"Você está no controle
Expulse os monstros da sua cabeça
Coloque todas as suas falhas para dormir
Você pode ser rei novamente."
- King, Lauren Aqulina
***
Kota
Kota imaginou que, nos últimos quatro dias, ele tinha chorado o suficiente para encher o rio Tâmisa. Era difícil olhar para ele e dizer que era um homem de negócios, rude e sem sentimentos. Ele próprio não se reconhecia mais ao se olhar no espelho. E não era apenas a mudança física. Além dos bolsões escuros sob os olhos e os quilos a menos, Kota sentia que mudara muito em seu interior.
E a culpa era da Amélia.
Ele já tinha aceitado tudo o que ela lhe trouxe, essa capacidade de sentir e amar. E, droga, a dor parecia mil vezes pior quando ele se importava, e isso agora também era culpa de Violet. Ela o fez se afeiçoar a ela, a gostar dela, e então ela morreu.
E essa coisa estranha chamada sentimentos atacou mais uma vez.
O funeral de Violet foi na manhã seguinte à madrugada em que ele chegou com a princesa no hospital. Kota teve que ligar para Margareth, dar a notícia, organizar as coisas e... E a verdade é que foi um inferno. Poucas pessoas estavam presentes; Kota proibiu a mídia e a maioria dos conhecidos estava ocupada lamentando a própria desgraça para aparecer. Mas America estava lá. Apesar de ela nunca ter gostado de Violet, estava lá para dar apoio e conforto ao irmão mais velho. Kota se sentiu o caçula ali.
Depois, ele foi para hospital, onde Amélia ainda dormia. Um grande peso tinha saído dos ombros dele quando lhe contaram que ela estava se recuperando, e que ele salvara a vida dela. No entanto, tudo parecia ofuscado pelo simples fato de que ela não acordava. Por que diabos não acordava?
Kota afroxou a gravata e deixou Amélia em sua terra de sonhos. Ele bebeu naquele dia. Muito. Encontrou um bar e bebeu mais do que tinha bebido na vida. Infelizmente, não demorou para que America e toda a sua autoridade de rainha o encontrasse e o despachasse de volta. Ela o levou para casa, mas Kota, mesmo bêbado, teve consciência o suficiente para se recusar a entrar. Aquela casa estava cheia de fantasmas que desejavam assombrá-lo. Quero ir para o hospital, foi o que ele pensou ter dito. Mas America o levou para um hotel, obrigou-o a tomar banho e vestir roupas limpas, e só então, sob os pedidos insistentes de Kota, deixou-o de volta no hospital.
E ele não tinha saído de lá desde então.
Kota não se lembrava exatamente o que fizera nesse tempo, mas o cérebro acordou quando viu Amélia. E era real.
Amélia conversou com ele, a voz lhe pareceu melódica mesmo rouca. Kota só conseguia pensar que aquilo finalmente estava acontecendo. Aquele momento pelo qual ele esperou quatro torturantes dias. E então Amélia o fez chorar de novo.
Inferno de mulher. Naquele momento ele se sentiu uma criança -- pequeno e impotente.
Dois brutamontes com cara de poucos amigos imterromperam do momento dos dois para pedir a Amélia que voltasse para dentro do hospital. Kota pensou em rosnar para eles, mas o olhar de Amélia o fez derreter. Ela o olhou com tanta ternura, com tanto amor e, lá no fundo, pesar, que Kota achou ter imaginado.
-- Vai ficar tudo bem, ok? -- Ela sussurrou. -- Você vai ficar bem. Mas precisa ir para casa descansar. Por favor.
Kota concordou, tendo a consciência de todo o corpo pesado e exausto. Antes de ir, Amélia se abaixou e beijou os lábios dele. Kota arquejou, a saudade o consumindo, e ele agarrou a nuca de Amélia para impedir que ela subitamente desaparecesse no ar. Um pigarreio fez com que eles se separassem. Amélia riu e subiu as sobrancelhas para Kota, sugestiva.
Kota a observou sair com um sorriso no rosto, e parecia ser o primeiro sorriso verdadeiro em um longo tempo. Ele queria ir atrás dela, mas sabia que tanto Amélia quanto America estavam certas. Ele precisava se recuperar. Além disso, precisava dar um pouco de espaço para que a princesa assimilasse tudo o que aconteceu nos últimos dias também.
Sim. Esperaria até que ambos estivessem bem. Depois iria atrás de sua princesa e nunca mais a deixaria ir.
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Encontrada
Fanfiction"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem você quer ser hoje? Que mundo quer explorar? '. Os livros me traziam batalhas, romances proibidos, o limite do ser humano. Era muito fácil f...
