— Pensei que estivesse cortejando a Srta. Ella, meu filho... — Sr. Larsson comenta, depois que a madrasta acaba seu discurso de boas maneiras, o que incluí um casamento em menos de um mês.
A mãe do Diogo ficou radiante com a ideia, mas não falou nada, deixou para o marido, que parece confuso. Eu ainda não tive a coragem de encarar meu amigo desde que voltamos do jardim para a sala; se é que ainda somos amigos.
— Percebi que estava cortejando a moça errada, pai. — Diogo o responde. Coro e mordo meu lábio, me segurando para não sorrir. — Mas ao que parece, não vou ter tempo, já que esperam nosso casamento em um mês, por causa de um beijo.
— Vocês são jovens, mas precisam entender que não é apenas um beijo. — o senhor diz, mas percebo que também segura o sorriso.
Ele e sua esposa estão fazendo cena por causa da Madrasta, que está enfurecida.
Eu não entendo sua reação, antes ela não queria que eu o visse, e agora exige casamento... Ou é louca, ou achou que os pais de Diogo não iam concordar com o enlace.
— Não acho certo força-los... — finalmente a sra. Larsson se pronuncia. — Mas eu apoio a união dos dois. Gosto muito da senhorita, e ficaria feliz em recebe-la em nossa família.
— Ayla? — Diogo me chama. O olho, encostado na janela da sala de visitas, tão confuso quanto eu. Seus braços cruzados escondem o nervosismo, mas eu o conheço bastante para saber. — O que acha disso tudo?
Respiro fundo, pensando mil vezes se o que tenho para falar é o certo, se minhas escolhas são as certas, se ficarei feliz com as consequências e nunca me arrependerei. Diogo percebe que também estou confusa, não liga para nossos pais e atravessa a sala, para se sentar ao meu lado e segurar minhas mãos, que estão suadas mas as luvas encobrem esse fato.
— Sempre lidei com beijos como se fossem apenas beijos, mas... Diogo, você sabe, dessa vez foi algo muito, muito maior, forte e intenso que um simples beijo. — fito seus olhos castanhos, passando mais do que posso dizer em voz alta. Ele entende, sei que me entende. — Não acho que precise disso tudo, mas a decisão é sua e, seja qual for, não sairei do seu lado e aceitarei feliz.
— Tem certeza? — ele pergunta, eu assinto. — Eu queria poder corteja-la, enviar bilhetes, passear pela praça e passar o fim de tarde na cafeteria da sra. Hansen. — o moreno eleva sua mão até meu rosto e acaricia a lateral com afeto, eu prendo minha respiração, para não dar um suspiro apaixonado. — Eu queria que você se apaixonasse por mim, e me aceitasse por amor, não por obrigação. Sei o que significou esse beijo para mim, mas não tenho certeza do que fora para você.
— Foi tudo. — sussurro, mal me contendo. Aperto sua mão, que ainda me mantém firme no lugar, certa de que não é um sonho. — Foi tudo e mais um pouco e... Meu Deus, Diogo, estou completamente apaixonada por você.
— E antes que se beijem novamente... — escuto a voz de sua mãe ao longe, acabando com a magia do momento. — Podem fazer tudo isso enquanto noivos, e casados também. Serão companheiros um do outro e se apaixonarão todo dia mais um pouco.
— Eu não tenho um anel. — Diogo olha para seu pai e suplica silenciosamente.
Sr. Larsson dá um belo e grande sorriso antes de sair da sala por um momento. Ele volta rapidamente, com uma caixinha violeta de veludo, e a entrega ao filho, que mal esconde o sorriso de felicidade.
Eu não me contenho mais e deixo a respiração entrecortada denunciar meu nervosismo. Minhas bochechas doem pelo tanto que sorrio, e me sinto suar, de tão quente que meu corpo está.
Diogo abre a caixa e há um anel com uma pequena pedra rosa em formato de coração. Se eu tivesse visto esse anel antes de vir para cá com certeza o acharia brega, mas agora eu o acho o anel mais lindo do mundo.
— Meu bisavô fez especialmente para minha bisavó, e esse anel está em nossa família há gerações. — Sr. Larsson explica, voltando a se sentar ao lado da esposa. — Eu dei para sua mãe em nosso noivado, mas agora já podemos passar para você. Vocês. É uma safira rosa, e ela significa a gentileza, atenção e amor que devem ter um com o outro.
Sorrimos um para o outro, mal sabendo o que fazer, como respirar e o que dizer. Nossos planos nunca foram esses, mas com certeza é melhor do que o imaginado.
— Raio de sol — Diogo suspira, com os olhos brilhando. —, você aceita minha gentileza, atenção e amor? Aceita ser minha companheira e, apesar de nossos pais estarem atrás de nós, nos forçando a isso, aceita de livre e espontânea vontade ser minha esposa?
Minha mente roda tanto que nem penso. Mas nem preciso. Já sabia que o queria, que desejava esse momento, e o futuro que podemos ter. Que vamos ter juntos. E agora não preciso mais esconder o óbvio.
— Sim. — sussurro.
Nos inclinamos um para o outro, mas somos interrompidos pela minha mãe: — Vamos, coloque logo o anel nesse dedo gordo, preciso ir para casa.
Quatro pares de olhos a encaram, surpresos com o resmungo da Lady, que há pouco reclamava de nosso mal comportamento. Se eu fosse sua filha de verdade me envergonharia de sua atitude, mas como não sou, a ignoro como os outros.
Diogo retira minha luva e coloca o delicado anel em meu dedo anular esquerdo, ele beija calmamente e com ternura o local, olhando no fundo de meus olhos. Fico um pouco tonta, mas me levanto com esforço e me afasto dele, pronta para enfrentar a fera na volta para casa.
— Nos vemos em breve. — consigo dizer, como promessa.
Meu noivo se levanta e assente. — Muito em breve.
Depois de me despedir de meus futuros sogros, volto para casa com a madrasta resmungando por todo o pequeno caminho.
— Se pensa que esse noivado vale de alguma coisa, está muito errada. Você não se casará com esse alfaiate, Ayla! Você irá ao baile do Príncipe e enlaçará alguém com nome e posses, e nem venha ruminar sobre amor e comprometimento; Não me importo com isso, não me importo com aquele Diogo e muito menos com sua família.
— Não vou me casar por causa de dinheiro! — arfo, mas não estou surpresa com audácia dessa mulher. — Eu não queria me casar aos dezesseis, mas já que vou, será com alguém que amo.
— Não acredito que ama esse ninguém.. — ela resmunga novamente, revirando os olhos. — Não aceito, Ayla, e ponto. Assunto encerrado.
— Eu não disse que o amo... — falo mais baixo, pensando no que soltei anteriormente. — Disse que me casarei por amor.
— Então por que aceitou? — ela pergunta, com desdém.
— Porque estou apaixonada, e para o amor é um passo, mas não importa agora. Não quero mais falar sobre isso.
— Ótimo. — a porta se abre e o lacaio a ajuda a sair da carruajem. — Mas ainda irá ao baile.
Penso em bater o pé e abrir a boca para dizer o quão indignada estou, e que com certeza vou desobedecer sua ordem. Mas em vez disso saio do veículo e corro para meu quarto, afim de me esconder do mundo, e dela. Ainda há coisas para pensar que não seja meu casamento aos dezesseis anos.
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O Que Os Contos Não Contam
FantasiaAyla, Eloise e Íris são trigêmeas, mas a única coisa em comum é o amor pelos livros de contos de fadas. Principalmente pelas adaptações. As três vivem em pé de guerra, sempre discordando uma da outra, mas quando Íris acha uma nova adaptação tudo mud...
