Capítulo 34 - A última dança

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" Eu não posso te ver agora
Porque meu coração não aguenta
Não posso estar com você agora
Porque eu sei que você não é mais meu".

-Joel & Luke, Love's to Blame

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O que você faria se pudesse ter tudo o que desejasse?

Aquelas palavras da entrevista martelavam a minha mente como um tambor. Naquele momento, a pergunta me pegou de surpresa, ela estava fora de qualquer coisa que eu pensei que poderia chegar até mim. Para esconder a minha vergonha, eu apenas abri um largo sorriso, mostrando os dentes, enquanto respondia inocentemente:

"Eu já tenho tudo o que desejo. Estou, finalmente, em casa. Talvez se eu pudesse traria a minha família de volta, para que tivessem a oportunidade estar comigo e ver o quanto eu cresci, fisicamente -- a platéia riu -- e pessoalmente. Permanecer apenas na memória não é o suficiente. "

Foi uma resposta sincera, para o momento. Aquela era a expectativa de todos ali presentes e eu, mais uma vez, fiz o que queriam. Agora, depois de seis meses, me sinto completamente diferente, parecia brincadeira de criança.

O que eu faria se pudesse ter tudo o que desejasse?

Para começar, eu nunca teria sido princesa. O nome Amélia Maria Castillo não significaria nada além de pertencer a uma garota comum, que enfrentou a escola, os problemas com as notas e as disputas com o irmão pelo controle da televisão. Foi para a faculdade, formou-se em artes plásticas, seu maior sonho. Ela teria uma vida perfeitamente imperfeita, com seus altos e baixos, mas que, no final, ela olharia para trás e sorriria, vendo que tudo valeu a pena.

A minha ilusão foi ler romances demais, com personagens perfeitas demais, e mesmo quando não eram, quando pensavam que a situação não poderia ser pior, elas ainda tinham um motivo para seguir em frente, um motivo para que as fizesse lutar mais um dia, e viverem felizes para sempre quando tudo acabasse. Surpreendentemente, a minha vida deu uma guinada digna de história de um livro, e agora eu estou no fundo do poço, mas não há nenhuma corda para me puxar de volta. Esse é o problema dos ilusórios contos de fadas: eles sempre têm um final feliz.

Não. A minha vida não era um conto de fadas.

Porque, se fosse, eu não estaria vendo Violet deslumbrante em seu vestido branco, caminhando sorridente pelo tapete de veludo vermelho em direção ao altar. Ao altar, onde Kota está esperando-a juntamente com o arcebispo ao seu lado. E eu estava ali, no púlpito com Velásquez me acompanhando, assistindo tudo em um lugar privilegiado, tendo que manter a estúpida expressão de calma e serenidade que sempre demonstrei nesses últimos seis meses, quando na verdade, o que eu realmente queria era gritar.

A marcha nupcial tocada pelos trompetes era gloriosa dentro da Catedral, e a cada passo que Violet dava uma faca invisível esfaqueava meu peito, sempre no mesmo lugar, impedindo que eu pudesse sentir algo que não fosse dor. O seu sorriso brilhante era, pela primeira vez, verdadeiro. Certamente era, afinal, Violet conseguiu tudo o que ela queria: reconquistou seu título de Condessa, faltavam apenas alguns minutos para se tornar a esposa de Kota, e estava assistindo eu cair lentamente, cada quebra sendo deliciado por ela e por Margareth.

-- Está tudo tão belo. -- Velásquez murmurou no meu ouvido. -- Me pergunto o que o povo acharia de outro casamento real.

Fechei meus olhos brevemente, pedindo em silêncio para que eu tivesse forças suficientes para aguentar aquela noite, principalmente com Velásquez insinuando planejar outro casamento. O meu casamento. Eu não entendia o porque de Kota ter concordado com aquilo. Sei que ele viu a oportunidade de me proteger, mas ao invés disso, acabou condenando nós dois. Ele se colocou em jogo quando poderia ter ficado em segurança. Kota pensava que Violet estava se casando com ele por amor e devoção, todavia, no fundo eu tinha plena consciência de que o que mais a interessou no processo foi a oportunidade de esfregar o casamento em mim, ainda me convidando -- ou melhor, requisitando -- para eu ser a madrinha. Honestamente, nada mais poderia dar errado, estávamos presos ali para sempre.

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