Fizemos uma reunião de emergência com todos os membros do clube um dia depois da chegada de David na escola. O voto foi unânime que ele jogasse com todos e vencesse no mínimo 70% dos jogos para conseguir entrar no clube.
Ele venceu todos, menos eu, e foi eleito vice-presidente, também com voto unânime. Ele é tão bom que Yago nem reclamou, votou para a substituição e depois informou que o ajudaria na adaptação.
Eu fiquei nervosa, achando que sairia de meu posto, mas percebi o quanto aqueles nerds gostam de mim. Principalmente as meninas que fazem parte do clube. Eles gostam de mim, gostam do meu jeito sério de manter o clube funcionando mesmo com pouca verba e apoio do resto da escola.
Também gostam de mim pelo fato de ser boa o bastante para chegar a vencer os jogos nacionais e trazer os prêmios para o clube como se todos tivessem participado, e não somente eu.
Sei disso porque eles falaram, quando eu propus que escolhessem outro presidente também. Mas eles não quiseram e eu fiquei muito feliz. E grata.
Eles gostam de mim! Era o que minha mente gritava, pulando de alegria.
E a entrada de David no clube não foi totalmente ruim, pude dar início ao plano de Eloise e acabei me aproximando dele, para o conhecer melhor. De acordo que íamos conversando eu ia mandando as informações para minha irmã, que escrevia as cartas e, de algum jeito, mandava secretamente para ele e Ayla.
No quarto dia Ayla já lançava olhares para David, que tentava se esconder na biblioteca pelo máximo tempo possível. Fiquei intrigada e perguntei a ele o porquê de sempre estar na biblioteca. Então ele respondeu:
— Sua irmã, a Loira — depois de um dia ele já sabia que éramos trigêmeas. É meio óbvio — , ela está me enviando cartinhas. Mas, mesmo ela sendo linda e as cartas super interessantes, não posso me envolver com ela. Eu tenho namorada.
E então percebi que, merda, eu também estava gostando dele e fiquei com ciúmes. Merda, merda, merda!
- E o que você vai fazer? - perguntei, realmente muito interessada. Interessada demais.
- Continuar me escondendo, acho - ele admite com um dar de ombros. - Talvez eu tenha um pouco de culpa, afinal. Ela pode ter entendido as coisas completamente erradas, quando nos conhecemos. Mas mesmo assim... Não podemos ficar juntos enquanto eu estiver namorando.
Contei para Eloise, mas Ayla tinha descoberto que as cartas eram mentiras. David explicou para ela a situação antes mesmo de pensarmos em algo, alguma saída. Mas o pior mesmo foi hoje de manhã, quando ela me pegou conversando com Eloise, sobre nós três estarmos gostando de David.
— Não sei como aconteceu, mas isso tem que parar. Era para juntar os dois, não nos afastarmos — fora o que eu disse para Eloise aos sussurros.
— Ninguém tem culpa disso, Íris — ela tentou me repreender — Da mesma forma que não escolhemos nos apaixonar, não há como deixar de gostar dele. Pelo menos não de propósito.
— Podemos, pelo menos, contar toda a verdade para a Lalá — Elô começa a negar, mas continuo: — Devemos isso à ela, Elô. Nós começamos, nós vamos terminar.
— Você sabe como ela é! — ela diz exasperada — Ela vai nos matar!
— Nós podemos aguentar...
Mal terminei minha frase e Ayla entra como um furacão dentro do quarto, batendo a porta e berrando. Sinto o sangue esvair, minhas pernas falharem e os pelos se eriçarem, tudo ao mesmo tempo. Eu quero falar, me desculpar, dizer qualquer coisa, mas é como se tivesse uma bola gigante de algodão presa na minha garganta. É tão grande que afeta até a minha respiração.
Simplesmente fico parada e não faço nada para melhorar, ajudar a amenizar esse problema todo que ajudei a causar. Sou uma completa inútil.
Ayla grita pela casa inteira, e eu fico calada, sem reação nenhuma. Elô tenta se desculpar uma vez, mas não dá certo, então ficamos caladas pelo resto do dia, absorvendo tudo aquilo.
Aos poucos a culpa foi me tomando mais ainda e eu fui entendendo tudo com clareza. Conversei com mamãe e ela me deu bons conselhos, mas achei melhor passar o resto do dia grudada nela. Não queria ficar perto daquele clima pesado que está entre Elô e Ayla.
O tão esperado livro novo chegou, e acabou ficando em segundo plano, por incrível que pareça. Fiquei mais chateada comigo mesma por isso e me forcei a ler, mesmo com cinquenta mil coisas na cabeça.
Começo a ler, mas depois das primeiras frases apago.
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O Que Os Contos Não Contam
FantasyAyla, Eloise e Íris são trigêmeas, mas a única coisa em comum é o amor pelos livros de contos de fadas. Principalmente pelas adaptações. As três vivem em pé de guerra, sempre discordando uma da outra, mas quando Íris acha uma nova adaptação tudo mud...
