Capítulo 44 - Princesa perdida

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Declan Velásquez

-- Vocês a perderam?

As palavras soavam tão bizarras quanto no próprio pensamento. Como membros da Guarda Real conseguiam perder uma princesa? Uma única, insolente, tola e doente garota! Declan Velásquez analisou a possibilidade de seus comandantes não estarem fazendo um bom trabalho no treinamento militar. Ali, olhando para as quatro almas incompetentes que foram a Portugal com Amélia e ousaram voltar sem ela, teve vontade de esmagar cada um dos crânios com as próprias mãos. Ele sabia que não era uma boa ideia se envolver com o país vizinho àquela altura, mas a petulância da garota o fez acreditar que tinham uma chance.

-- Estávamos aguardando a princesa do lado de fora da sala, senhor. -- Um dos idiotas teve a coragem de falar. Ele abaixara a cabeça, recusando-se a olhar para o general e ver toda a fúria no olhar. -- Tudo foi muito rápido. Em menos de um segundo, os portugueses já estavam com as armas apontadas para nossas cabeças. Retiraram nossa munição e nos mandaram de volta, a não ser que desejassemos permanecer com nossas vidas.

-- O que os fazem pensar que continuarão com ela?! -- berrou o general. O soldado da Guarda não recuou ou fez sequer um movimento. O mesmo se aplicava aos três companheiros enfileirados ao lado dele. -- A missão de vocês era única: proteger a princesa!

-- Perdoe-nos, senhor.

Declan levou a mão à testa e massageou as têmporas.

-- Saiam.

O tom mortal fez com que os soldados se mexessem rapidamente, deixando o general sozinho. Ele caminhou até a mesa e jogou todos os papéis que estavam sobre ela ao chão, xingando. Ele havia perdido uma arma poderosa que, aos poucos, estava sendo modelada à vontade do general. Declan passou as mãos no cabelo, imaginando o que a princesa poderia querer conversar com Marco Aurélio em uma situação emergencial. Ela não poderia pedir ajuda a ele, principalmente pelo fato de não ter nada a oferecer que pudesse satisfazer a ganância do rei.

Declan Velásquez conhecia muito bem Marco Aurélio de Barbosa, tendo noção do que o homem louco era capaz. A boca do general se torceu em um sorriso de escárnio. Lembrava-se da época em que os três melhores amigos estavam no treinamento juntos, planejando as melhores táticas de ataque e defesa, imaginando a conquista de territórios. Dois deles viraram reis, e apenas um tinha poder e ambição suficientes para seguir com os objetivos de quando era jovem. O outro, morrera junto com a fraqueza que o controlou.

Ele deixou a sala, indo em um passo que era quase uma corrida para segundo andar do palácio, onde ficavam as suítes da família real. Entrou no quarto da princesa, batendo a porta com uma força exagerada e ignorando os guardas que apareceram ali em menos de cinco segundos, alertas com o barulho repentino.

O quarto de Amélia não havia mudado desde a última vez em que ele estivera ali, meses atrás. A presença da princesa no Palácio era um alicerce e uma garantia, de forma que Velásquez não se importava em monitorar cada passo da princesa, ou visitá-la com uma certa frequência. Quando ele queria algo dela, não hesitava em pegar; de resto, a princesa era quase inexistente.

Velásquez andou pelo quarto, os olhos passeando pela escrivaninha e pelas estantes à procura de algo anormal, que talvez a princesa tivesse deixado à mostra por um descuido. Mas todo o desleixo do quarto estava em uma forma simples : a natural bagunça de Amélia Castilho. Alguns papéis foram espalhados pela cama, sendo apenas relatórios das últimas baixas. As folhas estavam rabiscadas em anotações, a letra descuidada devido a uma escrita rápida e furiosa.

Velásquez franziu o cenho. Não havia nada ali. Pelo menos não de forma tão clara. Ele precisava olhar o quarto com os olhos da própria princesa.

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