Capítulo 56 - O refúgio dos Deuses

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Violet

Ela observou a mãe sorver um gole de chá, sem nenhuma tentativa de esconder o sorriso de triunfo que enrugou os cantos da boca. Violet mal passara cinco minutos na casa da mãe e já estava desesperada para ir embora.

-- Finalmente você resolveu dar atenção a sua mãe.

-- Você parecia ocupada o suficiente para mim -- ela franziu o cenho. -- E eu tinha... Compromissos.

-- Depois da morte do seu pai a nossa família não foi mais a mesma -- Margareth Lavinsk lamentou. -- Sinto tanta falta dele! Também sinto a sua falta, meu bem.

A modelo se levantou do banquinho da ilha da cozinha, irritada.

-- Não seja hipócrita, mãe! A nossa família acabou em Illéa! Você não se importava com o meu pai, apenas com o dinheiro dele!

Margareth também se levantou, apontando um dedo para a filha.

-- Não ouse falar sobre a minha fidelidade ao seu pai. -- E então ela sorriu. -- Mas filho de tubarão também sabe morder. -- Enrolou uma mecha do cabelo loiro de Violet. -- Refresque a minha memória, meu amor, sobre quem se casou com Kota Singer para conseguir fortuna e título.

-- Eu o amo.

-- Continue repetindo isso até acreditar -- a mãe cantarolou.

-- É a verdade.

Violet sentiu a mãe, agora atrás dela, sorrir contra sua nuca.

--E será que ele a ama? Onde ele está agora?

Violet não respondeu. Kota a amava? Ela achava, desejava, esperava que sim. Mas se amava... Por que ele não estava ali com ela? Por que não a escolheu, em vez de Amélia? Em breve ele estaria lá fora, arriscando a vida para trazer a princesa para casa, embora não precisasse. Isso... Isso era amor. Violet sentiu os olhos se encherem com as lágrimas, mas ela engoliu o choro.

-- Kota não é meu guarda-costas para me seguir em qualquer lugar que eu vá. -- E então, para alfinetar a mãe e recuperar um pouco da própria postura, acrescentou: -- Além disso, ele pensa que você é uma megera.

Margareth rangeu os dentes, voltando a olhar para o rosto de Violet.

-- Você vai precisar de mim hoje à noite, Violet. Não me tente a acabar com a sua imagem de tal forma que você nunca mais veja os ladrilhos do bairro nobre.

Violet sorriu amarelo.

-- Ah! Foi por isso que vim, mãe. Para falar que eu não preciso de você. E que não vou ao Palácio. Kota e eu participaremos do Festival da Estrela.
A mãe de Violet gargalhou.

-- Isso é ridículo! Você é ridícula, minha filha. Se misturar à plebe? Não permitirei que estrague o nome da família com essas... Atitudes.

-- Os Monteroza estão mortos, mãe. --Sussurrou. -- A família morreu no mar. Somos Lavinsk agora. Nós somos ninguém.

Violet não obteve resposta. A mãe a olhava como se ela fosse louca, e Violet sentiu que essa era a deixa para ir embora. Provavelmente a conversa toda não durou dez minutos, mas ela estava se sentindo sufocada. Quando estava descendo os degraus da entrada, a voz chegou aos seus ouvidos:

-- O amor é fraqueza, Violet, e ele está te atingindo. Em tempos como o que estamos vivendo, essa fraqueza pode te destruir.

A garota foi embora como se uma sombra a perseguisse.

***

-- Ela é louca -- murmurou para o nada.

O rádio do carro estava sintonizado em uma estação qualquer, a música agitada que Violet não entendia. Ela tirou uma mão do volante e a levou para o cabelo, puxando um pouco os fios.

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