Fosforescência

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(Na multimídia, Uriel Le Blanc).

- Cara, essa foi por pouco! – exclamou Will, com a mão no peito.

- Shh, fale baixo! – disse Ethan, seu rosto vermelho com o esforço físico feito. – Estamos no dormitório das garotas... se nos pegarem aqui, estamos mortos.

Levantei do tapete, limpando o suor da testa.

- Vamos para o quarto, lá vocês podem se esconder. – anunciei, levantando a Noah semi adormecida do chão.

Ethan se apressou em me ajudar, e em breve estávamos deitando a Noah em sua cama. Preparei uma solução aquosa da Poção do Sono e a dei – felizmente e, também pelo cansaço, eu acredito, ela adormeceu bem rápido. Gosmenta dormia, arreganhada, sobre sua cabeça.

Olhá-la, finalmente, adormecida, deu-me uma sensação de alívio. Eu poderia, afinal, dormir sem escutar as inúmeras e benéficas propriedades do polvilho, ou curiosidades sobre rãs, ou sobre como o xadrez era um jogo incrível.

Para mim o único que havia de incrível no xadrez era vencer. Eu sempre fui uma criança muito competitiva, então sempre entrava nos jogos com o desejo inevitável de vencer – se bem que, dificilmente alguém é masoquista o suficiente pra gostar de perder.

Certa vez, no orfanato, passei quase uma semana inteira chorando por ter perdido uma corrida. Ninguém podia ser melhor que eu – pelo menos é o que eu pensava, antes da Noah vencer mais de trezentas vezes pra mim em jogos de tabuleiro. Eu, porém, sempre a vencia em corridas ou jogos que envolviam agilidade física.

Com essas derrotas, aprendi algo importante – todos são bons em algo, mas nunca em tudo.

- E agora, o que faremos? – perguntou Ethan, olhando ao redor apreensivamente.

- Nem acredito que estamos mesmo fazendo isso, é loucura! – exclamou o Will alegremente, levando uma cotovelada do Ethan.

Pus as mãos na cabeça, pensativa. Livramo-nos de um problema e conseguimos outro.

- Fiquem embaixo das camas, em silêncio. Vou pensar em alguma coisa. – falei, sentindo o cansaço apoderar-se de mim.

Observei bem o frasco da poção do sono, como que para assegurar-me que ele estava, de fato, fechado. Com pensamentos de como retirar os garotos sem alarde do quarto, adormeci.

No dia seguinte, encontrei os dois bem agitados no café da manhã.

- Eleanor, você ronca alto demais! – exclamou o Will.

- É verdade. – concordou Noah.

Dei língua pros dois, em protesto. Não podia ser verdade, isso do ronco – como eu não perceberia se roncasse verdadeiramente tão alto assim?

- Como vocês saíram? – perguntei, observando o rosto do Ethan corar.

- Nem queira saber. – respondeu, encarando a mesa.

- Ele não quer que vocês saibam sobre a s.... – Ethan tapou a boca do Will, irritado.

- Cale-se! – disse, exasperado.

Sorri com a cena. Os dois eram tão bobos, sobretudo o Ethan. O que eles poderiam haver feito de tão vergonhoso assim?

- Olha... – falei, lembrando-me vagamente de algo. – Noah, você pôs nossas saias pra lavar?

Ela negou com a cabeça. Encarei os dois, que estavam vermelhos como um pimentão. O Ethan poderia enfiar a cabeça num caldeirão de sopa agora, caso houvesse algum na mesa.

Uma Trouxa em HogwartsOnde histórias criam vida. Descubra agora