo com que sumissem, assim como o Henrico e o filho. Mas, claro, que não seria tão fácil. Seria subestimar demais a inteligência daquela mulher. Ela não teria alcançado o posto que tem na organização se fosse tão ingênua. E já demonstrou de várias formas que não confia em mim.
Como eu imaginei, ela criou armadilhas para mim. Todo o conteúdo disponibilizado em contêineres e o nome do contato para pegar a mercadoria, recebi apenas uma hora antes, junto com a notícia de que estavam em meu nome juntamente com todos os documentos pedidos pela política alfandegária tais como certificado de origem e licenciamento de importação. Portanto, elementos probatórios suficientes para me comprometer judicialmente como traficante. Sua manobra era clara: se eu fosse um policial ela acabava de me transformar em um criminoso. Aquela mulher era bem esperta.
O jeito era continuar com o plano e foi o que fiz, providenciei para que os contêineres fossem embarcados. Mas o meu lado que quer a justiça sendo feita pensava em uma denúncia anônima com a esperança de que, quando o navio chegasse a Londres, tivesse as drogas apreendidas com uma parceria entre o MI5 e a Interpol, assim, pelo menos saberíamos sobre outras quadrilhas que atuavam no país e com toda certeza na Europa.