Capítulo XVI: Decisões de Última Hora (Parte 1)

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Nomes assinados em um papel, guardado no departamento de registros da vila grande. O quão falso era aquele matrimônio? O noivo desenhando letras de uma alcunha que não era a sua e a noiva ansiosa por voltar para casa.

A aldeia em que concentrava-se a vida da região era extensa, feita de casas dos mais diversos tamanhos. Desde o início da NEP¹, permitiu-se a abertura de pequenos comércios e via-se de tudo por ali: artesanatos, animais, tecidos, alimentos... coisas com a aparência um tanto empoeirada, amarelada como a terra das ruelas.

Uma matilha de cães digladiavam-se perto da fonte central, onde as pessoas que não possuíam poço em seus quintais buscavam por água limpa. Diversas tipos iam em direção aos seus trabalhos, a maioria maltrapilha e sem vida nos rostos cadavéricos.

Em um muro de pedras, perto do que parecia uma praça central, haviam avisos e decretos colados ali pelos representantes do governo: cada cartaz representava uma nova perda ao povo, e em sua maioria, a pena para o descumprimento das ordens era o fuzilamento.

Quão desumano era permitir que uma criança nascesse naquele mundo? Pensou Mikhail Andreyevitch enquanto observava um par de meninas, tão mortas quanto o resto, brincando com dois gravetos que mais pareciam extensão de seus braços finos.

O par divertia-se, como toda a criança é capaz de mergulhar na inocência, mas Mikhail... não conseguia ver a imagem diante de seus olhos com outro sentimento senão o pânico. Era assim que seu filho cresceria? Como viveria os primeiros anos de sua juventude? A inocência partia cada vez mais rápido e cada vez mais cedo. O medo apossava-se das almas, tornando-as secas, pálidas e poeirentas como cada centímetro daquele vilarejo.

Nem haviam escolhido um nome para a criança... em breve Mikhail assumiria a função paternal e sequer conseguia imaginar os pré-requisitos para desempenhar de maneira correta tal papel na vida de um segundo ser humano. Suspirou nervoso... o que lembrava de seu pai? Distância e impaciência... Andrey Karev sempre portava uma nova desculpa para manter as proles fora de sua vista desinteressada... Não, não... Mikhail recusava-se a agir de tal forma, pois recordava as tristezas infantis e o sentimento de não ser importante para os adultos.

Petyr, talvez, fosse o melhor exemplo a seguir, no entanto, como trilhar aqueles caminhos tão tranquilos e pacientes? Como aceitar a nova existência e guiá-la para a vida sem cometer erros fatais?

Mais fácil se preocupar com os problemas do presente, como por exemplo, ser um bom marido para a esposa que postava-se ali, caminhando mais a frente, de braços dados com o irmão mais velho, Alik Belbogovitch.

— Uma pena que Sasha não pode vir! — Mikhail pode ouvir Anya comentar... referia-se ao primeiro filho de Dasha, o viúvo.

— Não conseguiu folgar hoje... eu também não teria conseguido, se não fosse o encarregado da mina... o tal que se autoproclama um inseto — respondeu o cunhado de Andreyevitch.

O trio subiu na carroça, emprestada por um dos fazendeiros vizinhos, para que fizessem o trajeto mais rápido. Anya e o irmão logo tomaram lugar como passageiros, ao passo que ficou a cargo de Mikhail a função de condutor... melhor assim, ocuparia-se, como fez durante todas aquelas semanas, de uma função puramente mecânica, que o poupava dos pensamentos mais tumultuados.

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Pavel Iurievitch ausentou-se da assinatura dos papéis, passou o dia no trabalho, fingindo que nenhuma desordem atormentava seu lar, que Mikhail não havia se casado com Anya e que o mundo mantinha sua normalidade inconstante. Seguia ele a mesma lógica do outro rapaz: mergulhar de cabeça nas funções braçais, para que não conseguisse tempo de refletir sobre o resto.

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