A jovem lady e a plebeia

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Era uma vez, uma pequena lady doente em um castelo frio e sem vida. Seu pai, o lorde, não linha muito tempo para ela e sua mãe, pobrezinha, havia morrido durante seu nascimento deixando-a com terríveis sequelas como consequência. A garotinha vivia isolada em seu quarto indo apenas ao jardim umas poucas vezes por conta de sua condição, era tão sozinha e tão restrita que o povo da cidade sequer sabia que havia uma criança no castelo, não que seu pai tivesse vergonha ou quisesse manter sua existência em segredo, mas sabia que era uma menina frágil e alvo fácil para alguém que quisesse feri-la para o atingir então a escondia para protege-la.

Na cidade ao redor do castelo, vivia uma plebeia órfã com a mesma idade da pequena lady. Por um longo tempo a garotinha fora criada pelas bondosas freiras, mas quando o convento mudou de regente não lhe restou muito mais opções do que pedir por esmolas e roubar todo tipo de gente.

A jovem lady e a plebeia nunca haviam se visto uma única vez. Tinham muitas diferenças, mas seus corações tinham o mesmo desejo por uma vida diferente. 

Duas crianças; duas meninas. Duas almas entristecidas destinadas a encontrar-se em algum momento. O que nenhuma das duas sabia era que esse encontro aconteceria em breve e que graças a ele ambas realizariam seus desejos.

O lorde, que nunca desistiu de sua filha doente, estudou por muito tempo diversas formas de medicina de diversos lugares diferentes. Mandou que chamassem inúmeros padres, médicos, magos e xamãs para tentar cura-la, sem sucesso:

- Papa... Eu não quero morrer - a garotinha chorava a cada um que deixava seu quarto com um olhar de desistência dizendo que não havia nada que pudessem fazer.

- Não se preocupe, minha princesinha. Papa não vai deixar isso acontecer. -o lorde consolava dizendo tais palavras não só para a filha, mas também para si mesmo- O dia está tão bonito hoje, não acha? Por que não vai com a Hannah dar um passeio pelos jardins do castelo?

A garota sorriu com a sugestão acenando em afirmativa com a cabeça e então a dama de companhia, uma jovem ruiva com os curtos cabelos presos, estendeu-lhe os braços oferecendo apoio para que deixasse a cama e agarrasse suas muletas.

Enquanto isso, nos arredores do muro de pedra, um grupo de guardas perseguia a pequena plebeia de pele queimada pelo Sol que acabara de roubar um saco de moedas de um dos médicos. A garota, ágil como era, não teve problemas em despistar todos que a seguiam com espadas e flechas. Esgueirou-se por entre áreas apertadas aproveitando-se de seu corpo pequeno e adentrou o imenso muro escondendo-se entre os arbustos de flores do jardim do castelo:

- Bando de estúpidos...  - ela riu baixinho verificando as moedas.

- Quem está aí? -uma voz infantil soou fazendo com que a pequena se arrepiasse por inteiro e congelasse de medo- Quem está aí? Exijo saber imediatamente! - a voz se fez ouvir mais uma vez.

- Ymir - ela respondeu erguendo as mãos para fora do arbusto como se estivesse se rendendo.

- Ymir de que?

- Apenas Ymir. E tu? - colocou apenas parte do rosto para fora para espiar a imagem da garotinha loira apoiada em duas muletas. Seus olhos eram azuis como o céu limpo, seu vestido rodado parecia o de uma princesa e sua pele era tão clara e pura quanto leite a ponto de a fazer duvidar que aquela menina já tivesse algum dia sido tocada pela luz do Sol ardente.

- Sou Historia Baux Crista Saint-Aulaire Lenz de Reiss. -a loirinha tentou se curvar com certa dificuldade- Sou a jovem lady, primeira e única herdeira de Rod Baux Lenz de Reiss, o lorde Reiss.

The boy and the demonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora