Trish estava sentada em sua penteadeira, o coração acelerado pela expectativa. Allexya, a habilidosa artista da maquiagem, trabalhava com pincéis suaves em seu rosto, realçando os olhos verdes e a pele que parecia brilhar. Rebeca criava um belo penteado, brincando com suas madeixas escuras, misturando tranças delicadas com ondas soltas. O quarto estava cheio de um cheiro doce de flores e laca de cabelo.
— Você está linda, pandinha — disse Lexy, sorrindo. Ela estava emocionada, quase à beira das lágrimas.
— Sim, você está absolutamente deslumbrante, Trish — concordou Rebeca, deslizando a última presilha no lugar. — Aquele vestido de seda parece que foi costurado em você. Jacob vai desmaiar.
Trish tentou sorrir, mas sentia o estômago revirar. O nervosismo pré-nupcial, a gravidez, e a sensação de que algo estava para acontecer eram esmagadoras.
Enquanto isso, Jacob estava sentado em seu quarto, já vestido com seu terno de casamento, que ele odiava, mas que havia prometido usar. Ele observava o modo desajeitado de Paul, que lutava contra a própria gravata, quase afundando o chão de tanto andar de um lado para o outro. Paul parecia mais tenso do que se estivesse prestes a enfrentar um urso pardo.
— Eu não fui feito para isso — grunhiu Paul, puxando o colarinho com desespero. — Não nasci para usar essa porcaria, está apertando meu pau e essa merda está pinicando para cacete o meu pescoço. Eu sinto que não consigo respirar!
Jacob riu, um som alto e relaxado.
— Vamos, Paul. Você está fazendo isso por mim e pela Green. Ela até escolheu uma cor que combina com seu bronzeado.
— Se não fosse isso, eu nem perderia meu tempo vestindo essa porra. Preferia estar transformado. É um abuso contra a liberdade de um quileute.
Enquanto assistia Paul se debater com o terno, Jacob não pôde deixar de se perguntar de onde céus foi que ele se tornou melhor amigo daquele traste impulsivo e por que ele seria seu padrinho de casamento.
Paul olhou para Jacob com um olhar de desespero genuíno.
— Não posso ir só de bermuda? Ou quem sabe um colete?
Jacob riu ao negar e se levantar para ir ajudar o amigo com a gravata.
— Elas nos matariam. E você sabe que Rachel mataria você duas vezes.
— Quando é que nos tornamos melhores amigos, afinal?
— Eu não sei, Paul. Mas estou feliz que isso tenha acontecido, ou eu teria que matá-lo por ter ganhado o coração das duas mulheres que mais amo nesse mundo — Jacob brincou, referindo-se a Rachel e Trish.
O celular tocou sobre a penteadeira de Trish, vibrando contra o vidro. Na tela, indicava um número desconhecido de longa distância.
Green olhou para o celular com curiosidade, perguntando-se quem poderia estar ligando de um número desconhecido no dia de seu casamento. Ela hesitou por um momento, mas então decidiu atender.
— Alô? — disse, com sua voz suave.
Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio longo e frio, e Trish começou a se sentir desconfortável.
— Alô? — insistiu, a voz ficando mais firme. — Quem é? — perguntou novamente.
De repente, uma voz feminina respondeu, com um tom de voz frio e calculado, que Trish não reconheceu de imediato, mas que lhe causou um arrepio.
— Oi. O Jacob está?
— Quem está falando?
— Diz que é uma amiga.
Trish sentiu um arrepio na espinha que nada tinha a ver com o clima da manhã. Aquele tom era de posse e passado.
— Jacob não tem amiga — bradou Trish, a voz perdendo a suavidade e ganhando um tom defensivo.
— Eu prometo ser breve.
Trish recuou um passo, voltando-se para o corredor e gritando com uma urgência que assustou Lexy e Rebeca.
— Jake! — não obteve resposta. — Jacob!
Jacob e Paul apareceram atônitos no corredor, vindo em direção a ela. Paul, já com a gravata no lugar, parecia pronto para uma briga.
— O que foi? — perguntou Jacob, notando a tensão no rosto de Trish.
— Tem uma Isabela Cullen no telefone para você — resmungou Trish, a aversão evidente no nome.
Jacob paralisou. Sua mandíbula tensionou imediatamente, e a cor sumiu de seu rosto. O sorriso de Paul se alargou em antecipação de um bom drama. Jacob levou o aparelho à orelha, seus olhos queimando de raiva.
— O que quer? — sua voz era um rosnado baixo.
— Jake... Como você está? — A voz de Bela era suave, quase lamentosa.
Por que raios ela havia ligado? Por que justo no dia de seu casamento? A vampira não iria estragar o dia mais importante de sua vida.
— Bem melhor que você, Bela. Isso eu garanto. Ainda respiro com meus próprios pulmões. Ainda vivo, diferente de você — Jacob disparou, a crueldade afiada e intencional.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Jacob havia deixado de ser aquele garoto ingênuo que um dia a amou.
— Jake, eu só liguei porque...
— Para ver se o idiota aqui estaria definhando sobre uma cama por sua causa? — a interrompeu, sem paciência.
— Eu sinto...
— Você não sente merda nenhuma, Bela! — grunhiu Jacob, pressionando furiosamente o aparelho contra sua orelha, a força da sua raiva fazendo seu corpo vibrar. — Você é incapaz de sentir alguma coisa. Você é vazia. Você se tornou um vazio para mim.
Trish, Rebeca e Paul mal conseguiam conter suas expressões de satisfação e vitória. Paul deu um pequeno high five no ar com Rebeca.
— Jacob, eu só queria...
— Não, Isabela! — a interrompeu, a voz firme e final. — Você não tem o direito de ligar para mim. Você não tem o direito de me perturbar no dia do meu casamento.
Jacob sentia uma onda de raiva e frustração percorrer seu corpo. Ele não entendia o porquê de Bela estar fazendo isso. Por que ela não podia simplesmente deixá-lo em paz como vinha fazendo?
— "... Bela, querida, temos que ir." — Jacob foi capaz de ouvir a voz seca de Edward ao fundo, confirmando que a vampira havia ligado por capricho. — Em todo caso, Jake... Eu só queria te dar os parabéns pelo casamento, pelo fato de você ter se...
— Seguido em frente? Não se assuste, Bela. Esse sempre foi o plano. Eu estou feliz. Você deve ser incapaz de saber o que é isso, não é? E não irei deixar que você me faça sentir culpado por isso.
Um silêncio sublime apossou-se da linha. O som da chuva lá fora parecia mais alto.
— Se era só isso, adeus, Isabela.
Black desligou o telefone e respirou fundo, fechando os olhos por um instante. A raiva se dissipou, substituída por um alívio frio. Ele beijou Trish na testa, limpando o passado.
— Acabou. Vamos nos casar.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
