Os mapas estavam começando a fazer minha cabeça latejar. Eu olhava para a planta do Palácio, buscando alguma coisa que seria útil para mim. Mas não. Eu não encontrava saídas. Apoiei a cabeça nas mãos, o sono começando a me abater.
-- Alteza.
Arregalei os olhos de surpresa, endireitando-me na cadeira. O agente Connor me observava com uma sobrancelha levantada, os braços cruzados.
-- Ah, agente Connor. -- murmurei, voltando a apoiar a cabeça no punho. -- Algo em que eu possa ajudar?
-- Poderia começar dormindo, alteza. Se me permite dizer, a senhorita está péssima.
-- Não me sinto diferente. Parece que estou anestesiada. -- abri um olho para ver, de maneira embaçada, Connor. -- Onde vocês conseguem esses óculos?
Ele abriu um sorriso, o primeiro que vi desde em que o conheci. Oh, ele sabe sorrir. Sentou-se na cadeira de frente para a minha, tirando os óculos e pousando-os em cima da pequena mesa.
-- Um bônus que temos ao trabalhar na AIP.
-- Eles são legais. Devem deixar tudo mais escuro e tenebroso. -- observei -- Será que poderia arranjar um pra mim?
Dessa vez, ele riu.
-- E o que pretende fazer com os óculos, princesa?
-- Eu não sei -- comecei a rir -- talvez eu os utilize para me camuflar. Ou assustar Adam. -- considerei a ideia, não era tão ruim assim. -- Ou, no meu caso de emergência, poder cobrir a minha cara de sono e ficar ameaçadora como vocês. -- dei de ombros.
O agente Connor mordeu os lábios, em uma tentativa falha de não rir mais. Ele explodiu em uma gargalhada, colocando a mão na barriga, segurando-a. Ok, eu estava divertindo-o. Meu cérebro estava tão grogue que não registrei o exato motivo para isso, ou ao menos me importei a respeito. Pelo menos alguém estava feliz. Fechei os olhos.
-- Alteza, devia descansar. -- Connor retomou a fala -- Passou a noite em claro. Dessa forma não terá forças para se concentrar em sua tarefa.
-- Não tenho tempo a perder, Connor, se é que posso te chamar assim. Posso dormir quando tudo isso acabar.
-- Elias. -- ele disse em um tom baixo.
-- Perdão? -- abri os olhos com um pouco de dificuldade. O sono era uma corda que insistia em me puxar para a escuridão. Precisava de uma tesoura para cortá-la.
-- Meu nome. Elias Connor.
-- Oh. Certo. -- Uma tesoura. Uma tesoura grande e firme, porque a corda parece engrossar cada vez que eu tento me livrar dela...
-- Tesoura? -- Elias indagou, confuso.
Oh, droga.
-- Eu falei isso alto? -- suspirei. -- Devo estar parecendo maluca. Cafeína. É exatamente disso que eu preciso.
-- Acho que posso conseguir isso. -- ele se levanta, arrumando o terno. -- Estou indo para a sede da AIP, princesa. Pensei que gostaria de me acompanhar. Meus homens conseguem acesso a informações que poderão ser do seu interesse.
-- Sério?
-- Claro. -- Elias coloca seus óculos novamente, voltando à sua fachada assustadora. Mas agora que o tinha visto em um momento descontraído, ele não me assustava mais. Não contive um meio sorriso.
Me espreguicei na cadeira, sentindo meus músculos reclamarem. Ainda era meio da manhã, e eu pretendia aguentar firme até a hora do jantar. A oferta de Elias era valiosa, poderia conseguir muitos progressos com ela.
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Encontrada
Fanfiction"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem você quer ser hoje? Que mundo quer explorar? '. Os livros me traziam batalhas, romances proibidos, o limite do ser humano. Era muito fácil f...
