Capítulo 47 - Vida longa à rainha

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A estrutura rangeu e escutei várias coisas caírem quando minhas costas bateram contra o que pareciam ser prateleiras.  O movimento brusco me deixou desnorteada, e tateei às cegas no espaço escuro. Meus dedos encontraram um nariz, queixo...

Recolhi a mão imediatamente.

Um clique soou, e então eu estava em um minúsculo armário de limpeza, com Elias Connor me encarando atentamente. Soltei a respiração que eu não sabia que estava prendendo.

-- Me desculpe pela brutalidade, princesa, mas a senhorita é muito bem vigiada.

Balancei a cabeça.

-- Eu não... É que... Desculpe,  faz muito tempo desde a última vez em que o vi.

Algo como pesar assombrou os olhos dele. Na última vez em que nos encontramos, Adam ainda estava vivo.

-- Sinto pela sua perda, alteza. Adam... 

-- Eu sei. E a ausência dele não afeta somente a mim, mas todo o mundo. As relações políticas estão tão frágeis...

-- Que uma nova Guerra está prestes a começar -- completou. Acenei novamente e um calafrio percorreu minha espinha. Se houvesse outra guerra provavelmente metade do planeta não sobreviveria. Não se eles usassem armas como as que vi no Complexo. Os olhos treinados de Connor notaram quando abracei meu próprio corpo. Ele tirou um envelope de dentro do bolso interno do casaco e entregou a mim. -- Demorou um tempo para revirar todos os arquivos, mas aí está a informação que me pediu.

-- Alguma opinião sobre?

Ele abriu um meio sorriso.

-- Quem disse que eu li, princesa?

-- Pensei que seu trabalho era saber sobre a vida de todo mundo -- dei de ombros. -- Principalmente algo que envolva a família real.

-- Acho que sei o que está procurando.

Ele quebrou a pouca distância entre nós e levou a mão na minha direção... na direção de algo na prateleira acima da minha cabeça. Connor segurou meu braço, me impedindo de cair quando a parede atrás de mim cedeu.

Virei o corpo, olhando para as escadas descendentes e a escuridão além delas.

-- Passagens. -- Eu não estava surpresa.

-- As passagens deste Palácio são de conhecimento de todos os criados e membros da Guarda Real. Muito utilizadas, inclusive. Elas ligam quase todos os principais cômodos em um emaranhado de caminhos que parece mais uma teia de aranha.

Ele se espremeu para chegar ao primeiro degrau. Passou o pé ali, e acendeu uma pequena lanterna para mostrar o rastro na sujeira. Torci o nariz.

-- Parece que não são utilizadas há um bom tempo.

-- De fato. -- Ele esclareceu a dúvida estampada no meu rosto: -- Existem outras rotas que estão além do conhecimento dos funcionários do palácio, mais estreitas e posicionadas estrategicamente. Esta aqui é uma delas.

-- Rotas de fuga.

Elias concordou.

-- Parece que todas as construções que abrigaram a família real no período da Guerra possuem rotas como essa. Elas se transformam em túneis que convergem para pontos específicos da cidade: o centro,  a Marina e para lesta da cidade.

-- Apenas isso?

Elias hesitou, olhando bem para os meus olhos, como se considerasse soltar a informação. Como se considerasse o que eu faria com ela. Então eu soube que estava certa.

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