Capítulo 38 - Eu tornei-me a morte, destruidor de mundos

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" Quando você sentir que está quebrando
Quando o seu coração ficar esperando
Quando as lágrimas começarem a cair
Eu quero que você saiba, oh, eu nunca te deixarei ir. "

- Colbie Caillat, Never let you go

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Os saltos estalaram no piso de madeira quanto eu me movimentei, indo em direção à mesa. Pisquei fortemente, espremendo os olhos na tentativa de ver com clareza o caminho que seguia. Os olhos de Adam e Carlos acompanharam cada movimento, e apesar de não ver, podia apostar que o seu destino final era a minha mão ensanguentada. Tentei limpá-la com um guardanapo, porém a mancha insistiu em permanecer ali.

Pigarrei.

-- Eu preciso de um pouco de ar.

Os dois homens concordaram, e eu não demorei para sair da sala. A tensão no ar era palpável, como se houvesse uma bomba prestes a explodir. Covarde ou não, considerava desnecessário ficar mais tempo ali, quando sabia que só resultaria em mais uma discussão com Adam.

Cláusula de tratado estúpida.

Olhei para a escada, encontrando os seguranças na mesma posição em que eu os deixei anteriormente. Uma pequena esperança dentro de mim se quebrou, aquela que me dizia que eu conseguiria sair do restaurante sozinha. Tentando evitá -los ao máximo, apenas sinalizei e levei meus calcanhares de encontro ao banheiro.

Abri a torneira da pia, apoiando as duas mãos no mármore frio enquanto inspirava longamente. As lágrimas ameaçaram cair novamente, e eu tentei contê-las com um gemido esganiçado. Pare de ser fraca, Gisele! Sequei o canto dos olhos com as costas das mãos, para em seguida lava-las, observando a água correr avermelhada. Após retomar o controle, encarei meu reflexo no espelho, dizendo:

-- Vamos dar um jeito nisso, não se preocupe.

Sacudindo os braços, devolvi as mangas do meu blazer ao seu devido lugar, e estava pronta para sair e encarar o pesadelo quando Adam entrou no banheiro rapidamente, fechando a porta atrás de si.

-- O q-que está fazendo?! -- O ar não passou pela minha garganta e a voz saiu arrastada, arranhando durante o seu percurso. O clique da tranca da porta me informou que não iríamos sair dali tão cedo.

-- Que diabos foi aquilo? -- Arqueei uma sobrancelha para ele. Sabia do que ele estava falando, mas a sua reação explosiva por algo tão simples me fez conter um pequeno sorriso.

-- Nada diferente do que eu estou acostumada.

-- Não seja petulante, Amélia! Você estava tossindo sangue!

-- Fique calmo, Adam. Eu sei me cuidar.

Adam segurou meus braços e me empurrou facilmente contra a pia, tanto pela minha surpresa quanto pela minha falta de resistência. Antes que eu pudesse abrir a boca para falar algo mais, ele intensificou o aperto no meu braço e balançou a cabeça.

-- Não me diga que está tudo bem, porque claramente isso é mentira. Você deveria ir ao hospital, Amélia.

Toquei as suas mãos como pude -- devido a minha restrição de movimento --, com a ponta dos dedos. A sua pele estava quente, um contraste contra a minha palidez gelada e que me trouxe um conforto familiar.

-- Convivo com essa doença desde o dia em que eu me chamei Gisele, Adam. Não fale das coisas que você não sabe. Os Lavinsk levaram os melhores médicos de Angeles para a mansão, e nenhum deles conseguiu descobrir o que eu tinha. Os ataques vêm sempre, mas logo passam.

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