Nota da autora: Desculpem-me pelo atraso nas postagens, tive que resolver vários problemas e ainda viajei, mas agora os capítulos serão publicados regularmente :)
E aqui está mais um capítulo que acabou de sair do forninho, e me cheira a torta de morango! Nham, corre logo pra ler antes que a nossa "querida" America resolva comer.
Comentem, deem estrelinhas e aproveitem!
***
O meu queixo caiu assim que entramos na cozinha. Com certeza Olinda surtaria nesse lugar. Simplesmente luxuosa, assim como tudo no Castelo. Bastou um olhar de solsaio Nota para me lembrar.Me recumpus rapidamente. Se estava me passando por Violet-- mesmo sendo contra isso-- teria de me fazer de indiferente. Nada que não tenha visto antes. Com muita dificuldade, assumi uma cara de tédio.
-- Então, onde estão os bolos? -- perguntei sutilmente para Silvia, com um quê de impaciência. Meu coração afundou ao ter que tratá-la assim.
Me pareceu que Silvia não de abalou. Ufa!
-- Por aqui, senhorita.
Seguimos pela cozinha até uma mesa ao canto, escondida do meu campo de visão quando entrei na cozinha. Em cima da mesa de mármore estavam vários bolos dispostos aleatoriamente.
-- Fiquem a vontade. Vou buscar Didier para avaliar a escolha da senhorita e do senhor Singer. -- disse Silvia, para em seguida fechar as portas da cozinha.
Pânico. Pânico puro subiu pela minha espinha, para eu depois transforma-lo em fúria.
-- O que foi aquilo? -- esbravejei.
Kota, que estava pegando um pedaço de um dos bolos, deu um pulo com o susto.
-- O quê?
Fiquei vermelha de raiva.
-- Como você pôde fazer aquilo? Como pôde mentir desse jeito? Não sou eu que estarei vestida de Branco daqui a duas semanas.
Kota soltou um longo suspiro e passou as mãos pelo cabelo.
--Eu entrei em pânico,tá legal? Quando Silvia pensou que você era minha noiva eu...
-- O quê? Teve que impedir que sua imagem fosse prejudicada ao saberem que você fica perto demais de uma criada? -- Silvia podia ter me confundido, mas Kota alimentar isso era demais. Todo o sangue do meu corpo subiu para a cabeça.
-- Você não tinha o direito.
Kota foi rápido. Eu tinha começado a sair da cozinha para procurar Silvia e contar toda a verdade, então Kota largou o prato na mesa, agarrou meu pulso e me puxou para seus braços, me prendendo firmemente. Qualquer tentativa de escape era inútil.
-- Me larga! -- Rosnei.
Kota apertou mais seu braço em torno de mim e levantou sua mão para coloca-la na minha boca, abafando a voz.
-- Shh. Eu posso explicar. Por favor-- ele implorou. Manti minha boca fechada, mas meus olhos cravaram nos dele, enviando ondas de fúria no pequeno espaço entre nós. Ao ver que eu não ia sair dali, Kota me soltou com um suspiro.
-- Não disse a verdade porque Violet não é uma pessoa de quem eles irão gostar. Por isso que nunca a trouxe aqui. Esperava que pudesse adiar uma discussão com America até o dia da volta da lua de mel. Além disso, não quero que seja apresentada como uma criada, porque você é bem melhor que isso.
-- poderia ser como amiga, então?
-- Eu não pensei nisso. Mas por favor, não diga nada a eles.
Eu bufei e estava prestes a rebater o pedido, mas as portas da cozinha foram abertas e a rainha entrou.
Tratei de curvar-me rapidamente.
-- Majestade. -- murmurei.
Escutei o barulho dos saltos de America enquanto ela se aproximava, para em seguida me erguer delicadamente. Ela abriu um largo sorriso e depois me envolveu em um abraço de urso.
-- Violet! Estou tão feliz em finalmente poder te conhecer. -- ela me soltou para poder me analisar mais detalhadamente. Em seguida, dirigiu o olhar para Kota. -- Por favor, me diga que você não a drogou para que aceitasse se casar com você.
-- America! -- repreendeu Kota. Toda a cor de seu rosto se esvairia enquanto a rainha gargalhava.
-- Estou brincando!
Eu enrubesci.
-- O que está fazendo aqui? -- questionou Kota -- não tem que, sei lá, governar o país?
America riu novamente. Soava como uma doce melodia.
-- Kota, o país não vai afundar por causa de cinco minutos tirados para conhecer minha nova irmã -- ela disse isso, olhando diretamente para mim. Meu estômago revirou e meu café da manhã ameaçou voltar.
Percebendo meu estado de desconforto, Kota tentou aliviar a tensão.
-- Bem, já a conheceu, então pode ir.
Um sorriso brincou nos lábios de America, e seu olhar desviou para a mesa de bolos.
-- Ei, aquilo ali é torta de morango?
E andou apressadamente até a mesa para pegar um pedaço da torta. Kota deu um tapa em sua testa, e uma risadinha saiu de meus lábios. Deixei Kota com seus pensamentos e me juntei a America.
O dia passou sem mais rodeios. America acabou me ajudando na escolha do bolo, enquanto Kota ficou o tempo todo encostado em uma bancada s fazendo uma carranca para a irmã. Quando pensei que iríamos voltar para a mansão, America segurou meu pulso e me guiou pelo castelo, mostrando cada canto que dizia serem seus favoritos. Perguntei a ela por Maxon, mas America disse que o rei andava ocupado com os conselheiros para recuperar o tempo perdido e conter ao máximo as revoltas. Por fim, paramos no Salão das Mulheres.
Naquele momento, todas as minhas preocupações haviam sumido. Ali, sentada a uma mesa de chá e conversando com uma garota que, apesar de ser rainha e ter um país inteiro para governar, é igualzinha a mim. Tem os mesmos desejos, e um dia teve os mesmos sonhos.
-- Como é? -- eu perguntei a ela -- Quero dizer, viver esse conto de fadas.
America riu.
-- É simplesmente maravilhoso, mas nem todos os momentos foram mágicos dessa maneira. Como todo casal, Maxon e eu temos nossas diferenças. Cabe a nós aceitar cada uma e discutir para entrar em um consenso. Tenho muita sorte por pertencer a ele. É algo que, um ano e meio atrás, quando participei da Seleção, seria impensável para mim.
Eu desviei o olhar para o chão e apertei minhas mãos em volta da delicada xícara de chá de porcelana.
-- Violet -- disse ela, pousando sua delicada mão sobre a minha. Seus dedos possuíam pequenos calos, como os meus, mas isso deve-se ao violino. Mãos de músico. As minhas, mãos de criada. Ergui o olhar para ela.-- Quando Kota me contou que ia se casar, eu pensei: "pobre garota". Mas aí me veio o pensamento de que, como uma Dois, você seria mesquinha e arrogante, como a maioria dos que conheço e já conheci -- Caramba! Ela é direta. -- Mas você é uma boa menina.É inteligente, carismática. Aprendi a avaliar as pessoas durante a Seleção e depois dela, e o que eu queria dizer é que, tanto May como eu ficaremos imensamente felizes em ter você como irmã. Não sei como Kota e você acabaram amarrados um ao outro, mas pelo jeito que vi vocês dois hoje, está dando certo. Como eu disse, todos temos nossas diferenças, mas não desista dele. Por trás de toda aquela fachada, existe um coração bom. Quando um Singer ama alguém, ele faz valer a pena.
Meus olhos se encheram de lágrimas. As palavras de America foram como um tapa para mim. Como eu poderia continuar mentindo para ela? Como eu aceitei fingir o dia inteiro?Passei horas ao lado de alguém fingindo ser quem não sou. E quando descobrirem a verdade? Eu pude imaginar a decepção enchendo o olhar de America que o tempo todo expressa alegria e ternura. Isso estava errado.
-- Está tudo bem? -- America perguntou. A sua voz assumiu um tom de preocupação.
Sequei o meu rosto com as costas da mão cuidadosamente para não borrar a maquiagem perfeita de Olinda.
-- Sim, Majestade. -- minha voz tremeu.
-- Não precisa desses pronomes de tratamento. Você é da família agora, então me chame de America.
Aquilo foi a gota d'água para mim. Precisava contar toda a verdade para ela. Que Violet não era quem ela pensava que fosse. Que...
Uma criada -- que foi silenciosa o suficiente para que eu não a visse entrar -- sussurrou algo no ouvido de America, que acenou em concordância.
As portas do Salão das Mulheres se abriram e Kota entrou. O seu cabelo estava úmido e bagunçado, e naquele momento eu percebi o quanto ele e America se pareciam. Kota também havia trocado de roupa, pelo jeito tomou banho.
No final, eu acabei passando o dia me divertindo com a rainha e me esqueci completamente da existência de Kota. O pensamento me deixou perplexa.
-- Posso roubar minha noiva de você, maninha? -- ele brincou assim que chegou à mesa em que estávamos sentadas.
America fez cara feia, para depois sua expressão se suavizar.
-- Claro. Vou ver como Maxon está indo com os conselheiros.
Ela me abraçou mais uma vez, dizendo-me para visitá-la mais vezes antes do casamento, pois duas semanas eram muito. Em seguida, seguiu como uma verdadeira rainha para fora do Salão.
Kota ofereceu-me o braço, que eu relutantemente aceitei. Não havia ninguém por perto, porque tínhamos que fingir?
Ele me guiou por vários corredores, até que chegamos a um par de portas de vidro, onde dois guardas faziam ronda. Sem mais delongas, abriram as portas, e saímos para o ar livre.
Então... Esse é o jardim.
Várias flores estavam dispostas em cada um dos lados, formando uma trilha. Caminhamos por ela até chegarmos a uma fonte de cobre, onde um anjo que tocava violino repousava no topo da mesma. Fiquei imaginando se Maxon o colocou ali em homenagem a America, já que ela me contou que o jardim é seu lugar preferido no castelo, e a música, sua paixão.
Kota sentou-se na beirada da fonte, levando-me com ele. O pôr-do-sol lançava sombras pelo seu rosto e realçava a floresta atrás de si.
-- Gisele, precisamos conversar.
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Encontrada
Fanfiction"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem você quer ser hoje? Que mundo quer explorar? '. Os livros me traziam batalhas, romances proibidos, o limite do ser humano. Era muito fácil f...
