" falta alguma coisa..."

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Dia cinco de março

Narrado por Bento

Era noite, e eu esperava que Nayara me respondesse. A gente havia discutido, e ela estava um pouco brava comigo, não quis dormir aqui na minha casa... Passo pela frente do quarto do meu irmão e consigo ouvir os gemidos da minha cunhada e, principalmente, dele. Consigo imaginar o porquê de meu irmão ser tão fascinado por ela. O quarto dos meus pais era silêncio absoluto; pelo horário, devem estar no décimo sono. Não conseguia dormir direito brigado com minha mulher, e ela sabia como me deixar mal. Ela não respondia, e isso era péssimo para mim.

Rolo na cama mil vezes e não consigo, de forma alguma, dormir. Que droga de dependência que tenho na Nayara! Às vezes fico bravo comigo mesmo. Por que sou tão assim por ela?

Com a cabeça cheia, pego um comprimido e vejo que não tem água no meu quarto. Decidi descer para pegar um pouco e tomar o remédio para conseguir dormir um pouco. Não me ocupo em pôr uma camisa, desço do jeito que estava. Com certeza, pelo horário, não teria absolutamente ninguém lá fora, porém me enganei! Entro na cozinha e me deparo com uma cena. Me repreendo por achar tão bonita. Minha cunhada estava procurando algo na geladeira, levemente empinada. Sua camisola branca, pela iluminação, conseguia ficar levemente transparente, e agora, vendo dessa forma, ela tem um bundão... Meu irmão é um homem de sorte. Helena, sem dúvidas, era uma mulher e tanto!

Parou, Bento. Meu Deus, que errado estar analisando a mulher do meu irmão, a irmã da minha mulher! Fujo de meus pensamentos, fingindo que acabei de chegar.

B: Helena? (Ela toma um susto e vira de uma vez.)

H: Que susto, Bento! (Risonha, e agora consigo ver que sua camisola era levemente decotada.)

B: Desculpe, vim pegar um pouco de água pra tomar um remédio! (Ela se afasta um pouco da geladeira com um pedaço de pudim em um pratinho.)

H: Seu irmão quis pudim justo agora! (Risonha, chupa o dedo sujo. Realmente, meu irmão tem muita sorte, a boca dela é linda... Imagina só quando ela tá... Que merda, Bento! Para, porra!!)

B: Típico do Felipe! (Rio e bebo o remédio.)

H: Típico mesmo! (Rindo, coloca a faca que cortou o pudim na pia.) Boa noite, cunhado! (Apenas aceno com a cabeça, e ela sai.)

Que merda de carência. Não consigo não olhá-la saindo. Definitivamente, nessa noite eu estou um merda. Que isso? Olhar assim pra minha cunhada! Que merda! Balancei minha cabeça e subi.

Era manhã, e como sempre minha cunhada sai pra trabalhar. Eu e meu irmão também!

F: Brigou com Nayara? (Já no escritório.)

B: Sim, como você sabe? (Brigamos já à noite, não contamos a ninguém.)

F: Ora, ela não foi dormir com você! E você tá parecendo um cachorro que caiu da mudança! (Rio, meu irmão realmente me conhece.)

B: Nayara sabe maltratar. Desde ontem que não responde absolutamente nada! (Reviro os olhos lendo uma papelada de um caso.)

F: Ela é assim mesmo, logo passa! (Rio.)

B: Tá conhecendo minha mulher melhor que eu, irmão?! (Digo brincalhão.)

F: Não esqueça que sua mulher é irmã da minha! (Rindo e lendo alguns papéis também.)

B: Você geme muito alto, irmão! (Digo rindo, e ele me mostra o dedo.)

F: Escutando atrás da porta, Bento? (Rimos.)

B: Não, mas passei pela frente e ouvi algumas coisas! (Rimos.)

F: Minha mulher sabe fazer algumas coisas muito boas! (Rio.)

B: Ela trabalha em quê? (Sempre tive essa curiosidade.)

F: Ela tem uma clínica de estética e uma escola!

B: Olha só, não sabia que minha cunhada era rica! (Ele ri.)

F: Se duvidar, até mais que eu! (Rimos.) Helena é visionária, qualquer ideia ela faz se transformar em dinheiro. Primeiro a escola e, como ela era formada em estética, logo montou sua clínica, a qual é imensa. A prova é que ela só vai lá porque gosta, mas consegue facilmente trabalhar em casa!

B: Tá aí, não sabia que ela era assim!

F: E a Nayara? (Rio.)

B: Ela é modelo, mas dificilmente faz alguma coisa!

F: Ela tem você pra bancar! (Rio.)

B: Com certeza. Deixa ela comprar as coisinhas dela, e eu pago! (Rimos.)

F: Elas são diferentes. Helena que subiu a família! Hoje em dia, os pais dela e a irmã também vivem bem por causa dela. Minha Lena que construiu o seu império!

B: Muito foda! A Nay não, ela nasceu pra gastar! (Rimos.) Mas deixa ela, eu pago!

F: Você dá muitas coisas a ela, não acha?

B: Talvez... Mas você não dá à Helena?

F: Eu não! Helena já tem de tudo e tem dinheiro pra comprar as coisas dela! (Fala e dá de ombros.)

B: Porra, Felipe! Nem mesmo uma flor, um chocolate?!

F: Isso é bobeira! Helena não gosta disso!
B: Ela já te disse isso?

F: Não, mas eu tenho certeza! Conheço minha mulher, durona! Helena às vezes não parece uma mulher! (Ri.) Ela é durona, personalidade forte, não gosta de carinho, não conversa sobre o dia dela nem sobre nada que esteja fazendo mal a ela!

B: Você pelo menos pergunta, seu brutamonte?!

F: Pergunto se ela quer falar, mas ela sempre diz não, daí não insisto! (Assinando um papel.) Queria que ela fosse mais sensível, mais frágil, mais mulher, sabe?! Igual sua mulher!

B: Não sabia que ela era assim! Bom... Sei que ela tem uma personalidade forte, porém achava que ela era mais calminha com você!

F: Ela é legal, mas faltam algumas coisas nela!

B: Pelo menos a conta do restaurante você paga?

F: A gente nunca sai! E quando sai, a gente divide, ela prefere assim!

B: Porra, tu é meio babaca! Pensei que você era louco por ela!

F: E sou! (Rindo.) Mas entre outros motivos! (Ri novamente.)

Conversamos mais sobre algumas coisas e, antes do horário do almoço, ele saiu para uma reunião. Não explicou bem, porém era uma de praxe com um cliente. Então aproveitei para ir na casa de Nayara.
...
Continua...

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