Notas:
Hey gente, como vocês estão?
Sabe aquele capítulo difícil de escrever? Quando você sabe o que tem que acontecer, mas tem dificuldade de colocar no papel?
Pois isso foi exatamente o que aconteceu neste capítulo, mas felizmente, a jesuispsique apareceu e salvou o dia com uma conversa inspiradora que me ajudou - e muito - a recuperar o rumo do capítulo. Ah! E fiquem ligados no perfil dela, porque segundo minhas fontes, ela anda escrevendo uma história de terror no mínimo incrível.
Boa leitura para vocês! Espero que gostem <3
_________________
Nos primeiros dias de verão uma leve garoa tocou os campos em forma de neblina densa, capaz de cobrir o sol e trasformá-lo em uma esfera cinzenta no céu diurno.
Na estrada norteadora daquele mundo isolado, os pinheiros erguiam-se, tímidos diante a atmosfera branca, com suas folhas tocadas pelas gotículas de umidade.
Pasha observava atentamente a maravilha pluvial, enquanto a chuva atingia seu rosto causando um alívio após o dia de trabalho árduo nas plantações. Ao seu lado, Mikhail falava sobre os mesmos assuntos cotidianos que tornaram-se comuns naqueles meses, e conforme o tempo transcorria, mais os dois eram jogados para uma estagnação teatral, sem nunca falar sobre a última aventura que viveram, mergulhados apenas na inércia da rotina.
Alguns metros atrás dos dois, caminhando sozinha e em passos mais letárgicos, estava Anya Belbogovna, com o rosto mais pálido do que se era esperado durante aquela época do ano, quando o sol queimava a nuca graças aos dias gastos junto a foice.
Mikhail, como um satélite, rodeava Pavel Iurievitch ao passo que Anya, com o semblante franzido acompanhava os dois com os olhos, vendo a oportunidade que tinha de falar com Mikha se esvair completamente perante a presença constante de Pasha.
Os dois rapazes param de caminhar por um instante e colocaram-se lado a lado, preparando-se para iniciar uma corrida. Não se mantiveram no lugar por tempo suficiente para que Anya conseguisse alcançá-los, logo, disparavam pela estrada em direção a vila e sumiram de vez na neblina.
Anya suspirou. Em dias comuns admiraria a felicidade juvenil que ainda vivia naqueles dois, mas agora a liberdade contida nas ações de Mikhail a irritava e era convertida em seu ser como uma amostra de imaturidade.
"Oras, o que eu posso esperar? Ele tem dezoito anos." ela refletiu, enquanto diminuía a frequência de seus passos, até estar completamente estática, no meio da estrada.
A todo tempo, a moça tentava retomar na mente uma frase dita por Mikha após aquele fim de tarde perto do armazém, quando Anya, no caminho de volta para casa, teceu um comentário sobre a diferença de idade entre os dois. "Se eu fosse o mais velho ninguém diria uma palavra sobre isso, não deve se preocupar com este detalhe" ele argumentava, sempre com ares tão leves que se tornava impossível discordar.
Desde então, sob a mira controladora de Dasha, conseguiram poucos momentos sozinhos.
Anya caminhou em direção a uma árvore caída na entrada do bosque e sentou-se ali, sem se importar com a garoa que começava a ganhar força e sem se preocupar com nada além da solidão prazerosa e o silêncio quebrado pelos sons da natureza.
Por que daquela vez? Por que com Mikhail? Bom, ela obviamente sabia explicar isso no que abrangia questões físicas, mas estava longe de encontrar um motivo existencial para os problemas que a perseguiam naqueles dias.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Conto do Leste
Historical FictionRussia, 1914, a revolução bate na porta e o pânico da Primeira Guerra Mundial se espalha por toda Europa. Neste cenário nasce uma improvável amizade entre Mikhail de oito anos, filho de uma família de aristocratas, e Pavel, um camponês da mesma idad...
