43. Ayla

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Diogo aparece em meu quarto uma semana depois, no meio da noite. Não conseguimos nos ver durante a semana, mas enviamos bilhetes um para um outro e decidimos seguir a ordem da Rainha má, mas em outra direção.

— Está pronta para sequestrar a fada madrinha? — ele pergunta com um sorriso malicioso, depois de um beijo cheio de saudades. — Ou eu deveria perguntar se é isso mesmo o que quer?

— Eu tive uma ideia. — sussurro, para não acordar Evangeline. — Mas te conto no caminho, não podemos perder tempo. O baile será amanhã, precisamos acha-la o quanto antes.

Visto minha capa azul pastel e desço com Diogo até a cozinha, por onde saímos da casa pela portinha que sempre fica destrancada por dentro. Pulamos a cerca de madeira e atravessamos o campo florido até a floresta.

— Então? — ele pergunta, ligando o lampião, para que vejamos o caminho para o interior da mata.

— Além de sequestrar a fada madrinha até depois do baile, pensei em procurar por minhas irmãs, enquanto isso.

— Como acharíamos suas irmãs? Não sabemos onde estão.

— Podemos usar a varinha de condão. — respondo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mesmo sabendo que não é.

— A fada não vai gostar nada disso... — Diogo resmunga.

— Claro que não! Mas podemos explicar à ela numa outra hora. Por enquanto preciso encontrar Íris e Eloise, saber se estão bem e se a Rainha conversou com elas. Talvez saibam de algo que eu não sei, mas é importante.

— Estou confuso se isso soa como loucura ou coragem...

— Vamos, Diogo, não seja um bebê chorão! — o empurro com o cotovelo. Mesmo escuro consigo ver seus lábios se erguendo num sorriso. — Sabe que a Rainha não contou tudo, então não podemos concluir sem ter certeza que seja o certo. Não confio nela.

— Tudo bem, eu entendi!  — ele desvia o olhar do caminho para mim. — Mas não imagino como fará isso. A varinha de condão da fada madrinha? Tem certeza?

— Me dê um crédito, homem das cavernas! — brinco e reviro os olhos para sua expressão de ofendido. — Posso fazer isso, mesmo que não tenha ideia de como.

— Espero que sobreviva para nosso casamento...

— Tenho apenas 16 anos, Diogo! Me deixe viver! Em três anos pensamos nisso tudo bem? Foque no agora.

— TRÊS ANOS? — ele para de andar e segura meu braço com a mão livre. — Não pode estar com a cabeça boa!

— Pare de gritar! Quer que alguém, ou algum bicho, nos descubra?

— Vamos nos casar em três meses, no máximo. — Ele volta a caminhar e eu vou atrás, com um sorriso sarcástico nos lábios.

Só em seus sonhos.

O lado da floresta em que as fadas moram não é segredo para ninguém do reino, nem mesmo a floresta encantada, onde Malévola reina. Diogo conseguiu informações com algumas pessoas da cidade, e pelo o que me informou nos bilhetes, não é tão longe assim.

Passamos quase a madrugada inteira caminhando pela floresta, guiados pelo lampião e bússola de Diogo. Tentei não reclamar de dor nos pés, mas foi difícil, principalmente quando estávamos quase chegando.

Quando enfim achamos o recanto das fadas, seguimos outra informação.

A fada madrinha que procuramos não é qualquer uma, é justamente a que vive reclusa com as irmãs, mais ao norte do recanto, quase na fronteira. Precisamos atravessar todo o local sem dar a volta, se não perdemos muito tempo.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora