20. Eloise

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Sra. Renzo anda de um lado para o outro, pelo pequeno quarto. Anastácia e eu já explicamos tudo o que tínhamos para explicar, mas a senhora não diz nada.

Tenho medo que ela me leve para a Rainha, que diga aos meus "pais" que sou louca, e eu acabe numa fogueira. Eu nem sei como vim parar aqui, só quero voltar para casa. E é o que digo à ela.

- Não consigo acreditar nisso, menina. - a Sra. Renzo se senta na outra cama, me encarando. - Tem como me provar que está dizendo a verdade?

- Não... - choramingo e abaixo a cabeça, sentindo as lágrimas queimarem minhas bochechas. - E-eu não... Eu contei tudo. Tudo o que sei, tudo o que descobri, e o que suponho. - soluço e volto à olhar a senhora, suplicando com meus olhos, que me ajude. - Se não forem me ajudar apenas me prometam que não contarão meu segredo. P-por favor! Eu não quero morrer. Não aqui, longe da minha mãe e das minhas irmãs.

A mulher respira fundo e olha para a sobrinha. - Não sei o que pensar. Não sei se acredito, ou se chamo a mãe dessa menina para dar umas boas palmadas nela.

Me levanto, com as pernas trêmulas, mas decidida que meu tempo aqui acabou. Tenho que voltar para a cabana, amanhã será outro dia, e tenho que retomar meus planos do zero, tenho que...

- Aonde pensa que vai? - Ana pergunta, se levantando também. - Já disse que vamos resolver isso hoje.

- Pra mim já está mais que claro, que vocês não me ajudarão. - limpo meu rosto com as costas das mãos. - E está tarde, tenho que voltar pra casa.

- Não. - ela nega com a cabeça. - Vou pedir que avisem seus pais, mas você ficará aqui.

- Eles não são meus pais. - seguro um soluço que vinha, mas não consigo impedir mais lágrimas. - Eu não conheço ninguém aqui, não tenho família. Estou sozinha. Só quero ir pra casa...

- Vamos, menina, pare de chorar. - Sra. Renzo se levanta e apoia suas duas mãos em meus ombros. Ficamos cara a cara, e mesmo assim não me sinto intimidada. - Pensei numa forma que a senhorita pode nos provar que está falando a verdade.

- Eu já disse...

- Eu sei o que disse. - ela me corta, exasperada. - Apenas responda. Se diz que sabe a história da princesa, então sabe como o rei morreu. Poucas pessoas sabem, e certamente a senhorita não é uma delas.

- A rainha o matou. - conto, torcendo para que esteja de acordo. - O envenenou e deu uma facada em seu coração. Depois ela disse que foram traídos pelo braço direito do rei, que foi sentenciado à forca no dia seguinte. No mesmo dia ela começou a comandar o reino, de uma forma diferente e sombria. Muitos soldados morreram, mas outros apareceram, e ninguém sabia de onde. - respiro fundo, mas ainda trêmula. - Esses soldados trouxeram um grande e misterioso espelho, e depois disso veio a notícia que a Princesa se isolou no quarto.

"Mas a verdade é que a própria rainha a tranca, por vários motivos. Inveja, Principalmente. A rainha inveja a beleza de Branca de Neve, e espera até que a princesa tenha quatorze anos, para tirar seu coração e come-lo. Assim terá juventude eterna, e será a mulher mais bonita do mundo."

Anastácia me observa com os olhos arregalados, mas a Sra. Renzo está sorrindo. Acho que contei o certo.

- Você contou mais do que pedi, mas está correta. - a mulher respira fundo e volta a se sentar. - Agora acredito na sua história, mas ainda não sei se ajudar a Princesa à fugir é a melhor opção. Precisamos de uma outra ideia. Outro plano. E rápido. A Princesa fará aniversário semana que vem.

Me sento também, sentindo um grande alívio. Elas vão me ajudar, elas vão me ajudar!

- Você disse que a rainha chamará um caçador, certo? - Ana lembra, eu assinto. - Se ele seguir a história, então só precisamos ajudar a Princesa à achar a cabana dos anões. A floresta é sombria e fechada, não sei se ela, ou qualquer uma de nós, sobrevive lá por mais que algumas horas.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora