Violet e Kota
Violet só percebeu que havia adormecido quando Kota a chamou, fazendo um leve carinho em seu ombro. Ela apertou os olhos enquanto se acostumava com a claridade, e se espreguiçou no pequeno espaço limitado pelo cinto de segurança.
Sem dizer uma palavra, Kota desceu do carro e deu a volta, abrindo a porta do passageiro para ela.
-- Você dirigiu a noite toda para me trazer para o Parque Municipal?
Ele parou ao lado dela, passando os olhos pelo parque tranquilo, praticamente vazio, o lago refletindo os primeiros raios de Sol da manhã.
-- Eu dei voltas pela cidade a noite toda porque você precisava descansar, e pensei que se eu parasse e você acordasse, não conseguiria dormir novamente.
O coração de Violet se aqueceu com o gesto, mas ela tentou não demostrar.
-- Pensei que me levaria para fora da cidade. Ou do estado.
Kota fez uma careta e estralou o pescoço.
-- Humm... Não. Primeiro, sair da cidade implicaria em passar pelo pedágio, o que é altamente restrito, por conta do bloqueio. E mesmo se conseguíssemos, Velásquez saberia e iria atrás de nós. Segundo, você estava em choque. Não pensava claramente.
-- E você resolveu pensar por mim.
-- É isso aí. -- ele analisou o rosto dela. -- Precisamos conversar.
Violet bufou e acenou, sabendo que não adiantaria nada recusar. Eles caminharam até um dos bancos mais próximos do lago. Estavam tão próximos quanto a distância de um braço poderia deixar, e Kota suspirou, passando as mãos pelo rosto e esfregando os olhos, cansado pela falta de algumas horas de sono.
-- Você está bem? -- ele começou.
Violet quis rir pela pergunta tão estúpida. Mas então ela percebeu que ninguém perguntava isso a ela há muito tempo, e ela entendeu a preocupação.
-- Não.
-- Eu... Não sei o que fazer para te ajudar, não se você não me contar tudo. -- E, antes que ela pudesse negar, acrescentou: -- Por favor.
Violet não respondeu por um longo tempo. Kota respeitou, dando espaço a ela para que organizasse os pensamentos, e encarou e encarou o lago com os cotovelos apoiados nos joelhos, pensando em como conseguiu se meter na confusão que era agora a sua vida. Em certo ponto ele pensou que Violet decidira ignorá-lo, e estava pronto para perguntar novamente, quando ela falou, tão baixo que ele se perguntou se teria imaginado:
-- Eu era a dama de companhia, sabe. Quando Amélia era princesa. Mas conseguimos desenvolver uma amizade forte ao longo dos anos, e passei a ser sua confidente. Sabia todos os segredos, todas as fraquezas. Eu a conhecia melhor até mesmo do que a própria família. Saí da casa dos meus pais e passei a morar no Palácio ainda quando criança. Para os nobres que não ascendiam ao trono, ter uma posição de confiança no círculo restrito da família real era a maior honra a ser recebida.
" Amélia era a irmã mais nova e, por causa disso, o trono espanhol pertencia ao irmão dela, James. A Espanha era até então a maior potência bélica e econômica do Novo Mundo, e queria ampliar os horizontes. Uma aliança permanente com Portugal poderia ser feita através do casamento, de forma que Amélia seria rainha-consorte de Portugal, com o irmão governando a Espanha. Esse casamento foi arranjado cedo demais, e ela detestou. Brigou várias vezes com os pais para dissolver a União, mas eles não ouviram. Por que ouviriam? O poderio da Espanha aumentaria exponencialmente."
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Encontrada
Fanfiction"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem você quer ser hoje? Que mundo quer explorar? '. Os livros me traziam batalhas, romances proibidos, o limite do ser humano. Era muito fácil f...
