40. Ayla

253 77 155
                                        

— Pensei que estivesse cortejando a Srta. Ella, meu filho... — Sr. Larsson comenta, depois que a madrasta acaba seu discurso de boas maneiras, o que incluí um casamento em menos de um mês.

A mãe do Diogo ficou radiante com a ideia, mas não falou nada, deixou para o marido, que parece confuso. Eu ainda não tive a coragem de encarar meu amigo desde que voltamos do jardim para a sala; se é que ainda somos amigos.

— Percebi que estava cortejando a moça errada, pai. — Diogo o responde. Coro e mordo meu lábio, me segurando para não sorrir. — Mas ao que parece, não vou ter tempo, já que esperam nosso casamento em um mês, por causa de um beijo.

— Vocês são jovens, mas precisam entender que não é apenas um beijo. — o senhor diz, mas percebo que também segura o sorriso.

Ele e sua esposa estão fazendo cena por causa da Madrasta, que está enfurecida.

Eu não entendo sua reação, antes ela não queria que eu o visse, e agora exige casamento... Ou é louca, ou achou que os pais de Diogo não iam concordar com o enlace.

— Não acho certo força-los... — finalmente a sra. Larsson se pronuncia. — Mas eu apoio a união dos dois. Gosto muito da senhorita, e ficaria feliz em recebe-la em nossa família.

— Ayla? — Diogo me chama. O olho, encostado na janela da sala de visitas, tão confuso quanto eu. Seus braços cruzados escondem o nervosismo, mas eu o conheço bastante para saber. — O que acha disso tudo?

Respiro fundo, pensando mil vezes se o que tenho para falar é o certo, se minhas escolhas são as certas, se ficarei feliz com as consequências e nunca me arrependerei. Diogo percebe que também estou confusa, não liga para nossos pais e atravessa a sala, para se sentar ao meu lado e segurar minhas mãos, que estão suadas mas as luvas encobrem esse fato.

— Sempre lidei com beijos como se fossem apenas beijos, mas... Diogo, você sabe, dessa vez foi algo muito, muito maior, forte e intenso que um simples beijo. — fito seus olhos castanhos, passando mais do que posso dizer em voz alta. Ele entende, sei que me entende. — Não acho que precise disso tudo, mas a decisão é sua e, seja qual for, não sairei do seu lado e aceitarei feliz.

— Tem certeza? — ele pergunta, eu assinto. — Eu queria poder corteja-la, enviar bilhetes, passear pela praça e passar o fim de tarde na cafeteria da sra. Hansen. — o moreno eleva sua mão até meu rosto e acaricia a lateral com afeto, eu prendo minha respiração, para não dar um suspiro apaixonado. — Eu queria que você se apaixonasse por mim, e me aceitasse por amor, não por obrigação. Sei o que significou esse beijo para mim, mas não tenho certeza do que fora para você.

— Foi tudo. — sussurro, mal me contendo. Aperto sua mão, que ainda me mantém firme no lugar, certa de que não é um sonho. — Foi tudo e mais um pouco e... Meu Deus, Diogo, estou completamente apaixonada por você.

— E antes que se beijem novamente... — escuto a voz de sua mãe ao longe, acabando com a magia do momento. — Podem fazer tudo isso enquanto noivos, e casados também. Serão companheiros um do outro e se apaixonarão todo dia mais um pouco.

— Eu não tenho um anel. — Diogo olha para seu pai e suplica silenciosamente.

Sr. Larsson dá um belo e grande sorriso antes de sair da sala por um momento. Ele volta rapidamente, com uma caixinha violeta de veludo, e a entrega ao filho, que mal esconde o sorriso de felicidade.

Eu não me contenho mais e deixo a respiração entrecortada denunciar meu nervosismo. Minhas bochechas doem pelo tanto que sorrio, e me sinto suar, de tão quente que meu corpo está.

Diogo abre a caixa e há um anel com uma pequena pedra rosa em formato de coração. Se eu tivesse visto esse anel antes de vir para cá com certeza o acharia brega, mas agora eu o acho o anel mais lindo do mundo.

— Meu bisavô fez especialmente para minha bisavó, e esse anel está em nossa família há gerações. — Sr. Larsson explica, voltando a se sentar ao lado da esposa. — Eu dei para sua mãe em nosso noivado, mas agora já podemos passar para você. Vocês. É uma safira rosa, e ela significa a gentileza, atenção e amor que devem ter um com o outro.

Sorrimos um para o outro, mal sabendo o que fazer, como respirar e o que dizer. Nossos planos nunca foram esses, mas com certeza é melhor do que o imaginado.

— Raio de sol — Diogo suspira, com os olhos brilhando. —, você aceita minha gentileza, atenção e amor? Aceita ser minha companheira e, apesar de nossos pais estarem atrás de nós, nos forçando a isso, aceita de livre e espontânea vontade ser minha esposa?

Minha mente roda tanto que nem penso. Mas nem preciso. Já sabia que o queria, que desejava esse momento, e o futuro que podemos ter. Que vamos ter juntos. E agora não preciso mais esconder o óbvio.

— Sim. — sussurro.

Nos inclinamos um para o outro, mas somos interrompidos pela minha mãe: — Vamos, coloque logo o anel nesse dedo gordo, preciso ir para casa.

Quatro pares de olhos a encaram, surpresos com o resmungo da Lady, que há pouco reclamava de nosso mal comportamento. Se eu fosse sua filha de verdade me envergonharia de sua atitude, mas como não sou, a ignoro como os outros.

Diogo retira minha luva e coloca o delicado anel em meu dedo anular esquerdo, ele beija calmamente e com ternura o local, olhando no fundo de meus olhos. Fico um pouco tonta, mas me levanto com esforço e me afasto dele, pronta para enfrentar a fera na volta para casa.

— Nos vemos em breve. — consigo dizer, como promessa.

Meu noivo se levanta e assente. — Muito em breve.

Depois de me despedir de meus futuros sogros, volto para casa com a madrasta resmungando por todo o pequeno caminho.

— Se pensa que esse noivado vale de alguma coisa, está muito errada. Você não se casará com esse alfaiate, Ayla! Você irá ao baile do Príncipe e enlaçará alguém com nome e posses, e nem venha ruminar sobre amor e comprometimento; Não me importo com isso, não me importo com aquele Diogo e muito menos com sua família.

— Não vou me casar por causa de dinheiro! — arfo, mas não estou surpresa com  audácia dessa mulher. — Eu não queria me casar aos dezesseis, mas já que vou, será com alguém que amo.

— Não acredito que ama esse ninguém.. — ela resmunga novamente, revirando os olhos. — Não aceito, Ayla, e ponto. Assunto encerrado.

— Eu não disse que o amo... — falo mais baixo, pensando no que soltei anteriormente. — Disse que me casarei por amor.

— Então por que aceitou? — ela pergunta, com desdém.

— Porque estou apaixonada, e para o amor é um passo, mas não importa agora. Não quero mais falar sobre isso.

— Ótimo. — a porta se abre e o lacaio a ajuda a sair da carruajem. — Mas ainda irá ao baile.

Penso em bater o pé e abrir a boca para dizer o quão indignada estou, e que com certeza vou desobedecer sua ordem. Mas em vez disso saio do veículo e corro para meu quarto, afim de me esconder do mundo, e dela. Ainda há coisas para pensar que não seja meu casamento aos dezesseis anos.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora