Capítulo 28 - Sérios problemas

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Os mapas estavam começando a fazer minha cabeça latejar. Eu olhava para a planta do Palácio, buscando alguma coisa que seria útil para mim. Mas não. Eu não encontrava saídas. Apoiei a cabeça nas mãos, o sono começando a me abater.

-- Alteza.

Arregalei os olhos de surpresa, endireitando-me na cadeira. O agente Connor me observava com uma sobrancelha levantada, os braços cruzados.

-- Ah, agente Connor. -- murmurei, voltando a apoiar a cabeça no punho. -- Algo em que eu possa ajudar?

-- Poderia começar dormindo, alteza. Se me permite dizer, a senhorita está péssima.

-- Não me sinto diferente. Parece que estou anestesiada. -- abri um olho para ver, de maneira embaçada, Connor. -- Onde vocês conseguem esses óculos?

Ele abriu um sorriso, o primeiro que vi desde em que o conheci. Oh, ele sabe sorrir. Sentou-se na cadeira de frente para a minha, tirando os óculos e pousando-os em cima da pequena mesa.

-- Um bônus que temos ao trabalhar na AIP.

-- Eles são legais. Devem deixar tudo mais escuro e tenebroso. -- observei -- Será que poderia arranjar um pra mim?

Dessa vez, ele riu.

-- E o que pretende fazer com os óculos, princesa?

-- Eu não sei -- comecei a rir -- talvez eu os utilize para me camuflar. Ou assustar Adam. -- considerei a ideia, não era tão ruim assim. -- Ou, no meu caso de emergência, poder cobrir a minha cara de sono e ficar ameaçadora como vocês. -- dei de ombros.

O agente Connor mordeu os lábios, em uma tentativa falha de não rir mais. Ele explodiu em uma gargalhada, colocando a mão na barriga, segurando-a. Ok, eu estava divertindo-o. Meu cérebro estava tão grogue que não registrei o exato motivo para isso, ou ao menos me importei a respeito. Pelo menos alguém estava feliz. Fechei os olhos.

-- Alteza, devia descansar. -- Connor retomou a fala -- Passou a noite em claro. Dessa forma não terá forças para se concentrar em sua tarefa.

-- Não tenho tempo a perder, Connor, se é que posso te chamar assim. Posso dormir quando tudo isso acabar.

-- Elias. -- ele disse em um tom baixo.

-- Perdão? -- abri os olhos com um pouco de dificuldade. O sono era uma corda que insistia em me puxar para a escuridão. Precisava de uma tesoura para cortá-la.

-- Meu nome. Elias Connor.

-- Oh. Certo. -- Uma tesoura. Uma tesoura grande e firme, porque a corda parece engrossar cada vez que eu tento me livrar dela...

-- Tesoura? -- Elias indagou, confuso.

Oh, droga.

-- Eu falei isso alto? -- suspirei. -- Devo estar parecendo maluca. Cafeína. É exatamente disso que eu preciso.

-- Acho que posso conseguir isso. -- ele se levanta, arrumando o terno. -- Estou indo para a sede da AIP, princesa. Pensei que gostaria de me acompanhar. Meus homens conseguem acesso a informações que poderão ser do seu interesse.

-- Sério?

-- Claro. -- Elias coloca seus óculos novamente, voltando à sua fachada assustadora. Mas agora que o tinha visto em um momento descontraído, ele não me assustava mais. Não contive um meio sorriso.

Me espreguicei na cadeira, sentindo meus músculos reclamarem. Ainda era meio da manhã, e eu pretendia aguentar firme até a hora do jantar. A oferta de Elias era valiosa, poderia conseguir muitos progressos com ela.

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