37. Ayla

257 74 186
                                        

Acordo cedo, na manhã de domingo, determinada a ir até a casa de Diogo. Não só para vê-lo, mas também para saber de seu pai.

Sei como é ruim não ter um pai, e mesmo que Diogo já esteja crescido, caso o pior ocorra quero estar ao seu lado, para apoia-lo e dar meu ombro amigo.

Mas sou parada no meio das escadas, pela Madrasta. Ela está em pé na sala, me encarando com seu olhar acusatório, como se soubesse de cada pensamento meu, e julgasse um por um como se fossem pecados mortais.

— Espero que não esteja indo ver o garoto Larsson.

— Na verdade, estou sim. — termino de descer as escadas e paro ao pé dela, bem longe da mulher. — o Sr, Larsson, pai do Diogo, está passando mal. Irei visitá-los.

— Não vai, não — ela cruza os braços e abre um sorriso soberbo. — Eu a proíbo.

Deixo meu queixo cair, com a surpresa. — Por que? A senhora nunca negou que eu o visse, e logo agora que ele está precisando de uma amiga...

— Se pensa que não sei, não vejo e não entendo o que está acontecendo... Está muito enganada. — engulo em seco, com medo de que ela saiba da bruxa. — Não quero você envolvida com o alfaiate, Ayla. Eu não gastei meu tempo e dinheiro com sua criação para terminar sendo uma costureirinha.

— Ele gosta de Ella, e a está cortejando, a senhora sabe! Somos amigos, apenas bons amigos. — dou um passo em sua direção, nervosa com essa situação toda. — A senhora não pode me impedir de vê-lo.

— Posso e vou. Se ele quer Cinderella, é escolha dele, mas eu não quero que você se rebaixe. Prefiro que fique solteirona, cuidando dessa casa, do que casada com ele.

— Não... — resmungo, me segurando para não chorar e continuar sendo forte. — Eu não vou me casar com ninguém. Apenas quero ver meu amigo, que está num momento difícil! Qual o problema nisso?

— O problema é que eu vejo, sei e entendo toda essa historinha. Há dias ele parou de enviar flores e bilhetes para a gata borralheira, Ayla!

Reviro os olhos e avanço, pouco me importando com ela. — Não me importo.

A madrasta não me impede, mas grita para que Ella mande alguém preparar a carruagem.

Saio de casa e ando o mais depressa possível pela estrada de terra, para a propriedade vizinha, que fica a cinco minutos da minha.

Chego ofegante, mas a madrasta consegue vir ao mesmo tempo. A Sra. Larsson abre a porta antes mesmo que tenhamos tempo de chama-la. A madrasta, mesmo com seus olhos brilhando com ódio de mim e minha audácia, mantém sua pose.

— Bom dia, Sra. Larsson. — a cobra cumprimenta com seu sorriso falso. — Ficamos sabendo da saúde de seu esposo e viemos fazer uma visita...

— Ah! — a senhora abre um sorriso parecido com o do filho, surpresa com a visita. — Fico feliz que tenham vindo... Meu esposo está precisando mesmo se distrair e... Bem, ninguém mais veio lhe fazer uma visita.

— Ele está melhorando, Sra. Larsson? — pergunto.

— Está sim, srta. Ayla! Deus está curando meu esposo, e logo ele estará completamente bem. — ela abre mais a porta e dá espaço para passarmos. — Vamos, entrem! Vou pedir que preparem chá e biscoitos.

Somos guiadas até a sala ao lado do pequeno hall de entrada pela anfitriã. Me sento num dos sofás e a madrasta em outro, bem de frente para mim.

Sra. Larsson percebendo que estamos acomodadas, pede licença, dizendo que chamará o marido, e nos deixa à sós. A madrasta aproveita para mostrar sua língua de cobra.

O Que Os Contos Não ContamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora