Diogo aparece em meu quarto uma semana depois, no meio da noite. Não conseguimos nos ver durante a semana, mas enviamos bilhetes um para um outro e decidimos seguir a ordem da Rainha má, mas em outra direção.
— Está pronta para sequestrar a fada madrinha? — ele pergunta com um sorriso malicioso, depois de um beijo cheio de saudades. — Ou eu deveria perguntar se é isso mesmo o que quer?
— Eu tive uma ideia. — sussurro, para não acordar Evangeline. — Mas te conto no caminho, não podemos perder tempo. O baile será amanhã, precisamos acha-la o quanto antes.
Visto minha capa azul pastel e desço com Diogo até a cozinha, por onde saímos da casa pela portinha que sempre fica destrancada por dentro. Pulamos a cerca de madeira e atravessamos o campo florido até a floresta.
— Então? — ele pergunta, ligando o lampião, para que vejamos o caminho para o interior da mata.
— Além de sequestrar a fada madrinha até depois do baile, pensei em procurar por minhas irmãs, enquanto isso.
— Como acharíamos suas irmãs? Não sabemos onde estão.
— Podemos usar a varinha de condão. — respondo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mesmo sabendo que não é.
— A fada não vai gostar nada disso... — Diogo resmunga.
— Claro que não! Mas podemos explicar à ela numa outra hora. Por enquanto preciso encontrar Íris e Eloise, saber se estão bem e se a Rainha conversou com elas. Talvez saibam de algo que eu não sei, mas é importante.
— Estou confuso se isso soa como loucura ou coragem...
— Vamos, Diogo, não seja um bebê chorão! — o empurro com o cotovelo. Mesmo escuro consigo ver seus lábios se erguendo num sorriso. — Sabe que a Rainha não contou tudo, então não podemos concluir sem ter certeza que seja o certo. Não confio nela.
— Tudo bem, eu entendi! — ele desvia o olhar do caminho para mim. — Mas não imagino como fará isso. A varinha de condão da fada madrinha? Tem certeza?
— Me dê um crédito, homem das cavernas! — brinco e reviro os olhos para sua expressão de ofendido. — Posso fazer isso, mesmo que não tenha ideia de como.
— Espero que sobreviva para nosso casamento...
— Tenho apenas 16 anos, Diogo! Me deixe viver! Em três anos pensamos nisso tudo bem? Foque no agora.
— TRÊS ANOS? — ele para de andar e segura meu braço com a mão livre. — Não pode estar com a cabeça boa!
— Pare de gritar! Quer que alguém, ou algum bicho, nos descubra?
— Vamos nos casar em três meses, no máximo. — Ele volta a caminhar e eu vou atrás, com um sorriso sarcástico nos lábios.
Só em seus sonhos.
O lado da floresta em que as fadas moram não é segredo para ninguém do reino, nem mesmo a floresta encantada, onde Malévola reina. Diogo conseguiu informações com algumas pessoas da cidade, e pelo o que me informou nos bilhetes, não é tão longe assim.
Passamos quase a madrugada inteira caminhando pela floresta, guiados pelo lampião e bússola de Diogo. Tentei não reclamar de dor nos pés, mas foi difícil, principalmente quando estávamos quase chegando.
Quando enfim achamos o recanto das fadas, seguimos outra informação.
A fada madrinha que procuramos não é qualquer uma, é justamente a que vive reclusa com as irmãs, mais ao norte do recanto, quase na fronteira. Precisamos atravessar todo o local sem dar a volta, se não perdemos muito tempo.
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O Que Os Contos Não Contam
FantasyAyla, Eloise e Íris são trigêmeas, mas a única coisa em comum é o amor pelos livros de contos de fadas. Principalmente pelas adaptações. As três vivem em pé de guerra, sempre discordando uma da outra, mas quando Íris acha uma nova adaptação tudo mud...
