Capítulo XIV: As Portas Para o Futuro (Parte 2)

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Notas:

Hey gente!

Então, eu, finalmente, fiz um book trailer pra história (está ali em cima, nas mídias, só dar Play). Basicamente foi mais demorado que os outros  porque eu geralmente tenho um Dream Cast para os personagens e o problema é que pra "Um Conto do Leste" eu meio que criei os protagonistas como uma mistura louca de vários atores, modelos e cantores, então ninguém combina realmente com o jeito que eu imagino.

Mas enfim,  comentem sobre que vocês acharam do book trailer, e se quiserem, compartilhem comigo os seus "Dream Casts", quero muito saber como vocês imaginam o Pasha e o Mikha (e os outros personagens também...).

Espero que gostem do capítulo e boa leitura <3

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Tatyana Kresnikovna casou-se com Iuri Pavlovitch há pouco mais de dezoito anos. Na ocasião faltavam dias para a moça comemorar seu décimo quinto aniversário.

Desde então, os casamentos mudaram muito, já não se ouvia falar com tanta frequência das cerimônias religiosas, e ao que lhe parecia, a benção de Deus e o sacramento cada vez mais eram substituídos por papeladas e uma aprovação legal, que dizia respeito apenas aos direitos terrenos dos homens.

Um absurdo, um grande absurdo! Porém, inegavelmente mais prático.

Quando menina, Tatyana (ou Tânia, como costumavam chamá-la) conheceu a época em que a vila, agora praticamente abandonada, era feita dos mais diversos tipos possíveis: famílias numerosas que sempre cumprimentavam uns aos outros e mutuamente se convidavam para comemorar algum evento importante.

Bons tempos os da infância, quando não há preocupações!

Tânia lembrou nostálgica da figura de seu pai, conhecido por todos como " O velho Kresnik": um homem que, em juventude, tinha os cabelos tão vermelhos que espalhou-se pela região a lenda de que ele teria caído no fogo quando recém nascido e que a própria Virgem Sagrada apareceu e lhe salvou a vida.

Toda vez que alguém citava o mito perto do senhor ele estufava o peito e proferia de forma bastante enfática e blasfêmica " Esses tolos! Se eu lhes mostrasse cinco ovos escuros e um branco diriam que a galinha que os pôs deveria ser uma mártir e começariam a inventar façanhas divinas. Além disso, a santíssima tem muito mais a fazer do que se preocupar comigo." em seguida vinha uma risada, que graças a fumaça do cigarro de palha, logo transformava-se em uma tosse seca.

Baseando-se nas histórias contadas por Dasha, antes do nascimento de Tânia, havia apenas uma coisa capaz de tirar o senso de humor duvidoso do velho: o fato de ter ficado viúvo duas vezes sem nunca conseguir um filho.

Kresnik passou anos desejando uma criança em sua casa e costumava reclamar constantemente, atribuindo sua incapacidade de gerar um filho a "uma praga, rogada por um de seus irmãos mais velhos". 

A maldição teve fim quando uniu-se com Maria Lievna, uma mulher com fama de solteirona e de quase quarenta anos, que vivia na vila grande e passou a juventude desprezando os mais belos pretendentes. "E ela nunca se arrependeu disso!" dizia Dasha a Tânia que não conheceu a mãe, falecida no parto, em decorrência de problemas vindos da gravidez em idade avançada.

Seu pai, Kresnik, já tinha mais de sessenta anos nesta época: fazia parte da genética familiar, durar tempo o suficiente para ver os outros morrerem de velhice. O avô de Tânia, por exemplo, viveu para completar um século, com saúde para criticar com afinco a vida dos filhos até o último de seus dias.

Apesar de ter crescido sem a presença de Maria Lievna, Tatyana nunca pode queixar-se de seu pai durante os anos em que viveu sob o teto dele.  Kresnik a criou sozinho, com cuidados quase maternais. A única coisa da qual o senhor não sabia tratar eram dos assuntos tidos como "femininos". Seu rosto ficava vermelho, seus ombros tensos, e ele desviava da melhor forma possível toda vez que esbarrava em tais sujeitos.

Um Conto do LesteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora