Sra. Renzo anda de um lado para o outro, pelo pequeno quarto. Anastácia e eu já explicamos tudo o que tínhamos para explicar, mas a senhora não diz nada.
Tenho medo que ela me leve para a Rainha, que diga aos meus "pais" que sou louca, e eu acabe numa fogueira. Eu nem sei como vim parar aqui, só quero voltar para casa. E é o que digo à ela.
- Não consigo acreditar nisso, menina. - a Sra. Renzo se senta na outra cama, me encarando. - Tem como me provar que está dizendo a verdade?
- Não... - choramingo e abaixo a cabeça, sentindo as lágrimas queimarem minhas bochechas. - E-eu não... Eu contei tudo. Tudo o que sei, tudo o que descobri, e o que suponho. - soluço e volto à olhar a senhora, suplicando com meus olhos, que me ajude. - Se não forem me ajudar apenas me prometam que não contarão meu segredo. P-por favor! Eu não quero morrer. Não aqui, longe da minha mãe e das minhas irmãs.
A mulher respira fundo e olha para a sobrinha. - Não sei o que pensar. Não sei se acredito, ou se chamo a mãe dessa menina para dar umas boas palmadas nela.
Me levanto, com as pernas trêmulas, mas decidida que meu tempo aqui acabou. Tenho que voltar para a cabana, amanhã será outro dia, e tenho que retomar meus planos do zero, tenho que...
- Aonde pensa que vai? - Ana pergunta, se levantando também. - Já disse que vamos resolver isso hoje.
- Pra mim já está mais que claro, que vocês não me ajudarão. - limpo meu rosto com as costas das mãos. - E está tarde, tenho que voltar pra casa.
- Não. - ela nega com a cabeça. - Vou pedir que avisem seus pais, mas você ficará aqui.
- Eles não são meus pais. - seguro um soluço que vinha, mas não consigo impedir mais lágrimas. - Eu não conheço ninguém aqui, não tenho família. Estou sozinha. Só quero ir pra casa...
- Vamos, menina, pare de chorar. - Sra. Renzo se levanta e apoia suas duas mãos em meus ombros. Ficamos cara a cara, e mesmo assim não me sinto intimidada. - Pensei numa forma que a senhorita pode nos provar que está falando a verdade.
- Eu já disse...
- Eu sei o que disse. - ela me corta, exasperada. - Apenas responda. Se diz que sabe a história da princesa, então sabe como o rei morreu. Poucas pessoas sabem, e certamente a senhorita não é uma delas.
- A rainha o matou. - conto, torcendo para que esteja de acordo. - O envenenou e deu uma facada em seu coração. Depois ela disse que foram traídos pelo braço direito do rei, que foi sentenciado à forca no dia seguinte. No mesmo dia ela começou a comandar o reino, de uma forma diferente e sombria. Muitos soldados morreram, mas outros apareceram, e ninguém sabia de onde. - respiro fundo, mas ainda trêmula. - Esses soldados trouxeram um grande e misterioso espelho, e depois disso veio a notícia que a Princesa se isolou no quarto.
"Mas a verdade é que a própria rainha a tranca, por vários motivos. Inveja, Principalmente. A rainha inveja a beleza de Branca de Neve, e espera até que a princesa tenha quatorze anos, para tirar seu coração e come-lo. Assim terá juventude eterna, e será a mulher mais bonita do mundo."
Anastácia me observa com os olhos arregalados, mas a Sra. Renzo está sorrindo. Acho que contei o certo.
- Você contou mais do que pedi, mas está correta. - a mulher respira fundo e volta a se sentar. - Agora acredito na sua história, mas ainda não sei se ajudar a Princesa à fugir é a melhor opção. Precisamos de uma outra ideia. Outro plano. E rápido. A Princesa fará aniversário semana que vem.
Me sento também, sentindo um grande alívio. Elas vão me ajudar, elas vão me ajudar!
- Você disse que a rainha chamará um caçador, certo? - Ana lembra, eu assinto. - Se ele seguir a história, então só precisamos ajudar a Princesa à achar a cabana dos anões. A floresta é sombria e fechada, não sei se ela, ou qualquer uma de nós, sobrevive lá por mais que algumas horas.
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O Que Os Contos Não Contam
FantasiAyla, Eloise e Íris são trigêmeas, mas a única coisa em comum é o amor pelos livros de contos de fadas. Principalmente pelas adaptações. As três vivem em pé de guerra, sempre discordando uma da outra, mas quando Íris acha uma nova adaptação tudo mud...
