Droga! Eu conhecia aquele sotaque.
Virei -me lentamente, dizendo para mim mesma que aquilo não era real, não poderia ser, estaria jogando um jogo muito sujo. Mas, para a minha infelicidade, lá estava ele, o porte atlético escondido sob o smoking branco de uma maneira perfeita, algumas de suas medalhas exibidas com maestria no peito esquerdo. A sua máscara era de um preto simples, fosco, que constratava com os seus cabelos cor de areia. Eu já havia me apaixonado por aquele rosto. Passei horas da minha vida na mansão memorizando cada detalhe, para que depois eu pudesse sonhar em estar ao seu lado.
É claro que, sendo obra de Velásquez, a família real de Illéa não poderia deixar de comparecer à festa.
-- Maxon. -- exclamei, surpresa. -- O que está fazendo aqui?
Ele me estendeu a mão, inclinando a cabeça levemente para o lado.
-- O que me diz, alteza? -- seu tom era moderado. Olhei de soslaio, para logo encontrar um repórter apontando a enorme câmera em nossa direção. Ok, entendi. Eu aceitei a mão de Maxon, que me guiou gentilmente para o meio da pista de dança novamente. Os casais ao nosso redor pareciam alheios à nossa presença, o que ajudou a diminuir a sensação claustrofóbica que eu estava sentindo naquele momento.
-- Suponho que Declan tenha sido muito gentil ao convidá -los para a minha festa de aniversário. -- falei por cima de seu ombro. Nós não olhávamos um para o outro, mantendo apenas os nossos rostos próximos, e eu o deixei me guiar na melodia.
-- Pode ter certeza de que ele foi. Pareceu-me até mesmo apelativo, e como não tive notícias suas desde o dia em que voltou para a Espanha, considerei que deveria dar uma olhada em você. -- a respiração dele bateu quente contra o meu pescoço, fazendo-me cócegas. -- Você está bem?
-- Na medida possível. -- ergui as sobrancelhas, mesmo que ele não pudesse ver -- As coisas definitivamente não estão correndo como eu esperava. Velásquez tem mais cartas na manga do que um mágico.
Maxon permaneceu calado pelo resto da música. Quando ela acabou, ele não fez menção de me soltar, o que acarretou em mais uma dança, também em silêncio. Creio que cada um estava perdido em seus próprios pensamentos até que, por fim, ele disse :
-- Eu e America chegamos em um consenso. Farei um acordo com Velásquez para te levar de volta para Illéa. -- Eu ri singelamente. Quando Maxon não me acompanhou, eu me afastei dele o suficiente para ver o seu rosto, sua expressão me dizendo que falava sério.
-- Não pode fazer isso. -- neguei veemente. -- Eu não vou sair da Espanha.
-- Pense bem, Gisele. Poderemos analisar a situação com calma, tendo conselheiros e estrategistas ao nosso lado.
-- Você não entende. -- disse entre dentes. Meus olhos passearam nervosamente pelo lugar. Do outro lado do salão, Velásquez conversava com um repórter, mas era clara a sua atenção em outro lugar. Como se atraído por um imã, seu olhar cruzou com o meu por apenas um segundo antes que Maxon me girasse novamente, porém foi o suficiente para que eu entendesse o recado. Estou de olho em você. -- Velásquez ameaçou muitas pessoas importantes para mim, caso eu não faça exatamente o que ele disser.
-- E quem seriam? -- Maxon me girou, trazendo-me de volta para seu peito.
-- Kota, Adam, America. -- citei -- Você. -- senti o corpo de Maxon enrijecer contra o meu. Não era algo que eu pretendia contar-lhe tão cedo. Na verdade, eu planejava nunca ter que dizer as palavras. -- Não vou deixar seu país perder seus reis por minha causa. E eu não suportaria perder um amigo, Maxon. Apesar de não nos conhecermos tão bem, é assim que eu penso sobre você. Fez muito por mim, mais do que a maioria faria. Não sei como posso agradecer, mas com certeza não é te arrastando para uma luta que não é sua. Então, por favor, pare de agir como um irmão mais velho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Encontrada
Fanfiction"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem você quer ser hoje? Que mundo quer explorar? '. Os livros me traziam batalhas, romances proibidos, o limite do ser humano. Era muito fácil f...
