Eu acordei enjoada, o balanço da carroça estava me fazendo mal.
-Ester, você tem alguma ideia de que horas são?
Ela puxou o único relógio de bolso da família, Pá havia dado a ela em seu aniversário de dezenove anos. Um presente caro, mas significativo para marcar a data de sua maioridade.
-13 horas.
-Estou com fome.
-Miau. (Quando não?)
Ignorei o gato.
-Eu também estou, vou cortar o pão para nós. George, você também quer?
-Não, Ester, obrigada.
Ela concordou com a cabeça e abriu a sacola que estava com ela. De lá ela tirou um pão preto e cortou duas fatias. Depois de me pedir para segurá-las, voltou a guardar o pão.
-Miau. (Estou com fome, quero um pedaço também.)
-Cale a boca desse bicho.
Bolinho fechou a cara, ele parecia maligno quando fazia isso, senti medo pela velha. Tirei um pedaço do meu pão para o gato, que quase arrancou meu dedo junto quando mordeu. Ele lambeu o sangue do corte que fez com a mordida antes de voltar a comer.
-Que nojo Ellie, você não deveria deixar o gato lamber seu machucado.
Fiquei vermelha pensando em todas as vezes que Riwty me lambeu.
-Talvez você tenha razão.
-Miau. (Como assim? Não estou concordando com isso, o único sangue humano que eu tenho acesso atualmente é o seu.)
-Miau. (Vou começar a matar as pessoas da sua vila então. Já que não posso me afastar de você.)
-Não!_ Falei sem pensar.
Todos olharam para mim espantados.
-Essa garota maluca e esse gato deveriam ser deixados na estrada.
Coloquei Bolinho perto do meu rosto como se fosse beijá-lo e sussurrei em seu ouvido.
-Calma, você pode continuar me mordendo, eu só precisava responder alguma coisa, mas você não vai matar ninguém. Agora preciso que fique quieto antes que nos expulsem.
Bolinho não fez mais nenhum barulho. Nós só paramos para dormir, era uma estalagem pequena e mal acabada, chamada chifre do boi.
-Seguiremos viagem às 6, estejam aqui, não vou ficar esperando._ Falou o condutor.
Entramos no lugar que fazia a taverna de Pá parecer uma mansão. O chão estava sujo de vômito e cerveja e os frequentadores tinham um aspecto assustador.
Pá pediu dois quartos e três pratos de empadão, além de vinho. O estalageiro, um homem obeso e cabeludo que usava um avental sujo, olhou para Bolinho como se ele desse uma ótima torta, aquilo me deixou receosa sobre a comida.
Pá levou nossos baús para os quartos enquanto eu e Ester esperávamos o empadão. Estava muito nervosa, então apertava Bolinho como se ele fosse um bicho de pelúcia. O gato já estava cravando as unhas no meu ombro para indicar que não estava gostando, mas eu não ligava.
-Tente parecer mais confiante, se continuar parecendo um bichinho assustado eles vão vir para cima de você. Homens desse tipo são como lobos, conseguem sentir o cheiro do medo.
-Miau.
(Carne de lobo não é muito agradável, ela é dura e tem pouca gordura.)
Riwty deveria estar com fome para falar uma coisa inútil como essa, ou tentava me distrair. Funcionou bem, porque comecei a pensar de que modo os fae caçavam. Um dia perguntaria isso a ele.
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Aceito
خيال (فانتازيا)Você trocaria sua alma pela realização dos seus desejos? Os fae são criaturas da floresta, lá eles vivem e predam. Porém, quando escolhem um humano a vida do mortal muda para sempre, pois ganhará todos os desejos que quer do fundo do coração. Porém...
