3.1 - O que faz aqui?

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Diferente do seu pai, sua mãe não se casou de novo. O divórcio, na verdade, foi uma das melhores coisas que aconteceram na sua vida. Ela abriu o próprio escritório em New Jersey, comprou uma nova casa e se livrou das garras da mídia. Nas poucas vezes que noticiavam sobre ela, era para relembrar quem foi a primeira esposa do grande empresário Howard Stark.

— Ela ainda gosta de viajar?

— Sim. No mês passado, ela foi para Calgary, no Canadá, com o pessoal do trabalho.

O mais velho abriu um meio-sorriso, encerrando o assunto.

Segundos depois, o garçom levou as comidas. Ele depositou diante de Tony um dos pratos mais famosos do cardápio, o Sarma, uma espécie de charuto feito com folha de uva e recheado com carne de cordeiro e outros ingredientes que não fazia ideia do que fossem.

Almoçar no Medi Del Mar era o seu pior pesadelo. Compartilhar de uma comida que não era muito fã junto das cobranças intermináveis do seu pai não era a sua combinação favorita.

Durante os próximos minutos, Howard fez alguns comentários e lhe lançou olhares analíticos. Bem lá no fundo, estava ciente de que ele estava preparando o terreno para o seu assunto favorito de todos: a sucessão das Indústrias Stark.

Mais uma vez, quando o assunto foi abordado, eles passaram a discutir em meio segundo. Tentavam controlar as vozes e os gestos por conta das pessoas ao redor, mas não era preciso analisar muito para saberem que pai filho estavam no meio de uma briga.

Novamente, Tony deixou o restaurante sem ter chegado na metade do seu prato, pensando em como e porquê a relação entre os dois era tão ruim. Suspirando derrotado, dirigiu de volta para o seu apartamento e se afundou em uma tarde dentro do seu estúdio. Conseguiu compor algumas novas melodias e trechos de possíveis músicas para a banda até que sua inspiração foi tomada por um novo rumo.

Ele anotou tudo que conseguiu em um guardanapo e entrou em contato com alguns amigos em busca de um certo endereço. Imaginou que não fosse ser tão difícil e, de fato, não foi. Às vezes, ser popular tinha suas vantagens.

Cerca de 30 minutos depois o moreno estacionou em frente ao The Farrington, um dos prédios mais luxuosos do Queens, o que o fez se questionar se estava com o endereço correto ou se era apenas mais uma piada dos amigos. Afinal, Virginia não parecia ser alguém que tinha condição de pagar para morar em um lugar assim... Ou ela era uma pessoa totalmente diferente da que fazia questão de aparentar ser.

De qualquer forma, seguiu até a portaria e ficou surpreso quando descobriu que ela era uma das novas moradoras. Usou toda a influência que seu sobrenome exercia nas pessoas e conseguiu subir sem que fosse anunciado, passando todo o tempo que o elevador levou até chegar no 16º andar pensando no que diria a ela. Embora estivesse lá por uma boa razão, já passava das 22h da noite e não tinha ideia de como ela reagiria a sua presença sem ter sido convidado.

— Oi. -Forçou um sorriso gentil assim que viu a maçaneta da porta se mexer.

— Anthony, o que faz aqui? -Perguntou ao abrir a porta devagar, dando aos seus olhos tempo de se recuperar das brincadeiras plantadas pela sua mente.

Eu... Eu... -Ele não conseguia responder. A analisava da cabeça aos pés pensando no quão diferente ela era quando estava, no que julgava ser, seu lugar de segurança.

Virginia estava usando uma blusa grande e larga no estilo tie dye que embora coubesse duas delas, era curta o bastante para Tony saber que não havia nenhum short por baixo, o que fez sua mente funcionar tentando adivinhar qual peça havia ali. Claro que as pernas a mostra e cabelo molhado caindo sobre seu rosto também não facilitava para sua concentração, mas o que mais lhe chamou a atenção foi a ausência de toda a maquiagem. Vendo-a de rosto limpo, precisou engolir em seco e controlar a respiração várias vezes, pois a pele clara e os olhos azuis brilhando o fazia pensar no quão parecida com um anjo ela estava.

— Você? -A ruiva questionou, ainda esperando por uma resposta.

— Eu... Vim falar sobre o trabalho. -Respondeu.

— Você tem 2 minutos para me contar sua ideia, para eu explicar em dois minutos porque ela não serve. O que significa que você deve voltar para a Park Avenue em cinco.

Come Back... Be HereOnde histórias criam vida. Descubra agora