NOTA BREVE: as traduções para algumas frases em francês estão no balão dos comentários. Fiz assim para que vocês não precisassem interromper a leitura a todo momento para ir ao fim do capítulo. É isso, espero que gostem <3
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Ainda um tanto afetado pelo medo do que viria e pela sensação de que precisava fazer mais pelos seus, Mikhail, após o jantar do quinto dia da semana, como prometido, preparou-se para visitar Pasha.
Primeiro, o jovem senhor colocou os filhos para dormir. Pacientemente, esperou que os dois pegassem no sono, logo, buscou pela vodka e pelos dois copos, guardados no armário da sala. Encontrou com Anya, que sentada no divã e descasava com uma xícara de chá entre as mãos.
Os olhos azeitonados caiam sobre o recipiente de borda trincada e perdiam-se em alguma vastidão a qual Mikhail não tinha acesso.
— Irei até Pasha. Vamos beber e conversar. Tudo bem? — Mikha perguntou.
— Por que eu me oporia? — Ela deu de ombros. Parecia um tanto incomodada pela interrupção que o marido fez aos pensamentos que fluíam — Só tente não fazer barulho quando voltar.
— Serei o mais silencioso possível!
O rapaz sorriu de maneira cortês e transpassou a porta, chegando ao corredor.
Tudo começava a cair em silêncio, ouvia-se apenas um ou outro murmúrio dos vizinhos quando passava-se diante as portas.
Com a bebida de baixo do braço e os copos na mão, o rapaz tomou cuidado ao subir pelos degraus da escada em caracol. Olhou para cima e pelas frestas do alçapão, escapava um resquício de luz, denunciando que Pavel ainda estava desperto.
Mikha deferiu duas batidas na entrada e aguardou. Não demorou muito para que os passos ecoassem pelo assoalho de madeira e o som da tranca interna ressoasse. Pasha sorriu no momento em que se viram e Mikha terminou a subida até o conhecido e amigável cômodo pequeno.
— Eu achei que você não viria esta noite... — Pasha comentou, enquanto dava passagem ao visitante que, como o esperado, sentou-se diante a mesa de estudos e começou a servir os copos com o álcool.
— Eu quis surpreendê-lo.
O anfitrião manteve o sorriso e aproximou-se da escrivaninha. Pegou páginas, um grafite, o caderno e o dicionário, posicionados logo ao lado de Mikhail.
Com tais objetos em mãos, Pavel sentou-se na cama, direcionando os olhos para as folhas de papel, para só então explicar ao outro o que fazia:
— Preciso terminar esta tradução. Evgeniya Artyomovna não suporta quando não faço os deveres. Geralmente, consigo concluí-los durante a semana, mas desta vez... esse texto não me parece humanamente possível de ser traduzido. — Certo tom de indignação que permeava sua voz.
— Eu disse que as aulas de francês eram terríveis — Mikha riu baixo e bebeu a vodka do copo em um único gole — Posso tentar ajudá-lo... se quiser.
— Não. Isso seria trapacear, preciso fazer por mim mesmo ou não memorizarei...
— Se é assim... — Mikha deu de ombros — Eu espero... se não se importa, tomarei um dos seus livros como distração.
— Fique a vontade — O anfitrião respondeu em um tom de voz que denunciava certa desatenção, mas Mikhail não tomou tal atitude como ofensa.
Olhou para a escrivaninha e para os livros que encontravam-se sobre a tampa. Sabia que a maioria daqueles exemplares ou pertenciam ou foram presentes de Nikítin... a coleção aumentava aos poucos. Seus dedos tortos se esticaram em direção ao volume que encontrava-se no topo da pilha, ele tomou-o entre suas mãos e só quando deu real atenção a capa foi que percebeu: não tratava-se de um livro... era um bloco de notas.
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Um Conto do Leste
Historical FictionRussia, 1914, a revolução bate na porta e o pânico da Primeira Guerra Mundial se espalha por toda Europa. Neste cenário nasce uma improvável amizade entre Mikhail de oito anos, filho de uma família de aristocratas, e Pavel, um camponês da mesma idad...
