26.1 - Regras para esse nosso relacionamento

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— Escuta... -Tony se inclinou ligeiramente na direção de Pepper, as mãos espalmadas sobre a mesa. — Não precisamos casar agora, pelo que eu sei, você só precisa se casar em 2 meses, não é? -Quando ela assentiu, o moreno continuou. — Podemos aproveitar esse tempo para alimentar nossa história, falsos encontros, postagens despretensiosas, coisas do tipo. Então, depois que a herança de vocês estiver assegurada, podemos só pedir o divorcio e tudo acaba bem.

— Você está esquecendo de um detalhe. Eu tenho que parecer casada. Convencer todo mundo que é real. A gente teria que dividir o mesmo teto e, admita, morar na mesma casa não seria como um acampamento de verão.

— Isso é fácil, eu ainda tenho a minha carreira, a minha gravadora é nos Estados Unidos, minha vida quase toda ainda está lá. Você também tem uma carreira agitada, está sempre com alguma viagem marcada. -Comentou, deixando claro onde queria chegar. — Claro, esse vai ser um dos motivos do nosso divórcio, mas até lá, duvido que naquela mansão enorme não exista um quarto para mim. A não ser que você prefira dividir a cama. -Brincou.

Falar sobre suas vidas assim, sobre o que poderiam ter sido e também de mais um fim, mesmo que hipotético, mexia com ele. Tony sentia seu estômago embrulhar, a garganta arder e a visão ficar um pouco turva, devido a algumas lágrimas que já começavam a se formar. Julgando pelo olhar da ex namorada, ela deveria estar pensando o mesmo. Eles podiam negar o quanto quisessem, mas se amaram e, talvez, ainda se amassem.

Era hora de levar a conversa para um terreno mais leve.

— Você é um babaca.

— Que ainda assim, vai garantir uma herança bilionária para você.

— Eu não preciso do dinheiro ou de você para isso. -Foi só quando Pepper respondeu, com a voz estridente, que Tony percebeu que, com sua fala., poderia ter dado a entender outra coisa.

— Eu sei, desculpe! Não quis insinuar nada. -Foi sincero e a loira percebeu, mudando de assunto logo em seguida.

— Deveríamos assinar um contrato.

— Claro, nada mais justo, afinal a herança é de vocês.

— Eu não estava falando sobre isso. Apesar de tudo, não acho que seja um canalha a ponto de nos passar a perna.

— E de que contrato estamos falando? De sigilo? -Embora não tenha dito, ficou extremamente feliz com o elogio camuflado.

— Você acha mesmo que eu estaria entrando nessa confusão se não achasse que poderia confiar em você? Sobre algo tão primordial assim como o seu silêncio? -Irritada, questionou. A clássica revira de olhos sendo inevitável. — Estou falando sobre um contrato com algumas regras para esse nosso "relacionamento". -Sinalizou as aspas com os dedos.

— Não seria mais fácil só conversamos? Somos adultos, podemos ter uma boa convivência.

— Eu prefiro nos garantir.

— Okay... E quais seriam as cláusulas desse contrato?

— Vamos limitar as interações fora dos momentos em que precisaremos agir como um casal.

— Uau, me odeia tanto assim para só interagir comigo em uma farsa?

— Eu disse limitar. Temos duas filhas juntos, eventualmente, teremos que nos falar.

— Claro. -Tony riu. — Quais são as outras regras?

— Nada de contato físico sem que seja extremamente essencial. E eu disse extremamente.

— Entendi, nada de te beijar ou te levar para cama até que você esteja implorando.

— Eu nunca vou implorar. -Se inclinando sobre a mesa, aproximou seu rosto perto o bastante do dele para que o ex namorado entendesse o quão sério ela falava.

— Isso nós vamos ver. -Sorrindo, ele a desafiou.

— Continuando, eu não quero saber dos seus casinhos. Eu não sou idiota para acreditar vai ficar 1 ano sem transar, então seja discreto. Eu não quero levar a fama de corna de novo. -Dessa vez, disse de forma muito mais rude.

— Que tipo de vida você acha que levo? Realmente acredita que vivo entrando e saindo de um puteiro a cada esquina? -De certa forma, se sentiu ofendido com o dizer da loira. — O mesmo vale para você, certo? Não precisamos de fotos suas com mais um amiguinho em um jantar romântico. -Embora estivesse curioso, Tony não perguntou o porquê do uso da palavra "de novo", apenas presumiu que havia sido o mesmo ex namorado imbecil da época da faculdade e logo tratou de também fazer suas exigências.

— Ciúmes Stark? Verde nunca foi sua cor. -Pepper gracejou.

— Ao contrário de você que sempre a vestiu muito bem. Sempre tão ciumenta...

— Babaca!

— Cretina!

— Cachorro!

— Diaba! -Sorriu. — Tenho mais uma regrinha: você tem que realmente entrar nisso de cabeça.

— Não é o que estou fazendo? -Ergueu a sobrancelha.

— Não sei, você quer limitar tanto as coisas que não sei se entende o que significa parecer estar em um casamento de verdade.

— Você só quer tirar vantagens desse acordo.

— É? Então tudo bem, vamos ver se é verdade quando a mídia começar a desconfiar e o testamento do seu avô for para o espaço. Mesmo que não seja o caso, você sabe que as pessoas vão pensar o pior sobre o que estamos fazendo aqui.

— Tudo bem, Anthony. O que você quer que eu faça?

— Apenas me deixar ditar o ritmo de vez em quando, tudo bem? Prometo que vou respeitar seu espaço e suas regras.

— Se você me fizer me arrepender disso eu mato você!

— Prometo que não vou. -Sorriu para a mulher e lhe estendeu a mão. -Pereiros? -Perguntou.

— Parceiros. -Ela assentiu, apertando sua mão e balançando levemente, em movimento de cima para baixo, como forma de selar o acordo.

Em seus íntimos, ambos sentiam que nenhum estava preparado para o que significava firmar aquele trato, mas estavam ansiosos para descobrirem o que a resolução poderia proporcionar ao longo do caminho.

Come Back... Be HereOnde histórias criam vida. Descubra agora