52. Ayla

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— O Príncipe passará por aqui a qualquer momento — a fada Madrinha avisa, assim que chegamos sabe-se-lá onde. — O levem à Princesa e me esperem, virei busca-los o mais rápido que puder.

— Onde está Branca de Neve? — minha irmã pergunta, olhando em volta. — Estamos numa estrada deserta, no meio de uma floresta, e quase no escuro.

— Está no topo da colina — a fada aponta para cima e todos nós olhamos. — Não tem erro — ela dá um sorriso tranquilizador quando voltamos a encara-la. — Dará tudo certo, e eu prometo que não demoro. Apenas ajudarei Ella e voltarei num instante.

Solto um suspiro pesado quando ela se vai, me sentindo desprotegida. Há horas estou andando pela floresta, mas agora estou com medo do Lobo Mal, mesmo que Vitório o tenha matado.

— O que acham de caçarmos algo para comer? — Vitório sugere.

— Suponho que isso leve tempo — Joseph opina. — E a Fada avisou que o Príncipe chegará a qualquer momento, então precisamos ficar e esperar.

— Errado não está — Eloise dá de ombros e encara o caçador. _ O que? Também estou com fome, mas precisamos fazer outras coisas, como esperar Sua Alteza Real aparecer, para o levarmos à Princesa envenenada!

Mordo meu lábio para não rir e observo em volta. Diogo segura minha mão e, em vez de olhar para qualquer outro lugar, ele me fita como se nada estivesse acontecendo em volta de nós.

— O senhor precisa estar atento, para o caso de aparecer algum animal — alerto num tom irônico, evitando seu olhar. — Ainda sou a donzela, apesar de às vezes pensar o contrário.

— Não posso admirar minha noiva? — ele ronrona enquanto leva minha mão aos lábios, a beijando em cima do meu anel de noivado. — Já lhe disse o quanto fica mais bela com esse anel?

Não consigo mais me segurar e fito seus intensos olhos castanhos, que dizem tudo o que preciso sem pronunciar nem um A.

Me sinto corar, mas não deixo a timidez dominar; dou um passo em sua direção e acaricio a lateral de seu rosto com minha mão livre.

— Estão escutando isso? — Eloise alerta, me tirando da hipinose num pulo. — Acho que...

— Cavalos? — Joseph fica alerta, olhando para os dois lados da estrada de terra.

— Um só. — Vitório afirma, fitando a direção em que o som parece estar vindo.

Diogo me puxa para a beira da estrada segundos antes de um imponente cavalo branco aparecer na maior velocidade. Nós cinco trocamos olhares assustados antes de fazermos reverência, o que eu acho ser a pior parte de estar nessa época.

Não consegui ver o condutor, mas sei que é o Príncipe. O cavalo está limpo e parece ser caro, por conta de seu porte; não que eu sabia sobre cavalos.

A velocidade vai diminuindo e o príncipe nos ultrapassa, mas logo retorna, para nosso alívio.

— Boa noite, senhores — arregalo os olhos ao escutar sua voz anasalada e me seguro para não rir. Não posso desviar meu olhar para Diogo, se não o farei, e será meu fim. — Podem se levantar. — Me ergo, mas não ouso olha-lo nos olhos. — O que fazem no meio da floresta a essa hora? Logo escurecerá.

— Alteza. — Diogo dá um passo para frente. — Estávamos a sua espera.

O príncipe fica tanto tempo quieto que me atrevo a dar uma espiada por entre os cílios, mas o pego me fitando com o cenho franzido.

— É uma emboscada?

— Não, meu senhor. — Diogo parece ofendido. — Uma donzela. Uma Princesa, já adianto, necessita de sua ajuda no topo da colina.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora