Capítulo 9- Entre a Ruiva e o Ridículo

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Kristhen Zillord

Não fazia ideia que o Reed ficaria tão tímido, mesmo comigo ao lado. Ele me encolheu no canto da sala, encarando as pessoas que conversavam, riam e bebiam. E ele quase invisível, se segurando para não sumir.

— Quer algo pra beber? — perguntei, tentando soar casual.

— Acho que... quero ir embora — ele disse baixo, com o olhar preso no chão, como se estivesse implorando para desaparecer.

Abri a boca para responder, mas ele me ignorou por completo quando alguém o chamou. A Samy apareceu com aquele vestido absurdo, chamando atenção na sala inteira — vermelho, curto demais e caro demais. Aquele sorriso de quem sabe que pode tudo.

Esse garoto vai acabar morto ou congelado no tempo, pensei. E confesso que, apesar de tudo, a ruiva até que ficou gostosa naquele vestido. Só que isso não muda o fato de eu não engolir aquela cara.

— Achei que não viria — ela sorriu, os lábios vermelhos — Fiquei me perguntando se você não tinha ficado desconfortável com o convite.

— Eu fiquei um pouco... — ele respondeu baixo. Eu ouvi, mas duvido que ela tenha captado.

— O quê? — falou mais alto, puxada pela música alta — Esquece! Vou te apresentar uns amigos.

Ela agarrou o braço do Reed, puxando ele para longe, e eu deixei. Melhor assim, que ele aprenda a se virar sozinho. Não tô aqui pra ser babá.

Me afastei da parede e comecei a procurar a cozinha. Se vou ficar aqui, pelo menos queria uma bebida sem álcool. Mas essa mansão é um labirinto de luxo vazio, e achar a cozinha estava mais difícil do que eu imaginava.

— Ei! — parei uma menina passando — Onde fica a cozinha?

— É só entrar nesse corredor e ir reto, a cozinha fica no terceiro cômodo à esquerda.

— Valeu!

Segui as instruções e logo encontrei o lugar. Estava vazio, alguns adolescentes com cerveja na mão jogavam conversa fora.

Mas onde diabos estavam as bebidas sem álcool? Só água?

— Ei! — chamei o primeiro cara que vi — Cadê as bebidas sem álcool?

Ele me lançou um olhar escuro como breu.

— Só tem bebida com álcool. — me respondeu

Porra... você aqui?

O rosto dele me jogou direto na memória. Meu primeiro namorado. Ele sumiu depois que a mãe morreu de câncer e jurou nunca mais pisar em Miami. E pelo visto, mentiu. Como mentiu pra mim no passado.

Stefan piscou algumas vezes, desconfortável. Parece que suas memórias também voltaram. Mas ele se virou, ficando de costas, voltando a conversar com a garota sentada no balcão.

— Por que mudou de lugar, amor? — ela perguntou, balançando os pés — Gosto quando você fica na frente.

— Estava desconfortável — ele mentiu.

Encaro suas costas sem o que fazer. Apenas o fitando, com aquela sensação ruim de encontro com ex. Esse namoro morreu no meu décimo sexto aniversário, dois anos de mentira. O outro foi um desastre de três meses. Parece que sou especialista em pegar os piores.

Mas aquele clima em mim mudou quando senti o celular vibrar no meu bolso. Eu o peguei. Mensagem da senhora Walsh.

Elaine
O teste de DNA já saiu.

Kristhen
Não demora três dias ou algo assim?

Elaine
Saiu rápido porque era a porra de uma peruca de plástico!

Eu sabia. Estava na cara que eles não seriam descuidados, era tudo uma distração.

Kristhen
Merda!

Elaine
Voltamos à estaca zero. Conversamos quando você chegar, não quero que o Reed saiba.

Kristhen
Entendido, senhora.

Desliguei o celular. Sem bebida, só o meu ex e a nova dele. Melhor ir atrás do Reed. Não posso deixar ele se afundar mais.

Me virei, batendo meu corpo contra o de alguém alto. Olhei para cima e lá estava ele: Reed, perto demais.

— O que faz aqui? — ele perguntou muito rápido

— Vim pegar-

— Você disse que ia ficar por perto — Reed segurou meu pulso com força.

Antes que eu respondesse, ele me puxou para fora da cozinha. Passamos por corredores, empurrados por gente que não tinha ideia do que estava acontecendo. Finalmente chegamos do lado de fora na parte de trás da casa, mas ele me arrastou direto para um grupo de adolescentes sentados em roda.

Ele sentou numa cadeira depois de me soltar. Olhares se voltaram para mim, mas dane-se. No meio, uma cadeira vazia parecia pronta para o "verdade ou desafio".

— Vamos começar! — uma garota qualquer girou a garrafa, que parou apontando para duas pessoas que eu não fazia ideia de quem eram.

— Verdade ou desafio? — perguntou um garoto.

— Desafio — respondeu a menina.

— Te desafio a beijar a Linda!

Ela levantou, beijou a garota como se estivesse no palco, e a turma aplaudiu e gritou feito louca. Depois que terminou o showzinho meia boca, ela voltou e se sentou, rodando a garrafa de novo.

Dessa vez parou no Reed e numa loira, amiga da Samy. Aquela loira nojenta.

— Verdade ou desafio? — ela perguntou.

— Verdade.

— É verdade que você gosta da Samy?

Caralho, sério? Essa vadia quer ver o Reed morto de vergonha. Que filha da puta.

Ele ficou quieto. Pude ver a orelha dele ficando vermelha igual a uma pimenta.

— Sim — ele respondeu baixo.

Silêncio.

Aí os idiotas começaram a rir, a zoar. Todos eles. As amigas da Samy caíram em cima dele, o zoando, enquanto a ruiva só sorria, com aquela cara de quem está se divertindo.

— Sua vez de girar — empurrei o ombro dele, tentando fazer ele reagir.

Reed levantou e girou a garrafa, que parou na Samy e numa amiga de cabelos pretos. A outra nojenta.

— Verdade ou desafio, Samy?

— Desafio — Samy sorriu.

— Te desafio a beijar o Jacs!

Caralho, essa porra tá aqui? Céus, que merda.

Continua...

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