Reencontro

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Caminhando por entre as arvores colhendo frutas com um cesto improvisado, a mulher de pele bronzeada com um óculos de uma lente quebrada exaltou-se ao ouvir um grito que parecia conter palavras num idioma diferente daquele falado pelos nativos do local, um idioma que ela conhecia, embora não fosse sua primeira língua:

- Moblit, eu não estou louca certo? -questionou ao pássaro acomodado em seu ombro- "Não, com certeza não está. Eu também ouvi." -respondeu a si mesma com um tom de voz diferente- Acho que deveríamos verificar, o que acha? -voltou a falar normalmente inclinando a cabeça para o lado ao ouvir um assobiar da ave- Concordo plenamente. Vamos lá! -virou-se para trás antes de gritar- EI, DOUTOR! ESTOU SAINDO!

- Ei, espera. Onde tu vais? - o homem de cabelos castanhos desgrenhados questionou saindo da cabana feita com os restos de um barco.

- ESCUTEI ALGUMA COISA! VOU INVESTIGAR!

Deixando a cesta de frutas de lado ela se pôs a correr na direção do som sendo seguida pelo homem que acabou por a acompanhar de longe já que sua perna manca não o permitia andar com tanta facilidade:

- Está vendo alguma coisa? -questionou baixinho para a ave que voava ao redor de sua cabeça, pousando em seus cabelos presos num rabo de cavalo desarrumado- Eu não vejo nada... Talvez para o outro lado? - correu em direção a praia sem um destino certo fazendo o homem que a seguia suspirar. Ela continuava se distanciando cada vez mais e ele... Ele precisava de uma pausa.

- Escutou alguma coisa? - uma voz masculina jovial soou fazendo a mulher seguir entre as arvores agora com uma direção mais clara enquanto o homem ofegava pedindo inutilmente que ela o esperasse.

- Talvez algum animal? - outra voz um tanto mais grave pronunciou e então o pássaro alçou voou avançando para além das folhagens fazendo com que a mulher o seguisse enfiando o rosto num dos inúmeros arbustos que separavam a floresta da praia analisando o ambiente ao redor até finalmente avistar o animal que procurava pousado sobre a cabeça de um homem baixo com asas:

- Meu Jesus cristinho, um homem pássaro chifrudo!

Os gritos de susto foram inevitáveis, tanto da parte do "homem pássaro" quanto do jovem rapaz de pele bronzeada que o abraçava. Os dois estavam deitados um sobre o outro aparentemente tentando dormir em meio ao areal quando escutaram a voz que os fez levantar afobados:

- Deus... - o mais novo murmurou com a mão contra o peito sentindo o coração acelerado.

- Vocês falam inglês. Vieram de barco? Por favor, digam que vieram de barco - a mulher saltitou atrapalhada em direção ao casal assustado.

- Quem és? - o mais velho questionou abrindo as asas bicoloridas repletas de falhas numa tentativa de esconder o amado e o proteger de um ataque ocasional.

- Ah, sim, isso mesmo! Que tolice a minha não me apresentar... -curvou-se num cumprimento formal erguendo levemente uma saia imaginaria e logo a ave voou de volta até ela se enfiando nos cabelos bagunçados- Hanji Zoe, ao seu dispor. Agora é a vossa vez.

- Meu nome é Levi e esse é Eren.

- Esses chifres são de verdade? Posso tocar? -aproximou-se mais com uma curiosidade infantil estampada na face, estendendo a mão até a cabeça do homem sendo impedida de o tocar com um tapa leve em seus dedos com o qual ela pareceu não se importar- Deus, tu estás com uma aparência terrível, completamente desmantelado...

- Ela me parece um tanto... - o rapaz pronunciou com um olha intrigado.

- Maluca? - o hibrido concluiu com uma sobrancelha arqueada.

- Eu ia dizer excêntrica, mas esse adjetivo também cabe - riu soprado observando atentamente a mulher agitada.

- Como se machucou assim? Caiu de algum lugar? Foi atacado? -perguntou girando ao redor da criatura, tocando e movendo seus membros de forma um tanto invasiva aproveitando que os dois estavam em choque demais para sequer pensar em dizer algo- Por que estavam abraçadinhos? Tem um caso? Vocês parecem ter um caso. Seria legal se tivessem... Sabiam que muitas espécies de animais se relacionam com outros do mesmo sexo? Por que vieram para cá? O garoto também tem algo de extraordinário ou é só tu? Deus, como é bom conversar com alguém além daquele velho mal humorado... - o pássaro piou em sua cabeça fazendo com que a enxurrada de perguntas parasse e logo ela pareceu focar-se no animal acenando em concordância e murmurando palavras incompreensíveis.

The boy and the demonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora