3. Íris

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— Saiam!

Olho para cima e aqui está Ayla, uma das minhas trigêmeas e a única idêntica à mim. Quer dizer, somos iguais somente pela aparência, nosso jeito de ser é bem diferente uma da outra, sem contar o cabelo descolorido dela.

— Não — Eloise a encara.

Talvez eu seja mais parecida com a Eloise. Não nos parecemos muito fisicamente, quero dizer, mas ainda assim é mais do que me pareço com a Ayla.

— Esse é meu lugar.

Ayla é mandona e age como se fosse dona do mundo, quando não está em casa. Isso me confunde às vezes, essa sua mudança drástica; a Ayla que mora com a gente não é a mesma Ayla que estuda conosco.

— Não está escrito o seu nome — Elô rebate — Se quiser, tem mais trinta lugares por toda a sala, vocês podem escolher qualquer uma delas.

Ayla bufa. Apesar de ser do jeito que é, se considera muito adulta e está sempre evitando brigar, mesmo que estejamos sempre implicando com ela. Pelo menos ela tenta.

— Não vou discutir com vocês — Lalá dá meia volta, empina o queixo enquanto se dirige para a frente da sala e se joga numa cadeira.

— Ela está, claramente, fervendo de raiva — Elô cochicha comigo — Bate aí!

Ela estende sua mão para um 'Hi-Five' e eu dou um tapa silencioso nele. É fácil irritar minhas irmãs, e é ótimo fazer isso.

No intervalo sempre vou à biblioteca, e hoje não seria diferente. A única diferença é que em vez de ler eu jogo xadrez com o pessoal do clube e hoje um garoto novo entrou. E ele é mais gato que nerd. Muito mais gato que nerd.

Eu deveria ficar nervosa e com raiva, pela entrada dele sem meu consentimento. Eu sou a Presidente e fundadora do clube, tudo o que acontece deve ser passado por mim, mas dessa vez isso não aconteceu.

Mas eu não consigo me concentrar e pensar em outra coisa que não seja: Ele, claramente, joga LOL a madrugada inteira, seu cabelo ondulado e bagunçado dá um charme e os óculos redondos me fazem lembrar de Harry Potter, o deixando mais interessante. Ele só não pode ser melhor que eu no xadrez, seria uma vergonha! Eu sou a melhor, não existe ninguém que seja melhor que eu em todo o país.

— Posso jogar com você? — ele me pergunta enquanto arrumo o tabuleiro para a primeira partida do dia — Me disseram que você é a melhor de todos.

Alguns participantes do clube que estavam em volta, esperando sua vez de jogar comigo, bufam e se afastam resmungando.

— Por mim tudo bem — dou de ombros, como se não me importasse.

Mas eu me importo. Ah, como me importo... Esse cara perfeito quer jogar CO.MI.GO! É o melhor dia de todos ou talvez o pior. Estou tão indecisa e minha cabeça está tão frenética que nem penso direito. É raiva, êxtase, excitação e nervosismo tudo ao mesmo tempo.

Me sento em um lado da mesa e ele do outro — Me chamo David — o cosplay de Harry Potter se apresenta. — Creio que você seja Íris, presidente do clube.

— Sim — é tudo que digo.

Como estou com as peças brancas, começo o primeiro movimento. Ele não pensa muito e logo faz sua jogada. É ótima, mas sei que tipo de jogo ele quer fazer, então três jogadas depois faço xeque sem pensar muito.

Não me vencem fácil assim.

— Onde aprendeu a jogar? — pergunto, trocando de lugar com ele para começarmos outra partida.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora