50. Eloise

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"Não" é uma palavra pequena, mas pode significar muita coisa como, por exemplo, seu descontentamento, sua vontade ou descrença. Geralmente os bebês e os adolescentes o adoram; "não" é sua palavra preferida.

Eu só queria entender porque ela machuca quando o "não" não é saído de nós, mas direcionado a nós.

Deveríamos entender, não é? Ou pelo menos tentar. Mas é tão, mas tão difícil receber um não. Dói ser negada de algo que queira, mas o que posso fazer?

Certamente nada, afinal, quando um não quer, dois não brigam, de acordo com minha sábia mãe. Mas dessa vez eu engoli o "não" como se fosse um soco no estômago; esperei e cri que daria certo, mas recebi um não.

Malévola recusa nos ajudar, mas quem se oporia? Fizemos uma bagunça em seu universo e agora queremos sua ajuda para que a Rainha má reine; eu também negaria em seu lugar.

Mas não estou em seu lugar, estou no lugar da irmã desesperada. Sabe Deus o que a Fera está fazendo com minha irmãzinha, tenho medo até de imaginar.

Eu disse isso à fada, mas ela parece me ignorar, convicta de sua ideia.

— Deseja que eu me ajoelhe? — pergunto, numa súplica. — Faço o que a senhora quiser, apenas salve nossa irmã.

A poderosa fada suspira e revira os olhos dourados pelo que parece a milésima vez.

— Não posso desfazer feitiços, muito menos de uma bruxa.

— Mas pode pegar seu livro — Ayla gesticula, exasperada tanto quanto eu. —, e tirar Íris das garras da besta.

— Vocês se meteram nisso e sairão sozinhas, não vou me envolver.

— Por favor! — suplico mais uma vez. — Deve haver algo que podemos fazer em troca! A senhora sabe que a Fera nos vence num segundo, e algo de ruim acontecerá se continuarmos aqui. Isso não é normal!

Malévola me observa, ponderando o que eu disse. Certamente alguma coisa a tocou.

— No momento em que entraram no livro eu senti que as coisas mudaram. — ela explica, olhando nos meus olhos e nos da Ayla. — Vocês realmente precisam sair para tudo voltar ao normal.

— Fora o que eu disse!

— Sim — ela confirma e prossegue: — Mas lembrem-se que não fora somente o equilíbrio dos universos que sofreu alterações. Vocês mudaram as histórias e agora está tudo uma confusão.

— Sentimos muito — Ayla admite. — Mas fomos obrigadas, não tínhamos outra opção.

— Certamente tinham — afirma a fada. — Mas não enxergaram. Porém entendo que o medo domina e cega. — ela faz uma pausa, para pensar mais um segundo, mas quando acho que irá nos recusar sua ajuda novamente, ela diz: — Se arrumarem a bagunça eu as ajudo à voltar para casa.

Solto minha respiração pesada, só agora me dando conta que a tinha prendido.

— Muito obrigada!

— Vou fazer minha parte se fizerem a de vocês. Sei que são capazes, apenas acreditem nisso e sejam fortes. Estarei de olho e irei até vocês no momento certo.

Assinto veemente e me viro para Ayla, que está quase pulando no lugar de tanta ansiedade.

— Precisamos soltar a Fada Madrinha e pedir que nos leve até onde o Príncipe Encantado está, seja onde for.

Minha irmã assente, respira fundo e começa a recitar as palavras mágicas já decoradas.

— Bibbidi Bobbidi-Boo! Varinha de condão, nos leve até a Fada Madrinha azul!

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora