"Não" é uma palavra pequena, mas pode significar muita coisa como, por exemplo, seu descontentamento, sua vontade ou descrença. Geralmente os bebês e os adolescentes o adoram; "não" é sua palavra preferida.
Eu só queria entender porque ela machuca quando o "não" não é saído de nós, mas direcionado a nós.
Deveríamos entender, não é? Ou pelo menos tentar. Mas é tão, mas tão difícil receber um não. Dói ser negada de algo que queira, mas o que posso fazer?
Certamente nada, afinal, quando um não quer, dois não brigam, de acordo com minha sábia mãe. Mas dessa vez eu engoli o "não" como se fosse um soco no estômago; esperei e cri que daria certo, mas recebi um não.
Malévola recusa nos ajudar, mas quem se oporia? Fizemos uma bagunça em seu universo e agora queremos sua ajuda para que a Rainha má reine; eu também negaria em seu lugar.
Mas não estou em seu lugar, estou no lugar da irmã desesperada. Sabe Deus o que a Fera está fazendo com minha irmãzinha, tenho medo até de imaginar.
Eu disse isso à fada, mas ela parece me ignorar, convicta de sua ideia.
— Deseja que eu me ajoelhe? — pergunto, numa súplica. — Faço o que a senhora quiser, apenas salve nossa irmã.
A poderosa fada suspira e revira os olhos dourados pelo que parece a milésima vez.
— Não posso desfazer feitiços, muito menos de uma bruxa.
— Mas pode pegar seu livro — Ayla gesticula, exasperada tanto quanto eu. —, e tirar Íris das garras da besta.
— Vocês se meteram nisso e sairão sozinhas, não vou me envolver.
— Por favor! — suplico mais uma vez. — Deve haver algo que podemos fazer em troca! A senhora sabe que a Fera nos vence num segundo, e algo de ruim acontecerá se continuarmos aqui. Isso não é normal!
Malévola me observa, ponderando o que eu disse. Certamente alguma coisa a tocou.
— No momento em que entraram no livro eu senti que as coisas mudaram. — ela explica, olhando nos meus olhos e nos da Ayla. — Vocês realmente precisam sair para tudo voltar ao normal.
— Fora o que eu disse!
— Sim — ela confirma e prossegue: — Mas lembrem-se que não fora somente o equilíbrio dos universos que sofreu alterações. Vocês mudaram as histórias e agora está tudo uma confusão.
— Sentimos muito — Ayla admite. — Mas fomos obrigadas, não tínhamos outra opção.
— Certamente tinham — afirma a fada. — Mas não enxergaram. Porém entendo que o medo domina e cega. — ela faz uma pausa, para pensar mais um segundo, mas quando acho que irá nos recusar sua ajuda novamente, ela diz: — Se arrumarem a bagunça eu as ajudo à voltar para casa.
Solto minha respiração pesada, só agora me dando conta que a tinha prendido.
— Muito obrigada!
— Vou fazer minha parte se fizerem a de vocês. Sei que são capazes, apenas acreditem nisso e sejam fortes. Estarei de olho e irei até vocês no momento certo.
Assinto veemente e me viro para Ayla, que está quase pulando no lugar de tanta ansiedade.
— Precisamos soltar a Fada Madrinha e pedir que nos leve até onde o Príncipe Encantado está, seja onde for.
Minha irmã assente, respira fundo e começa a recitar as palavras mágicas já decoradas.
— Bibbidi Bobbidi-Boo! Varinha de condão, nos leve até a Fada Madrinha azul!
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O Que Os Contos Não Contam
FantasyAyla, Eloise e Íris são trigêmeas, mas a única coisa em comum é o amor pelos livros de contos de fadas. Principalmente pelas adaptações. As três vivem em pé de guerra, sempre discordando uma da outra, mas quando Íris acha uma nova adaptação tudo mud...
