Casa do lobo

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Após alguns minutos e já perto do prédio dela, Samuel faz uma observação importante.

― Temos um ligeiro problema.

― Qual?- tiro minha atenção de Adriana, encostada no meu ombro e olho para Samuel.

― Por acaso ela tem bolso nesse vestidinho que ela tá usando?

Dou uma verificada, rápida ― Não. Por quê?

― Como vamos levar ela pra casa se ela está sem chave? A não ser, que a gente vá no hospital pedir a chave do Bruno ou da Clara. Ou podemos voltar no Pub e perguntar a alguma amiga sobre a chave dela...

― Merda! Não, não vamos voltar lá. Me dá um minuto pra pensar... - Adriana está com a cabeça em meu ombro e parece dormir- Vamos pra minha casa.

― Tem certeza?

― Não, mas acho que é melhor que ir no hospital com ela assim.

Samuel faz a curva e volta em direção a minha casa. Como a essa hora, praticamente não existe trânsito, foi rápido chegar. Ele desliga o carro e abre a porta de trás pra mim.

― Quer ajuda?

― Eu levo ela, só abra a porta pra mim- respondo soltando meu cinto e em seguida o dela.

Carrego Adriana no colo, casa a dentro. Samuel abre tanto a porta da frente, como do meu quarto.

― Eu gosto do seu cheiro... - diz ela em meus braços, com os seus envoltos em meu pescoço- Você tem um cheiro gostoso lobo mau...

Vejo que Samuel sorri e parece se divertir com toda essa situação. Coloco ela em minha cama e ouço ela dizer que quer vomitar novamente.

A carrego para o banheiro do meu quarto  e rapidamente levanto a tampa do vaso para que ela vomite. Ela vomita bastante,  e acaba por sujar seu vestido e parte do seu cabelo.

― Ao menos ela avisa que vai vomitar- digo em tom de brincadeira.

― Melhor você dar um banho nela - diz Samuel.

― Tá doido? Não posso dar um banho nela!

― E por que não? Ela não está bem, um banho frio vai ajudar. Além do más, ela está suja de vômito... e vômito de bebida tem um cheiro muito ruim... vai deixar ela assim?

Respiro fundo e olho pra Adriana, sentada no chão, encostada no vaso. Ela faz vômito novamente... resumidamente, isso ocorre várias vezes... até ela começar a reclamar que está sem o sapato.

Samuel volta a sorri.

― Vou fazer um café bem forte pra ajudar. E você... dê um banho nela!

― Já disse que não posso fazer isso!

― Olha, tudo que ela tem você sabe... afinal de contas, ela é uma mulher e você sabe todos os atributos que uma mulher tem. Além do más, você não está fazendo isso por tara, como os amigos dela queriam. Está fazendo pra ajudar...

Ele sai e ela continua reclamando que o chão tá frio e pergunta pelo sapato.

― Fácil falar Samuel, não é você que tem tesão nela- reclamo baixo-  Pior que ele está certo. Mas seria muito melhor se a Louise estivesse aqui- ligo a torneira da banheira para que comece a encher.

Retiro ela do vaso, onde estava amigada, pareciam amigos íntimos... sento no chão do banheiro e coloco suas costas contra meu peito.

― Gosto do seu cheiro - diz ela inalando profundamente.

Trilogia : POR QUE NÃO?-Livro 1Onde histórias criam vida. Descubra agora